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1 de dez. de 2009

Meus pitacos preferidos no Twitter



Já que estou há tanto tempo sem atualizar o blog, divido com vocês, incansáveis amigos e internautas, algumas das minhas twitadas preferidas na minha página twitter.com/rodrrigo.

Comentem, critiquem, detonem, aproveitem.

"
Um ato falho nunca é falho.

Se chumbo trocado não dói, pra que revidar então?

Não há negligência sem danos.

Pensamento do dia: se toda regra tem uma exceção, e sendo essa uma regra em si, logo há ao menos uma regra no universo que não tem exceção.

Ato-falho não deveria ter esse nome. Mas sim ato-revelação, ato-'me entreguei', ato-ops!, ato-f*deu... :-)

Adoraria ter o Wilson (de House) como meu amigo. Mas já há Wilsons na minha vida. Obrigado, Wilsons!

Gee! No elevador ou se fala do tempo ou de futebol... Nobody deserves it! Campanha Quero Meu Elevador Já!

Voltei ontem de Brasília. Principal reflexão da viagem: impressionante como as aeromoças mexem com o imaginário masculino.

(...) Aliás, o pior da inveja não é invejar o que o outro tem, mas sim desejar que o outro perca o que tem. Affff... Saravá, meu Pai!#inveja

Não sei o que é pior: beber e usar o celular ou beber e usar o twitter.

Já trabalhei em empresas em que, pelas minhas costas, a união fez a forca.

Conjugação do verbo Comprar : Eu compro | Tu compras | Ele compra | Nós compramos | Vós comprais | Eles pagam.

Engordei, não nego. Emagreço quando puder.

Ah! Se eu tivesse ouvido essa frase dita pelo #House num de seus episódios: "Fives marry fives, sevens marry sevens and nines marry nines".

Tava aqui com meus botões: bem que o Bernardinho poderia ser técnico da seleção de futebol. Já pensou?

Hoje, comendo uma pera madura, descobri que a fruta é parente de primeiro grau do figo.

Como era a vida mesmo antes da internet? Ao ar livre...

Queria ter sete vidas. Não pra poder morrer e nascer de novo. Mas pra fazer coisas de modo diferente.

O príncipe do cavalo branco de hoje vem montado num V6. O do cavalo verde, num híbrido. Mas as princesas... essas continuam cor-de-rosa.

Sabedoria não é "não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem", mas sim "faça aos outros aquilo que gostaria que lhe fizessem".

Hj olho p/trás e sei q alguns relacionamentos ñ valiam a pena RT @DrWayneWDyer Anything that keeps you from growing is never worth defending

"Seja quente ou seja frio, senão te vomito". Mas quente sem ferver e frio sem congelar. Equilíbrio ainda é o melhor caminho.

Estais a sós? S.O.S? Se sois os sóis do Universo, sejais sólido e quente e me esquentai também.

Feriado num domingo não adianta nem pra quem trabalha de domingo, o que dizer então pra quem não trabalha de domingo.

A dica da minha nutricionista para comer de 3 em 3 horas é uma delícia: toda vez que vou comer algo lembro que já já vou comer outra vez! ;)

Minha amiga @Lili_Smeke e eu, ontem no #Skye, ficamos a filosofar sobre como teria sido a primeira experiência humana com o mel. Que viagem!

Sou do tipo que, ao chegar num hotel, pergunto: "ate que horas eh servido o cafe", e nao "a partir de que horas..." ;-) Dormir bom D+

Sabe a história do elefantinho que cresce com a pata amarrada ao toco? Pois é, se eu deixasse, Rio Preto se tornava o meu toco.

A vida é mais gostosa com tanino.
"

6 de ago. de 2009

Shopping center: a cidade dentro da cidade


Fotos: GettyImage

O shopping center é uma cidade dentro da cidade. O mundo perfeito protegido por cercas, seguranças. A própria arquitetura e o modus operandi refletem isso: lá não há mendigos, não há favelas, não há semáforos.

Há o cheiro, a música e a temperatura, que tentam ser agradáveis. Há a beleza (questionável) das vitrines, os objetos de consumo da classe média, a conveniência dos serviços, o Papai Noel no final do ano, o coelhinho na Páscoa, o Mickey no dia das crianças.

Para se ter uma ideia, a cada 4 dólares faturados no varejo americano (território pátrio dos mundialmente difundidos centros de compras), 3 têm origem em shopping centers. Sendo mais exato, esse modelo de empreendimento imobiliário e comercial responde por 72% do faturamento do varejo dos Estados Unidos, o mais pujante do planeta.

No Brasil, essa relação é mais tímida: 21% das vendas do varejo são realizadas nos shopping centers (fonte: Folha de S.Paulo, edição de 6/8/2009, página B2, coluna Mercado Aberto). Segundo o Ibope, os shoppings brasileiros têm potencial para alcançar a marca de 40% de participação no total do bolo do varejo tupiniquim.

Mas qual é a magia, quais são as artimanhas utilizadas por esses poderosos ícones do consumismo?

Já repararam que nos corredores desses gigantescos prédios não há sinalização indicando a saída?

Perceberam também que, uma vez dentro do shopping, não dá para saber se é dia ou se é noite, se chove ou se faz sol, se está frio ou calor?

Não há relógios para se saber a hora!

Os nomes dos setores do estacionamento são confusos: ou por letras e números (G1, G2, G3 etc.) ou por nomes difíceis de memorizar (Setor Tulipa, Orquídea, Hortênsia). Ou seja, não querem que você vá embora, saia de lá, deixe de comprar, comprar, comprar.

O shopping virou o ideal da classe média, o consumismo instituído, o modelo perfeito de família: lindo casal jovem com filhos pequenos, dentes perfeitos, bochechas coradas.

Essa herança é proveniente do modelo capitalista americano de se organizar o sistema de compras em grandes centros comerciais. A ideia de centralizar as lojas e os serviços fez com que o próprio desenvolvimento urbanístico refletisse essa realidade através da proliferação, por exemplo, de condomínios residenciais fechados, causando a degradação das regiões centrais de grandes cidades (como resultado da fuga de clientes e comerciantes para os shopping centers).

Sem mencionar a descaracterização das regiões residenciais, abandonando o conceito tradicional de centros de convivência, uma vez que há a diminuição nesses bairros da quantidade de lojas, farmácias, açougues, serviços e até opções de lazer.

Essas funções sociais vêm sendo abocanhadas cada vez mais pelos shoppings.

Há algo de errado nisso? Algo de bom? Não pretendo aqui aprofundar a discussão do tema. Afinal, esse artigo apenas toca a superfície, mas proponho fazermos a reflexão sobre como o modelo dos shopping centers contribui ou não para a construção de uma sociedade mais sadia, justa e solidária.

Fica o convite para todos comentarem.

16 de jul. de 2009

Sexualmente programados?*


Fotos: Getty Image

* Este artigo, de minha autoria, foi publicado na revista Klasse, na edição de julho de 2003.

O tabu do sexo nos ronda desde os primórdios. Mas será mesmo que esse bicho tem tantas sete cabeças assim?

O sexo é o tema mais consumido na internet. A programação da televisão aberta, em qualquer parte do mundo, é fincada em dois alicerces: sexo e violência.

Freud sintetizou sua teoria no sexo. Alegava que a essência das nossas vicissitudes estava calcada na sexualidade.

Acordamos e a primeira coisa que nos vem à mente é... sim, sexo! Vamos dormir e, se não fazemos sexo momentos antes de cair no sono (momentos longos, de preferência), pensamos em sexo. Nossos travesseiros são os melhores amigos de nossa consciência. Ah, e que delícia de consciência!

Mentes pervertidas? Desvios de caráter? Obsessão? Compulsão? Que nada! Sexo nada mais é, e aqui não pretendo soar simplista, do que a garantia da nossa sobrevivência. Não há o que complicar. A resposta está aí. Basta querermos vê-la.

A raça humana existe até os dias de hoje graças à perpetuação da espécie através do sexo. Está na Bíblia, nas aulas de biologia, em casa, na TV. Está, enfim, em nossas mentes e, sobretudo, está em nossos genes.

Sim, fomos programados geneticamente para reproduzir. Religiosamente, para crescer e multiplicar. E do ponto de vista psicológico, também estamos fadados ao complexo dos coelhos.

Portanto, caros leitores, não nos iludamos. Existem sempre, no mínimo, duas formas de enxergar uma questão. A primeira, a que não recomendo, é focar no problema. A segunda é focar na solução.

Vocês já devem ter ouvido a expressão "Deus está nos detalhes". Ou seja, o segredo da felicidade está no que é simples, no que é bem resolvido, no que é tangível o tempo todo.

Por isso, vamos focar na solução da coisa, ou melhor dizendo, do sexo. Ninguém merece (ah, cedi à tal expressão, já incorporada ao nosso dia-a-dia) passar uma vida inteira focando no problema do sexo. Focar na solução é mais saudável. E é muito mais factível do que possamos imaginar.

Senão, vejamos:

Um homem encontra uma mulher desconhecida no elevador. Na cabeça dele, ela é bela, mas até aí não rolou nenhuma intenção, o que lhe daria a liberdade de puxar uma conversa sem compromisso.

Já na cabeça dela passa aquele velho filminho: "Ah, se eu der trela, dará a entender que quero sair com ele. Mas esse não é meu jeito de ser. Ora bolas, o que ele vai pensar de mim? E depois, como será? Acho melhor não falar nada. Nem mesmo da meteorologia".

No que ele vira e diz: "Esquentou hoje, não?" Ela, então, treme por dentro, como quem quisesse bocejar de boca fechada (aliás, segundo Honoré de Balzac, o cúmulo da elegância é bocejar de boca fechada). Que o digam as balzacquianas.

Calada por um átimo de tempo, ela esboça um arrã. Ele, desconcertado pela resposta lacônica, inicia um assobiar sem ritmo, olha para o teto do elevador, suspira e se encolhe.

Abre-se a porta. Ele olha para o relógio, dando indício de que vai esperá-la sair primeiro. Afinal, ele ainda é um cavalheiro. Ele mal identifica em que posição está o ponteiro dos minutos, e ela já atravessa a rua, eufórica e, ao mesmo tempo, melancólica. Como diz um amigo meu, Roberto Oliveira, uma mulher com segundas intenções é pior que o diabo com todas as intenções juntas.

Ou então pensemos a situação inversa: uma mulher de bem com a vida adentra o elevador, depara-se com um homem. Ele, casmurro e reticente, mal levanta as pálpebras para ver quem chega. Na verdade, ele se lembra da sua chefe, mulher dominadora, que acaba de lhe arrancar o fígado coma as palavras. A doce moça do elevador busca um contato visual. Nenhuma intenção de lascívia. Nenhum subterfúgio para o sexo. Apenas a cordialidade do contato, do trocar de gentilezas, do presentar com boas tardes.

Ele, carregado de preconceito, calcado em seu puritanismo ascendente, ignora a meiga presença e sai como um bufão tão logo a porta do elevador se abre no térreo.

Lá se vão mais duas oportunidades de bom sexo. E aqui não quero dizer sexo por sexo ou algo passageiro, frugal. Vejam bem, não quero dizer "só isso". Sexo pode muito bem ser "só isso", como também pode ser o rito de simbolismo do amor de uma vida inteira. E é exatamente essa dúvida que pairará sobre os quatro personagens deste texto pelo resto de seus dias. Isso se eles se derem ao luxo de pensar no assunto. Afinal, o foco deles foi muito mais no problema do que na solução propriamente dita.

Vejam, a solução não seria irem para a cama. A solução é deixar vida fluir, deixar as coisas acontecerem. Sem necessariamente um desfecho, uma conclusão.

Mais uma vez, o foco deve estar na solução. Sexo para simplesmente perpetuar a espécie cabe aos animais irracionais. A nós cabe tomar as decisões certas, ou seja, aquelas que vão ao encontro dos nossos valores e das nossas aspirações.

Isso vale dizer, então, que tudo é válido, desde que sejamos legítimos com nossos próprios sentimentos e jamais abramos mão do nosso poder de escolha.

Curtir a vida é isso. É estar pronto para se comunicar. Estar pronto para dizer sim. E, acima de tudo, também saber dizer não.

12 de jul. de 2009

Vik Muniz não é mais imperdível


Monalisa em versão de geleia e pasta de amendoim

Terminou hoje a exposição (portanto, agora não mais imperdível) de Vik Muniz, no Masp, em São Paulo.

Quem foi, foi. Quem não foi, perdeu. E perdeu a chance de ver uma das exposições mais criativas dos últimos anos realizadas no Masp.

O artista Vik Muniz, nascido no Brasil em 1961 e radicado em Nova Iorque (leia mais aqui), é um prático exemplo da filosofia do "think out of the box" ou "pense fora da caixa".

Ele tem a admirável capacidade de criar verdadeiras obras-primas a partir de mídias e materiais comus ao nosso dia-a-dia.

Sua excentricidade navega desde esculturas cravejadas com diamantes até retratos feitos com spaghetti e molho de tomate, ou ainda geleia e pasta de amendoim. Sem contar sucatas, carvão, tintas e o que mais a imaginação de Muniz puder utilizar.

Visitei a exposição na companhia do meu filho Piero (foto abaixo). Foi uma aula inesquecível para ambos.

Deixo registrado aqui em 'Passa Boi, Passa Boiada' algumas imagens da mostra no Masp. Aproveite!



Piero apreciando um dos quadros de Muniz, no Masp


Retrato feito com spaghetti e molho de tomate


Retrato feito com areia


Mapa múndi feito com sucatas de computadores


Anjinha emergindo do meio da sucata


Che Guevara ao chocolate ou ao feijão?


Liz Taylor em diamantes


Auto-retrato de Vik Muniz feito com cartonagem

O outro e as fronteiras


Fronteira entre México e EUA

Escrevi aqui no blog duas semanas atrás sobre a questão do outro. Uma das colocações que fiz, no post intitulado "Uma Beleza Sozinha Não Faz Verão", foi: se a minha beleza depende da do outro para existir, logo é a partir do respeito ao que é diferente de mim que serei respeitado!

O outro é a nossa fronteira, a nossa referência de finitude e, ao mesmo tempo, de complementaridade. O outro pode ser o nosso calibre, a válvula de ajuste da existência. Existimos porque o outro existe. Sem ele, não somos, não repercutimos. O outro e nós somos, ao mesmo tempo, um.

Tendo em vista esse ponto de vista, proponho aqui uma reflexão sobre o outro enquanto país, nação. E, por consequência, suas fronteiras que delimitam a liberdade do ir e vir, as trocas mercantis, os idiomas, as culturas.

Há hoje, na Europa, em comparação com a primeira metade do século XX, milhares de quilômetros de fronteiras internacionais a mais (procurei no Google a quantidade exata em quilômetros, mas não encontrei). O continente conta com 50 países atualmente, número quase duas vezes maior que há 50 anos.

Pergunto: o que explica esse fato, se levarmos em consideração que desde a Primeira Grande Guerra o processo de globalização é cada vez mais presente, haja vista a própria criação e a expansão da União Europeia nas últimas duas décadas?


Muro de Berlin

Onde há luz, sempre há sombra. Ou seja, tem sido através da tentativa de equalização (seja política, econômica, social) que, na Europa, as diferenças culturais pipocam e culminam numa reivindicação, quando não numa convulsão coletiva, pelos valores culturais de cada povo.

A diversidade só é (e assim deve ser) bela quando a possibilidade de comparação com o outro é possível. Num cenário em que se tenta colocar na mesma cesta uma série de diferentes nacionalidades, culturas e valores, é natural que o azul não queira se misturar com o vermelho, o amarelo, com o verde, e vice-versa.

Assim, quanto mais globalizados formos, menos as bandeiras haverão de se misturar. A manifestação de valores culturais de um povo está intrinsecamente ligada à sua capacidade de diferenciar-se.

Talvez resida aí um dos fatores que levaram por água abaixo a tentativa de implementação dos ideais marxistas na ex-União Soviética. É natural do ser humano sentir-se único (seja enquanto indivíduo ou grupo). E numa região de dimensões continentais como a ex-URSS é natural que as diferenças étnicas se tornariam fraturas expostas cedo ou tarde.

O caso da China, uma das exceções desse meu ponto de vista, ainda foge do meu entendimento. A população fica completamente sujeita às decisões do Estado Chinês, que controla até quantos filhos seus cidadãos podem ter durante toda sua vida. A não ser que haja, nas próximas duas décadas, uma mudança radical das bases do poder chinês (e, por consequência, a inclusão de valores mais democráticos na sociedade), não vejo a cristalização do atual ritmo de crescimento econômico que a China vem experimentando nos últimos 15 anos.

Outro exemplo de exceção é Cuba. Talvez, com o fim da dinastia Castro, que acredito acontecer até 2015, seja possível que os cubanos passem a integrar a dinâmica global de trocas mercantis, científicas e tecnológicas. Sobretudo agora com a boa vontade de Barack Obama.

Poderia citar outros exemplos aqui, mas continuaria penando para achar um ponto interessante para concluir este texto. O fato é que as fronteiras vêm aumentando, assim como o número de países, apesar de a globalização fazer força para emplacar.

O próprio episódio recente da gripe suína, ou melhor, gripe tipo A, deixou escancarado nos quatro cantos do mundo que, sim, estamos dispostos a fechar nossas fronteiras na iminência de riscos de contágio de doenças estrangeiras.

Aliás, a própria etimologia da palavra ‘estrangeiro’ já encerra em si o verdadeiro sentimento que cultivamos pelos povos que não os nossos: estranhos!

É claro que, em nome da saúde pública e blablablá, devemos pensar primeiro na gente, e não nos ‘estranhos’, quer dizer, nos estrangeiros. Mas ainda assim fico aqui matutando sobre para onde apontará a resultante desse movimento mundial de proteção fronteiriça.

Não quero nem imaginar um desfecho não muito bonito. Aliás, nada com nome de desfecho deve carregar muita beleza. Afinal, se o Universo é infinito, qualquer tentativa de se pôr um fim a qualquer coisa sempre cairá por água abaixo.


Fronteira entre Bélgica e Holanda: exemplo de convivência com o outro

1 de jul. de 2009

Uma beleza sozinha não faz verão

Escrevi há pouco um e-mail em resposta a minha amiga Izabelle, que mora em Portugal. Ela, brasileira, já lá se instalou há anos, mas o nosso reencontro, mesmo que cibernético, fez-me voltar no tempo. Lembranças da adolescência. Gostosas recordações.

Algo que me chamou a atenção foram o jeito e os trejeitos dela ao escrever. Um português lusitano -- com o perdão do pleonasmo -- com aquele mesmo charme que os americanos apreciam nos ingleses, e estes, nos franceses.

E ao me deparar com essa diferença, sutil diferença, pude notar, pela enésima vez (mas a primeira que me leva à pena, ou melhor, ao teclado), o quão bela e rica e elegante é a nossa língua portuguesa.

As possibilidades de mover artigos, verbos e pronomes de lugar, sem alterar o sentido da frase, mas lhe conferindo mais poesia ou intenção ou tom (como que se não pudesse um tom ser poético, ou uma poesia, bem ou mal intencionada).

Sempre gostei de estudar outras línguas. E idiomas também. Mas tratemos dos idiomas por ora. Desde pequeno fuçava em dicionários, enciclopédias, sempre encantado com o novo, com o diferente, com o distante, mesmo que este estivesse sob minhas narinas.

Já me disseram que essa vocação, se é que se pode chamar de vocação, é influência da minha Lua na nona casa astral e de Júpiter na terceira. Deve ser mesmo. Afinal, a Lua rege meu signo solar, e o planetão, Júpiter, governa o meu setor de curiosidade, conhecimento, contatos sociais.

Mas o fato concreto, que penso não causar controvérsias astrológicas, é que tenho cada vez mais claro dentro de mim que a beleza do que somos, e do que temos também (como, por exemplo, a nossa língua portuguesa), só pode ser apreciada quando temos como referência o outro, ou a outra, se preferir.

Mesmo assim, ressalvo: como é impressionante nossa capacidade de ignorar as coisas preciosas que nos servem a vida toda, como a família, a noção de Pátria, os amigos verdadeiros, o trabalho, a língua! Parafraseando os anglófonos, "we take it for granted" (se alguém souber de uma tradução boa para essa expressão, por favor, compartilhe).

Enfim, arremato esse texto, que pode parecer solto, mas cuja intenção é propor uma reflexão sobre como a diversidade pode ser a via mais legítima para se enxergar a nossa própria beleza humana, com a seguinte ideia: se a minha beleza depende da do outro para existir, logo é a partir do respeito ao que é diferente de mim que serei respeitado!

Tão simples, tão elementar. Basta querermos olhar ao redor e enxergar. E aprender que dar risada de nós mesmos pode ser um sábio aprendizado.

Afinal, assim como andorinha, uma beleza sozinha também não faz verão.

15 de jun. de 2009

Twitter e Ahmadinejad: Um marco na história das comunicações



Foi um tweet que levou ao mundo, nesse último fim de semana, a notícia da confirmação da vitória de Ahmadinejad nas eleições presidenciais do Irã.

Com isso, um marco importante na história das comunicações ganha vida: pela primeira vez, uma notícia de importância internacional foi dada pela Internet, em primeira mão, por pessoas, indivíduos, internautas, anônimos ou não. Para ser mais específico, pelo Twitter.

Chega a vez em que a nova mídia bate a velha mídia. E quem mais sentiu o golpe foi a americana CNN, que detém (ou detinha) a reputação de sempre dar notícias com exclusividade, como por exemplo o 11 de Setembro, a operação Tempestade no Deserto, entre outras. (Veja mais no site do Mashable, em inglês)

As vias tradicionais de divulgação de notícias, sejam elas os maiores jornais do mundo e seus sites, agências de notícias, rádios e televisões levaram do Twitter, usando o jargão jornalístico, um inusitado furo de reportagem.

Por mais irrelevante que o fato de a velha mídia perder para a nova possa parecer, trata-se de um fenômeno que certamente mudará (e já está mudando) a forma como as pessoas se comunicam.

Trata-se ainda de um movimento nunca antes visto pela humanidade: a capacidade de qualquer pessoa, em virtualmente qualquer lugar, poder gerar notícias, conteúdo e tudo o mais que possa interessar a uma terceira parte, independentemente do lugar de onde esta esteja recebendo a informação.

Não só as empresas de comunicação, mas também qualquer empresa ou organização -- grande, média ou pequena -- deverão se preparar para essa mudança e se dedicar a uma reflexão de como isso poderá impactar suas estratégias de negócios.

Cada vez mais, o boca-a-boca, o tweet-a-tweet terão peso em escala nas decisões de compra, na formação de opinião, na percepção de marcas por parte de consumidores em todo o mundo.

É certo que aqueles que puderem vislumbrar esse futuro e antecipar tendências e direções sairão na frente nessa nova corrida cibernética.

Ainda há muito mais por vir. Afinal, a velocidade da luz já está mesmo ficando para trás.

Preparemo-nos para a Nova Era. E que ela seja muito bem-vinda.

10 de jun. de 2009

Sobre atraso e avanço, Brasil e Canadá



A revista Economist
divulgou nesta semana o ranking das melhores cidades do mundo para se viver. Vancouver, na costa oeste do Canadá, ficou em primeiro lugar. A nossa querida São Paulo empatou com a linda Rio de Janeiro na 92ª posição.

Sei que parece até injusta, mas
a comparação entre Brasil e Canadá é inevitável. Aliás, mais do que inevitável, ela é necessária.

Morei na cidadezinha de Castlegar, no Canadá, de 1992 a 1993, numa época em que o país detinha o posto de primeiro lugar (hoje é o terceiro, atrás de Noruega, em segundo, e Islândia, em primeiro) em IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

A região onde fiquei, a Província de Colúmbia Britânica, era considerada pelo governo canadense, na época, a melhor região para se morar no país, levando-se em consideração critérios como educação, saúde e qualidade de vida. Ou seja, no melhor lugar do melhor país do mundo para se viver.

Antes do Canadá, nasci e passei minha infância e adolescência no interior de São Paulo, em São José do Rio Preto. Desde 1994, moro em São Paulo.

“Bem, mas e daí?”, você deve estar se perguntando.

E daí que o choque de culturas pelo que passei marcou minha vida para sempre.

Não, o choque não foi assim tão radical. Diria que foi até sutil. Mas ao olhar do observador mais atento (e sensível), as diferenças podem tornar-se gritantes.

Vamos a elas:

Atravessando a rua
Aprendi lá no Canadá, no início da década de 90, que basta eu sair da guia e pisar na rua para que os carros parem para eu atravessar. Simples assim. O pedestre tem prioridade. Aqui no Brasil, ainda hoje, ou seja, quase 20 anos depois, paro o carro para as pessoas atravessarem a rua e, (salvo exceções) para minha surpresa, alguns pedestres se recusam a atravessar, às vezes até me olham feio, como que se eu fosse sacaneá-los (dando-lhes um susto ou mesmo passando por cima do cidadão). Enfim, a culpa é de todos nós, não apenas do pedestre, nem do motorista, mas da forma como vimos nos tratando nos últimos tempos.

Lixo
A gente aqui ainda engatinha quando se trata de administrar nosso próprio lixo. Não, não estou falando da reciclagem de alumínio (o Brasil é campeão mundial nesse quesito graças ao contingente gigantesco de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza e, a fim de sobreviver, vivem revirando latões, lixões, quase chegam a implorar pela sua latinha de cerveja vazia na praia). Nem tampouco falo da nossa campeã reciclagem de plástico, reflexo idêntico ao caso das latas de alumínio, e por aí vai. Estou falando de produzir lixo com 'consciência', não desperdiçar, pensar (ou seja, usar a razão, presente divino) antes de imprimir, de usar o carro, de fazer compras. Os canadenses que conheci e com quem convivi em 1992 já sabiam e faziam tudo isso. Iam além: separavam em cestinhos apropriados o chamado lixo orgânico: cascas de batata, cenoura, frutas e tudo o que sobra na cozinha e nos pratos. O que faziam com isso? Bem, eles têm um cantinho no quintal, onde armazenam esse material que é utilizado nas suas hortas e jardins. E a gente aqui no Brasil querendo começar a separar em casa o jornal velho, as garrafas de plástico, as latas de alumínio... Pelo menos já é um começo. Tardio, diria, mas um começo!

Consciência ecológica
Você sabe quantas árvores são necessárias para se produzir uma tonelada de papel? Os canadenses sabem disso desde criancinhas. OK, pode parecer exagero, mas a consciência voltada para o meio ambiente no Canadá é um exemplo a ser seguido. É natural que eles também são usuários de grandes quantidades de papel, sobretudo pelo fato de serem uma nação altamente desenvolvida. Mas a conscientização ecológica é algo que já se fundiu à cultura deles. Aqui no Brasil, essa visão já está presente entre as classes A, B e C, mas ainda há muito trabalho a ser feito para se atingir toda a população. (A propósito, são necessárias 17 árvores para a produção de uma tonelada de papel.)

Direitos constitucionais
É lei levada a sério no Canadá (perdão pelo pleonasmo, mas é que no Brasil lei não é dura lex. Tá mais para dura vita) que todo cidadão tenha acesso universal a saúde, moradia e educação. O próprio Michael Moore, documentarista americano, retratou muito bem isso no filme "
Sicko-SOS", em que compara a drástica diferença entre o sistema de saúde pública do Canadá e dos Estados Unidos. Bem, prefiro nem mencionar o nosso aqui no Brasil.

Campanhas voluntárias e ONG's
A onda por aqui agora é responsabilidade social, voluntariado etc. Sim, sei que há muitas pessoas e empresas que já agem há décadas no silêncio promovendo a ajuda ao próximo. Mas é fato, e você há de concordar comigo, que no Brasil a frequência desse tema ganhou amplitude nos últimos dez anos. No Canadá, em 1992, quando lá morei, eles já estavam carecas de saber que esse tipo de ação é não só necessária, mas um dos princípios da solidariedade. Participei de diversas campanhas (até porque eu era patrocinado pelo
Rotary, instituição engajada mundialmente em ajudar o próximo) para arrecadar alimentos, roupas e remédios, além de ações para recolher materiais para reciclagem. Faço, no entanto, um mea culpa aqui: a única vez que doei sangue na minha vida foi lá no Canadá através de uma campanha da Cruz Vermelha daquele país.

Ausência de muros separando as casas e portas destrancadas dos carros
Essa não vou nem comentar.

Patriotismo
Todo canadense sabe de cor o hino nacional do seu país. Tudo bem que a letra do hino tem treze versos, se não me falha a memória, mas até eu aprendi a cantá-lo. Mas o fato que importa não é esse. O que me tocou de verdade foi ver (e ouvir) o hino ser tocado em diversas ocasiões, públicas e privadas, além de a bandeira canadense ser hasteada em comércios, residências, espaços públicos. Aqui no Brasil já vi até gente comentando ser cômico alguém ter a pachorra de saber todos os versos do nosso hino nacional. Sem dizer que muita gente acharia brega hastear uma bandeira do Brasil na frente de suas casas. Verdade ou não é? Ou vai dizer que você nunca pensou nisso?

Papel na lixeira
Nós, latinos, temos o hábito de amassar a folha de papel, fazendo aquela bola, antes de jogá-la no lixo. Uma vez, ao fazer isso, fui orientado por um canadense que amassar a folha de papel antes de dispensá-la é desnecessário, pois ocupa muito mais espaço no lixo. É só tirar a prova
em casa. Faça o teste: amasse várias folhas de papel e jogue no lixo. Contou quantas folhas couberam no cesto? E se apenas jogasse as folhas, acomodando-as no lixo? Caberia muito mais. Sem mais comentários também. ;)

Uso de água
Só vou dar um exemplo aqui: o uso de água para lavar calçadas com a mangueira. Na segunda casa em que morei no Canadá, na família Meyer para ser mais específico (morei em quatro famílias), aprendi uma lição que trago comigo até hoje. Estava eu a ajudar a limpar o carro da família numa tarde de sábado, quando me embrenhei com a mangueira d'água e comecei a lavar a calçada com o forte jato da ferramenta. Fui surpreendido pelo meu 'host father', Mr. Meyer. Ele simplesmente me explicou que é mais fácil, além de muito mais ecologicamente correto, primeiro varrer a calçada, recolher e lixo e só. Ah, quer tirar a poeira do chão? "Um pano molhado basta, Rodrigo!". Foi o que ouvi de volta.

Há mais uma centena de lições que aprendi quando morei e convivi com os canadenses, povo acolhedor, sensível e muito desenvolvido.

Fico só pensando numa coisa: se aprendi essas coisas todas já faz quase 20 anos, em que estágio os caras devem estar hoje?

Estou precisando (ou melhor, desejando -- quem leu "Carta Aberta a Gandhi" sabe o que quero dizer) voltar ao Canadá. Nem que for só a passeio. Afinal, é nossa obrigação cívica, na qualidade de brasileiros, contribuir para um país melhor. Sempre.

P.S.: Não posso deixar de comentar. A Miss Canadá é brasileira. Preciso dizer mais alguma coisa?

29 de mai. de 2009

"Diálogos dos Pênis" em curta temporada no WTC em SP

Como não é objetivo deste blog escrever resenhas teatrais nem similares, vou apenas dar a dica e contar um pouquinho da peça a que assisti hoje, na companhia da minha querida amiga Dafna, no teatro do World Trade Center, em São Paulo.

Pois bem. Trata-se de "Diálogos dos Pênis", escrita e dirigida por Carlos Alberto Novaes e estrelada pelos 'monstros do palco' Roberto Frota e Marcos Wainberg, respectivamente nessa ordem na foto acima. Os dois já viajaram o Brasil apresentando o espetáculo.

O ritmo da peça flui de forma agradável. Não graças ao texto (fraco), mas sim ao gigante domínio do palco que os dois atores detêm. Misturando improvisos com adaptações ao original, a dupla arranca risadas da plateia do começo ao fim do show.

A melhor piada, na minha opinião, foi sobre a lei seca aqui no estado de São Paulo. Os dois amigos começam a discutir a respeito de beber e dirigir, quando um deles se questiona: "A noite anda estranha. Quase não se veem mais embriagados por aí. Quem será que anda comendo as barangas?". E por aí vai.

É claro que não se trata de um programa que desafie suas fronteiras intelectuais. Mas, afinal, quem quer ser desafiado o tempo todo? Melhor ainda, quem não quer relaxar, dar boas risadas e curtir um bom teatro na companha dos amigos?

19 de mai. de 2009

Sobre desejo e necessidade ou Carta Aberta a Gandhi


“A Terra tem tudo o que precisamos para viver. Mas apenas o necessário.”

Mahatma Gandhi (1869-1948)

São Paulo, 19 de maio de 2009


Nobre Sr. Gandhi,

Com todo meu respeito e admiração ao seu legado deixado à humanidade, permita-me fazer uma pergunta sobre sua frase que aqui me empresta como epígrafe:

Será mesmo que só precisamos do necessário?

Sei que há aí nessa minha contestação um certo paradoxo, afinal, o que é necessário deveria, por sua vez, englobar tudo o que nos basta. Não é mesmo? Ora, o que não é necessário seria dispensável. Seria?

Na minha opinião, tudo aquilo que é necessidade é mais chato. Já o que é desejo é sempre prazeroso.

Hoje entendo melhor o slogan (que, aliás, um ex-chefe meu, Sr. André Gonçalves – in memorian –, participou da criação):

“Diners. O cartão de quem não precisa.”

Ou seja, o cartão seria para aqueles que querem (e podem ter) os momentos de desejo, e não apenas os de necessidade.

Senão, vejamos alguns exemplos que gostaria de lhe compartilhar:

A obrigação é necessidade. A liberdade é desejo.

Sexo é necessidade. Sexo com amor é desejo.

A proteína da carne é necessidade. A picanha argentina é desejo.

A viagem a trabalho é necessidade. A viagem de férias é desejo.

Ler é necessidade. Ler Drummond é desejo.

Dormir é necessidade. Acordar é desejo.

Flavonoide é necessidade. Chocolate é desejo.

Vitamina C é necessidade. Suco de laranja é desejo.

O outro é necessidade. O amor do outro é desejo.

Tocar é necessidade. Carinho é desejo.

O amor de necessidade castra. O amor de desejo é liberto.

Respirar é necessidade. Suspirar é desejo.

Ouvir é necessidade. Música é desejo.

Parente é necessidade. Amigo é desejo.

Trabalhar é necessidade. Ajudar é desejo.

Blogar é minha necessidade. Você ler esse blog é meu desejo.

Para arrematar: Segundo Camões, “viver não é preciso. Navegar é preciso.” O resto é desejo.

Eu quero mais é desejar.

Porque, afinal, o que é necessidade a gente vai dar um jeito mesmo. Por obrigação. E não por escolha.

Já o desejo, não. Esse é por opção. Por vontade própria. Por decisão. É abrir mão de uma coisa em troca de outra. É desejar. É fazer o Universo se expandir.

E, assim, comungar com a divindade e o poder de criação que há em cada um de nós. Pois a necessidade é só necessidade. Já o desejo é criação.

Muito obrigado pela sua atenção.

Cordialmente,

Rodrigo Marques Barbosa

15 de mai. de 2009

"Morreu na miséria, mas morreu em Copacabana"

Fausto Wolff em foto de Cristina Carriconde

A frase que intitula este post é do meu querido amigo Rivaldo Brito. E ela se refere ao bravo brasileiro
Fausto Wolff, jornalista e escritor, morto no final do inverno de 2008 (5/set). Não chegou a fazer a primavera.

Pretendo aqui não falar da vida e obra de Wolff (outros muito mais competentes já o fizeram). Mas o que me impulsionou a escrever esta nota foi a força do testemunho que Rivaldo compartilhou comigo ontem numa mesa de bar aqui em São Paulo.

Wolff nasceu e morreu pobre. Mas conheceu o mundo, desde suas relíquias até suas mazelas. Viajou, comeu, bebeu, trepou. Não empurrou a vida com a barriga. Respeitou sempre sua autonomia de vida, com a vida, para a vida.


Praia de Copacabana, RJ

Rivaldo me contou que esteve na plateia de uma palestra proferida por Wolff em junho de 2003, em que o polêmico jornalista mostrou um pouco dessa que chamei de 'sua autonomia'. Talvez não da forma mais ortodoxa nem tãopouco diplomática, mas da sua forma.

Após reclamar do trânsito caótico de São Paulo (chegou a abrir o discurso com a frase "essa cidade de vocês é uma merda!") e sugerir que no lugar do copo d'água poderia estar uma dose de uísque, Wolff foi logo metralhando (quem atira é pra se defender?) que, mesmo sem ter um puto no bolso, poderia, se quisesse, ao discar de um número de celular de amigos, ir para a Dinamarca no dia seguinte.


Caricatura de Wolff by Caruso: relançamento do Pasquim

Sem querer aqui fazer juízo de valor ou taxá-lo de arrogante, há de se apreciar em Fausto (e ele fazia jus ao nome: fausto = grande e wolff = o lobo, apesar de esse ser o pseudônimo de Faustin von Wolffenbüttel) sua autenticidade, espontaneidade e audácia. Talvez ingredientes que invejamos nele e, por isso, alguma certa ou eventual repulsa quando em contato com suas manifestações.

Mas o arremate da vida de Fausto, segundo ele mesmo já deixou transparecer em várias ocasiões, foi morrer em Copacabana. Afinal, como só temos um palpite sobre o outro lado, é sempre válido aproveitar o aqui e o agora da forma que cada um escolher. E, sobretudo, deixar de invejar as escolhas do outro, ainda mais quando não temos os culhões nem para escolher para nós mesmos.


A linda e calma Dinamarca



Acima e abaixo: folheto da palestra de Wolf de que participou meu amigo Rivaldo




5 de mai. de 2009

Será mesmo que seus "updates" são lidos no Twitter?


Estou aqui matutando com meus botões sobre o quanto de gás o pessoal vai ter para digerir o Twitter, o mais recente fenômeno da internet no mundo.

Quanto ao seu sucesso, nem questiono mais. Cheguei até a escrever uma crônica sobre o assunto em "Twitter: uma biografia não autorizada", onde numa espécie de realismo fantástico tento narrar um pouco do ponto de interrogação que o 'passarinho' coloca na nossa testa.

Mas após algumas semanas de experiência de uso do Twitter, posso dizer que a ferramenta veio para ficar.

Só uma coisa tem me incomodado. Como se pudesse ser diferente, o indicador de sucesso de quem usa o bicho tem sido o número de seguidores que cada twitteiro consegue amealhar. Mas é aí que entra, na minha modesta opinião, o grande dilema.

O barato de twittar é justamente interagir com seus 'followers' e 'followings' a fim de intercambear dicas, informações, trocar mensagens, atualizar o status de um projeto, evento etc.


Tanto é que a Virada Cultural em São Paulo, ou #viradacultural -- como o pessoal twittou no último fim de semana -- foi um grande laboratório para experimentação do twitter. A interação entre veículos de comunicação e seus leitores ou ouvintes foi tamanha que acabou por gerar uma espécie de 'agendona' geral do evento.

Para não me estender mais, só quero perguntar: de que vale ter mil, dois, três mil seguidores ou até mais, se não há interação entre as partes?

Ou será que o pessoal que sai adicionando pessoas à sua rede no Twitter pensa mesmo que os outros vão ler seus updates?

Está aí a questão: contribua com seus comentários.

A propósito, estou twittando em @rodrrigo. Seja bem-vinda(o)!


2 de mai. de 2009

Magali e Mônica no Masp?

"Magali e Mônica de Rosa e Azul", Maurício de Souza, 1989
Acrílica sobre tela, 115x95cm

Parece que não fui apenas eu quem se apaixonou pela Alice, a mocinha de rosa do quadro "Rosa e Azul", de Renoir, e pela sua irmã, Elizabeth.

Até Maurício de Souza, o pai da Turma da Mônica, prestou sua homenagem à obra. Isso foi em 1989, quando ele observava no Masp (Museu de Arte de São Paulo) várias pessoas tentando copiar a pintura original. O resultado vocês podem conferir aí acima.

Encontrei também uma outra versão feita pelo artista plástico paulista Cirton Genaro. Ele faz uma brincadeira ousada e pinta as rebentas como "meninas da noite":



A obra "Rosa e Azul", que faz parte do acervo do Masp, me inspirou a escrever o poema "Minha primeira namorada", que dividi com vocês no post anterior.

Aliás, se eu pudesse cantar uma música para Alice, seria essa aí: Sawa Kobayashi - Patience.

Espero que gostem.

1 de mai. de 2009

Minha primeira namorada


As Meninas Cahen d'Anvers - Rosa e Azul
Pierre-Auguste Renoir - 1881 - 119x74cm

por Rodrigo Marques Barbosa

Minha primeira namorada

Conheci minha primeira namorada de forma inesperada.

Assim.

Como acontecem os amores.

Passeava pelo Masp, entre mundos nunca antes por mim imaginados.

Entre joias tupiniquins, DiCavalcantis, Volpis, Ianellis, Portinaris, Segalls e Brecherets.

E outras tantas d’além-mar, Monets, Delacroixs, Légers, Matisses, Cézannes e até Van Goghs.

Mas foi na ala dos Renoirs que o chão me faltou.

Minha primeira namorada vestia rosa, usava um lindo sapatinho de verniz.

Segurava inseguramente a cinta de cetim que lhe prendia a cintura.

E com a outra mãozinha acolhia-se junto à minha cunhadinha de azul.

Seu cabelo era ruivo.

Podia ser castanho também.

Ou loiro.

Às vezes até preto.

Tudo era uma questão de luz.

E era de luz que aquela pequena me enchia o coração, me fazia respirar fundo (tum-tum, tum-tum, tum-tum), com vontade de vomitar.

Não, não de nojo, mas de enjoo gostoso, daquele friozinho na barriga que acomete os mais desavisados.

Hoje sou avisado.

Avisado até demais.

Tão avisado que não me deixo mais levar pelas moçoilas de rosa e azul que andam por aí.

Loiras, morenas ou ruivas, elas não têm o olhar que pede colo, nem tampouco guardam mais a promessa do ‘l'avenir’.

São mais parecidas com a minha cunhadinha, olhar altivo, mãozinha assanhada querendo, subliminarmente, levantar seu saiote.

Minha primeira namorada olhou para mim, quis sorrir.

Apertou os lábios, a bochecha enrubesceu com minha investida marota, ainda que contida, embasbacado que estava ao fitá-la.

Despedi-me com a promessa de sempre lhe visitar, ainda que por instantes pudesse fazê-la sentir-se em outra dimensão, na minha dimensão (se bem que não sei se a minha namorada quereria sair de seu salão tão bonito, seu tapete tão felpudo).

Mas foi a minha primeira namorada que me levou para uma viagem ultradimensional.

Viajei para dentro daquele quadro, espiei-a por detrás da cortina até tomar coragem de vir-lhe falar: “Bom dia, senhorita! Qual é sua graça?”

Minha primeira namorada se chamava Alice.


23 de abr. de 2009

Tá passando boi nos quatro cantos do mundo



(atualizado em 25 de fevereiro de 2010)

Para minha surpresa, este blog, apesar de eu ter feito pouca divulgação (como postar links nos sites de redes sociais: orkut, myspace, facebook, twitter e linkedin), recebeu visitas de 64 países de seis continentes (Américas, Europa, África, Oceania, Oriente Médio e Ásia). Além de brasileiros, internautas de países como Austrália, Nova Zelândia, Colômbia, Peru, Chile, Equador, Argentina, Venezuela, Uruguai, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Bahamas, México, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Finlândia, Dinamarca, França, Bélgica, Holanda, Itália, Portugal, Espanha, Áustria, Suíça, Alemanha, Grécia, Polônia, Hungria, Croácia, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Albânia, Angola, Namíbia, África do Sul, Cingapura, Brunei, Egito, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait, Qatar, Turquia, Rússia, Lituânia, Ucrânia, Índia, China, Azerbaijão, Taiwan, Malásia, Nepal, Indonésia, Vietnã, Filipinas e Japão deram sua olhadela em 'Passa boi, passa boiada'.

A imagem acima foi retirada do site que me fornece relatórios dos acessos. Para saber mais sobre o serviço (aliás, gratuito), acesse StatCounter.

Não menos surpreendente, além de São Paulo (onde moro) e São José do Rio Preto (onde nasci), o blog foi visitado por pessoas do interior do estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco, Maceió, Ceará, Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Amazonas, Acre, Rondônia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santos e Rio de Janeiro.

Conforme mostra o gráfico acima, é natural que a grande maioria dos acessos provenha de cidades brasileiras. Mas é notória uma leve vocação do blog para se conectar com internautas no mundo todo. Sobretudo se considerarmos a tenra idade de 'Passa boi, passa boiada': um mês de vida.

Em razão disso, os leitores agora podem, ao clicar do mouse, ler traduzidas as páginas do blog nos seguintes idiomas: chinês, italiano, alemão, francês, japonês, inglês, russo e espanhol. Além do bom e querido português, ora pois.



Moral da história: o grande poder da internet é suprimir fronteiras (guardadas as devidas proporções) e aproximar pessoas dos quatro cantos do planeta. Mas, peraí! Como quatro cantos se a Terra é redonda?

Pois é, a força das expressões idiomáticas não deixa a lógica acontecer às vezes.