26 de set de 2012

Energia das Marés

Entrevista ao jornal Brasil Econômico sobre o desenvolvimento da tecnologia de energia das marés.

9 de set de 2012

Notas mentais


                                   (O filho do homem. René Magritte – 1964)

Notas mentais requerem o uso do infinitivo:
Calar quando em dúvida.
Calar quando em certeza.
Calar quando sem saber.
Calar quando dominar.
Calar quando beber.
Calar quando replicar.
Calar quando treplicar.
Calar quando responder.
Calar.
Calar enquanto houver dois ouvidos.
Calar enquanto houver uma boca.
Calar enquanto a ira dominar.
Calar enquanto o rompante se apresentar.
Calar.
Calar pelo outro.
Calar pelo ego.
Calar pelo alter ego.
Calar pelo ato de calar.
Calar porque eles não sabem o que fazem.
Calar.
Calar por amor.
Calar pela verdade.
Calar pela mentira.
Calar sem ser só por calar.
Mas não calar diante do pecado.
Não calar diante da injustiça.
Não calar diante da desarmonia.
Mas como calar, então?
Calar meu coração?
Calar minha imperfeição?
Calar minha evolução?
Calar?
Eu calo
Tu calas
Ele cala
Nós calamos
Vós calais
Eles caluniam.
Eu perdoo
Tu perdoas?
Perdoar.
Quem não cala merece perdão.
Quem cala, também.
Me cala. Me calo.
E nos calando, nos matamos.
E renascemos para calar.

6 de mar de 2011

Sampa é uma mulher


Sampa, em definitivo, é uma mulher.

Esse jeito carinhoso que nós, seus habitantes, encontramos para lhe chamar, Sampa, dá vida e gênero a essa quatrocentona.

São Paulo, por mais homem que seja, por mais orgulhoso (quando não envergonhado) dessa cidadona que leva seu nome, não confere ao nosso habitat as formas e as cores e as curvas de uma mulher.

Quando viajam a trabalho, as pessoas de negócios vão a São Paulo. Mas é na noite, na brisa de concreto que sopra sobre bares lotados que as pessoas estão em Sampa. Tão simples assim.

Sampa nos acolhe quando temos fome, não importa a hora do dia, da noite. Ela é a mãezona sempre presente, daquelas que sabem ser rígidas na hora certa e consoladoras (na hora errada?).

Sampa é a cidade das curvas retas do Masp, das longas caminhadas do Ibira, das pedaladas sobre cimento do Villa-Lobos.

É a cidade que repulsa e atrai, que cheira bem e cheira mal, que carrega no colo e dá um fora, que beija, abraça, xinga, chora... é a cidade-mulher.

Sampa tem luz e sombra, trânsito e sossego, lixo, luxo, caro, barato, podre, pobre, rico.

Sampa tem tudo que cada um de seus filhos tem.

7 de mai de 2010

Godspeed!

Uma das minhas músicas preferidas: Godspeed (Dixie Chicks).

Clique no play >

Para a letra, clique aqui.

25 de abr de 2010

Transformação física do Lula

Então, o homem é um produto do meio?

23 de abr de 2010

Rei Sol: maravilhas do Universo (vídeo da NASA)

Esse pequeno mas poderoso momento do circo celestial mostra que o Universo continua mesmo em plena expansão. Veja no vídeo:

23 de abril: Dia de São Jorge


Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e as perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

8 de mar de 2010

Sbarro Autobau: o carro barbeador elétrico


Clique no título ou na foto para ler a reportagem em Quatro Rodas.

24 de fev de 2010

About accents and pasta sauces



The one who pays attention to accents is like someone who only eats spaghetti Bolognese.

It's like someone who has never proved, by sheer ignorance or mere hesitation, a carbonara.

Or a putanesca.

Sauces must be the same as whores: always at the customer's taste.

Sauces must be like those who eat them: reflecting their level of civility. Or cosmopolitanism. Or not.

No, not that the Bolognese does not express any nobility. On the contrary. After all, such would be a blasfemy with the dear friends from Bologna.

But what pisses me off are those who just want to eat pasta with sauce of ground meat (although the 'vero bolognese' is made of beef finely chopped, cooked for hours over low heat).

It is the lack of window, the unwillingness to perceive that smell that sounds on the other side, the color of cooked tomatoes for hours, the perfume of the panceta, the basil that gives color to the smell of the cooked, the fresh rosemary that transforms, the oil that lights up.

It is the lack of it all that makes me think and reflect on the lack of vision on the negligence of accommodating the other in the heart, the pre-trial of ideas, cultures, ways of being, anyway, the accents.

I speak as I like. And as the whole world. And I sail the accents as if they did not exist, even though I am aware of their presence, of their carriage, of their origin. But not everything that originates is worthy to exist.

So are the accents, as well as pasta sauces. In fact, I really sauce a pasta. God bless! Cheers!

Sobre sotaques e molhos de macarrão




Quem repara em sotaques é como alguém que só come macarrão à bolonhesa.


É como alguém que nunca provou, por pura ignorância ou mero titubeio, um carbonara.


Ou uma putanesca.


Os molhos devem ser mesmo como as putas: sempre ao gosto do freguês.


Os molhos devem ser como quem os come: refletem seu nível de civilidade. Ou de cosmopolitismo. Ou não.


Não, não que o bolonhesa não exprima nenhuma nobreza. Ao contrário. Afinal, tamanha seria a desfeita com os caros amigos de Bologna.


Mas o que me deixa puto são aqueles que só querem saber de comer macarrão com molho de carne moída (se bem que o ‘vero bolognese’ é feito de carne bem picadinha, cozida durante horas sob fogo brando).


É a falta de janela, a falta de vontade de descobrir que cheiro tem o som do outro lado, a cor do tomate cozido por horas, a panceta que perfuma, o louro que dá cor ao cheiro do cozido, o alecrim fresco que transforma, o azeite que ilumina.


É a falta disso tudo que me faz pensar e refletir sobre a falta de visão, sobre o desleixo de acomodar o outro no coração, sobre o pré-julgamento de ideias, de culturas, de maneiras de ser, enfim, de sotaques.


Eu falo como eu como. E como o mundo inteiro. E navego nos sotaques como se eles não existissem, mesmo consciente da sua presença, do seu arrastado, da sua origem. Mas nem tudo que tem origem é digno de existir.


Assim são os sotaques, bem como os molhos de macarrão. Aliás, eu realmente bem como os molhos de macarrão. Benzadeus! Saúde!