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25 de abr. de 2010

Transformação física do Lula

Então, o homem é um produto do meio?

18 de jun. de 2009

Conferência Ethos: Carta aberta à sociedade

Acabo de participar da Conferência Internacional do Instituto Ethos, realizada em São Paulo, e publico abaixo a carta aberta divulgada agora há pouco durante o Ato Contra a Medida Provisória 458, que poderá ser sancionada ou vetada (espero!) amanhã pelo presidente Lula.


Carta aberta à sociedade

A sociedade humana vive, no século 21, os dilemas e as esperanças de uma civilização construída sobre os desatinos e os avanços incomparáveis da ciência, da arte e do conhecimento em geral sobre a natureza. Mas chegamos ao limite e precisamos de uma transformação radical na economia. Trata-se de construir uma civilização cujo modelo de produção e consumo preserve as riquezas naturais, inclua milhões de pessoas até agora à margem de qualquer progresso e garanta os recursos necessários para uma sociedade justa e sustentável, objetivo de todos nós.

O Brasil pode ser liderança neste processo por vários motivos: possui a maior floresta tropical do mundo; a matriz energética tem fontes renováveis e limpas; e os recursos ainda incontáveis da biodiversidade garantem a base para as inovações tecnológicas necessárias ao novo modelo em construção. No entanto, o que estamos fazendo com tudo isso? Ignorando nosso maior patrimônio para o século 21 e, ao agir assim, condenando o país a um papel secundário no novo mundo da sustentabilidade que está surgindo.

Nossa enorme perplexidade é verificar que, no início de um novo século, com os desafios que temos, ainda existam políticos e empresários descomprometidos que se apropriam do Estado para benefício particular, privilegiando o lucro imediato à custa do interesse maior da nação brasileira. Esta falta de visão de futuro fica ainda mais evidente com os ataques que a legislação ambiental brasileira vem sofrendo. A aprovação, no Congresso Nacional, da MP 458, conhecida como MP da Grilagem - que, entre outras medidas, promove a legalização de terras ilegais, é a mais recente demonstração de que há um projeto em andamento para desmontar a agenda ambiental duramente conquistada nos últimos anos e que dá ao Brasil posição privilegiada para enfrentar as consequências das mudanças climáticas.

A quem interessa o desmatamento? A sociedade brasileira precisa se mobilizar para separar o joio do trigo. Nós, participantes da Conferência Internacional do Ethos, podemos afirmar enfaticamente que a maioria das empresas aqui instaladas está interessada em promover negócios responsáveis e, junto com as demais forças da sociedade civil organizada, vem buscando o desenvolvimento sustentável.

Infelizmente, ainda há os que fazem o contrário. Para estas pessoas, ambiente é obstáculo. Nós , no entanto, queremos enfatizar que o Brasil hoje tem enorme importância no mundo por ser um dos países com maior patrimônio ambiental ainda preservado e, portanto, com maior potencial de desenvolvimento econômico e social sustentável. Por isso, aqui reunidos neste ato público, manifestamos nossas intenções de:

- Conclamar a Presidência da República a vetar os três artigos da MP 458, conforme a Carta Aberta da senadora Marina Silva encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva

- Conclamar o presidente Lula a assumir a liderança da agenda ambiental como central na estratégia do desenvolvimento social e econômico do Brasil;

- Conclamar o Congresso Nacional a assumir sua responsabilidade frente à agenda ambiental brasileira;

- Conclamar as empresas a incorporar a agenda ambiental como estratégia de seus negócios.


São Paulo, 18 de junho de 2009

Conferência Internacional Ethos 2009

30 de mai. de 2009

O homem que Kant gostaria para o Brasil


Entrevista exclusiva para o blog


Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Ouça a entrevista na íntegra:


por Rodrigo Marques Barbosa
Quem seria o homem ideal para assumir um cargo político? Quem teria isenção para pensar no coletivo e agir em favor deste, senão aqueles que já têm autonomia e independência financeiras, conquistadas pré-mandato? Segundo o alemão Immanuel Kant, que viveu no século XVIII e é considerado como o último filósofo dos princípios da era moderna, os homens financeiramente independentes são os mais indicados para assumir cargos públicos em razão de poderem agir sem objetivos econômicos e apenas cultivarem interesses voltados para o bem-comum. Sim, eu também leio o que acabo de escrever e quase não levo a sério. Afinal, a imagem que temos do servidor público está distante anos-luz do que Kant propôs quase 300 anos atrás. Mas também é nossa obrigação olhar para as oportunidades que estão à nossa volta, e não apenas focar nos problemas, como as sacanagens homéricas de autoria dos nossos políticos.

'Passa boi, passa boiada' participou, na última sexta-feira (29), do seminário sobre Comunicação Corporativa promovido pela Universidade Metodista de São Paulo, no campus de São Bernardo do Campo. Um dos convidados foi o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, jornalista Miguel Jorge. Nascido em Ponte Nova, na zona da mata mineira, Jorge teve uma carreira meteórica, não em termos de tempo (apenas), mas em amplitude e importância para o Brasil. Começou em 1963 como repórter da sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo. Três anos mais tarde participou da criação do Jornal da Tarde, ocupando posições como repórter geral até subsecretário de redação. De 1977 a 1987, foi diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo, de onde saiu para integrar a diretoria da então recém-criada Autolatina (joint-venture entre Volkswagen e Ford). Com o fim da empresa, foi para Volkswagen do Brasil, onde assumiu o cargo de vice-presidente de assuntos legais, recursos humanos e assuntos corporativos. Em janeiro de 2001, o grupo Santander Banespa o convidou para assumir a vice-presidência de assuntos corporativos, função à qual se incorporaram as áreas de recursos humanos e assuntos jurídicos. Em março de 2007, após uma ligação do presidente Lula, Jorge aceitou seu convite para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Sem dúvida, uma trajetória marcada por sucesso e realização, alcançados no mundo corporativo, de forma isenta, e que agora, de acordo com o ideal de Kant (na imagem da pintura acima), se volta para o bem-comum.

Confira, com exclusividade, a entrevista concedida pelo jornalista e ministro Miguel Jorge ao blog 'Passa boi, passa boiada' (PBPB):


Fotos de Jô Rabelo

PBPB: O senhor começou sua carreira como repórter de jornal, participou do processo de criação da Autolatina, foi vice-presidente da Volkswagen e do banco Santander, e hoje está no Governo como Ministro de Estado. Caso semelhante é do Sr. Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central. Eu tive a experiência de trabalhar, indiretamente, na equipe dele no BankBoston no final da década de 90. Ele, então, estava bem colocado, era à época presidente mundial do banco. Pergunto: mesmo com a motivação do servir à Pátria, mesmo com a possibilidade de voltar ao mercado de forma ainda melhor após o período no Governo, como é abrir mão de uma posição de VP de um banco multinacional? O que motiva um profissional com tanta experiência, tanta bagagem, com pista para seguir nesse mundo corporativo, a deixar sua carreira para participar do Governo, levando-se em conta o risco e tudo o que isso pode trazer de bom e de ruim?

Miguel Jorge: Primeiramente, fui jornalista muito tempo. Atuei durante 24 anos como jornalista. Depois fiquei mais 14 anos na Volkswagen e outros seis anos e meio no Santander. Ou seja, durante boa parte da minha vida eu trabalhei com produção. Portanto, eu achava que poderia dar minha contribuição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Se fosse um outro Ministério, dificilmente eu teria aceitado. Além disso, o fato de eu ter uma relação pessoal com o Presidente Lula me ajudou na decisão, pois também vi que ele poderia me ajudar na minha atuação como ministro. Outra coisa foi o fato de eu conhecer muito a estrutura desse ministério. Durante todos os anos na indústria automobilística, a minha relação mais forte como representante da Volkswagen – e muitas vezes como representante do próprio setor – era com esse Ministério, à época chamado apenas de Ministério da Indústria e Comércio. Depois de um determinado ponto na sua carreira, ou seja, após ter sido VP da Volkswagen, VP do Santander – que é um dos cinco maiores bancos do mundo – restam poucos lugares para ir. Portanto, mesmo que alguns pensem ser babaquice, chega uma hora que você realmente pensa que tem de dar uma contribuição. Tem de ajudar a fazer com que as coisas aconteçam com a melhor das intenções, com muita dedicação.

Da esq. à dir., ministro Miguel Jorge, prof. João Evangelista (Metodista), e Rolf-Dieter Acker, presidente da Basf América do Sul

PBPB: O Sr. se realizou ou está se realizando nisso que o motivou a ir para o Governo?

Miguel Jorge: Com todas as dificuldades que há no Governo, como, por exemplo, levar quatro meses para conseguir vacinas contra a gripe para as pessoas com mais de 60 anos é complicado. Numa empresa privada, você consegue resolver e fazer isso acontecer em 24 horas. No meu ministério, levamos quatro meses para fazer a concorrência, aprovar o plano etc. Só agora, na última terça-feira (26), a vacinação teve início. Eu fui o primeiro lá na fila para tomar a vacina. Mas mesmo com toda essa dificuldade, com toda essa burocracia da estrutura, que é muito pesada, é possível realizar muita coisa. E numa fase como a que nós estamos passando, com essa crise difícil, nós temos trabalhado muito. É claro que o país já tinha fundamentos muito fortes, mas as ações do Governo têm sido rápidas e têm nos ajudado a superar a crise. Além disso, a experiência que você traz da iniciativa privada ajuda muito nesse caso.

Alunos da Metodista durante seminário sobre Comunicação Corporativa

PBPB: Vamos falar agora não do ministro, não do executivo, mas do Miguel, do ser humano que está aí dentro, que deve estar acima de tudo isso. Como o senhor se vê frente às suas escolhas, à sua realização pessoal, profissional, às etapas por que já passou e agora ter chegado aonde está?

Miguel Jorge: É a primeira vez que me perguntam isso, apesar de eu já ter refletido muito sobre essa questão. Eu nunca tinha pensado em conquistar tudo isso. Eu comecei como repórter. Nunca pensei que de repórter eu passaria a subeditor, editor, chefe de reportagem, depois diretor de redação de um jornal como o Estadão. E de repente, num almoço aqui em São Bernardo do Campo, fui convidado pelo Sauer (Wolfgang Sauer, ex-presidente da VW e da Autolatina). Realmente fui surpreendido por isso. Enquanto ele (Sauer) me contava a história do que seria a Autolatina, eu pensava ‘essa vai ser a grande matéria de domingo do Estadão’. Mas não. Quando ele terminou a conversa, me disse: “eu queria que você fizesse parte da equipe de direção dessa empresa”. A mesma coisa aconteceu quando eu fui para o Santander. E também quando recebi uma ligação do presidente Lula: “Miguel, você pode vir aqui a Brasília? Tenho um assunto para tratar com você.” E eu não tinha a menor ideia sobre o que seria a conversa, porque não sabia que meu antecessor estava então de saída. Eu sou neto de libaneses por parte de pai, e os libaneses têm uma expressão chamada ‘maktub’, que quer dizer ‘estava escrito’. Eu sou um pouco fatalista. Eu nunca planejei nada. As coisas aconteceram. E aconteceram de uma maneira muito maior do que eu poderia um dia imaginar na minha vida.

26 de mai. de 2009

"Ainda bem que o Lula não é intelectual", satiriza Delfim



Participei hoje do 5º Congresso da ANBID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), realizado no World Trade Center, em São Paulo.

A palestra que mais me chamou a atenção (e também me preveniu do sono pós-almoço) foi a do economista Antônio Delfim Netto (foto acima).

Do alto dos seus 81 anos, completados no último 1 de maio, Delfim estava muito à vontade. Falou de economia como se falasse da coisa mais trivial do mundo e ainda demonstrou um bom humor (bem afiado, é verdade) que fez a plateia chacoalhar com risadas por diversas vezes.

Para não entrar no economês (apesar de Delfim ter sido extremamente claro e objetivo -- foi o único palestrante a utilizar gráficos simples, simbologia e puro "preto e branco" nos seus slides), transcrevo em seguida algumas das pérolas (outras nem tanto) ditas por ele:

Sobre as eleições presidenciais de 2010:

"Só um intelectual quereria um terceiro mandato. Ainda bem que o Lula não é intelectual."

Sobre o Ministério Público:

"O Ministério Público do Brasil é exibicionista."

Sobre o pré-sal:

"O pré-sal é um presente de Deus para o Brasil. Mas não é de graça: fica a 300 km da praia e a seis mil metros de profundidade."

Ainda sobre o petróleo:

"O petróleo deverá ser usado no futuro não para gasolina, mas sim para seus fins mais nobres, como o petroquímico."


Sobre a economia (o tema da palestra de Delfim foi "De que forma a crise global afeta o cenário econômico nacional"), o ex-Ministro demonstrou muito otimismo, é claro, sempre baseado em dados e fatos e projeções.

Delfim e sua equipe da Ideias Consultoria preveem uma retomada do crescimento do PIB brasileiro a partir do terceiro trimestre deste ano. A projeção é o PIB subir um ponto percentual por trimestre, consecutivamente, até as eleições de 2010, quando então, segundo ele, o crescimento deverá se estabilizar em torno de 5% ao ano durante a próxima década.

3 de mai. de 2009

Daremos conta de uma Copa e de uma eventual Olimpíada no Brasil?




Como todo são-paulino bem educado, meus cumprimentos e felicitações ao Esporte Clube Corinthians Paulista pela conquista do título de campeão paulista 2009.

Meu único comentário sobre o jogo, ou melhor, sobre o final do evento:

Será que nós, brasileiros, realmente estamos preparados para sediar a Copa do Mundo de 2014? Quem diria então os Jogos Olímpicos em 2016?

O incidente quase acidente, durante a entrega do troféu no final da partida de hoje, deu sinais da nossa incapacidade de organizar eventos esportivos de forma decente: o incêndio na gaiola em que estavam o zagueiro William, o presidente do Corinthians e o ministro dos Esportes poderia ter acabado com a festa, 'queimado' nosso filme com o pessoal do C.O.I. (Comitê Olímpico Internacional), sem contar no risco de morte ou queimaduras graves que correram as pessoas envolvidas.

Assita ao vídeo acima e deixe sua opinião aqui no blog: vamos dar conta do recado em 2014?

27 de abr. de 2009

Gripe suína: melhor evitar Brasília por esses dias


Acordei hoje e o noticiário bombardeando: gripe suína!

Devo ter ouvido algo a respeito, lido em algum lugar, mas como surge uma gripe da noite pro dia?

Mais curioso ainda: a epidemia tornou-se notícia, de uma só vez, no mundo todo. Como pode? Alguém saberia me explicar?

Agências europeias estão implorando para que seus cidadãos não viajem aos EUA e nem ao México (focos de incidência da gripe). Idem no Japão. Na Espanha, ainda há pouco, a confirmação de um caso da doença veio a público.

Tenho um lombo congelado no freezer de casa. Pelo menos, segundo o Ministério da Saúde, não há nenhum risco de se pegar a tal gripe através da ingestão de carne de porco. Encontrei uma reportagem na Veja que esclarece um pouco mais. Clique aqui para ler.

Segundo li também, a transmissão do vírus é feita pelo ar ou por fluidos de pessoas contaminadas.

Ah, não pega de animais não. Mas em todo caso é sempre melhor evitar Brasília em tempos assim. Vai saber como anda a situação do chiqueiro do planalto central.

26 de abr. de 2009

Cuidado com o que deseja (ou o orçamento da Câmara pode ir pro espaço)

Já tem alguns colegas tirando sarro da nova empreitada do nosso querido Rubens Barrichello: o piloto da Brawn GP acaba de comprar uma passagem para ir ao espaço. (leia mais em http://is.gd/uyFE)

Isso mesmo. Rubinho viajará na companhia do lendário Nick Lauda a bordo de uma aeronave da Virgin, companhia aérea britânica e também patrocinadora da equipe de Rubens.

O preço da brincadeira? US$ 200 mil. Caro? Barato? Sei lá! Quem sou eu pra dizer como o Rubinho deve ou não gastar seu dinheiro?

Aliás, querem minha opinião? Acho que tem mais de ir mesmo. Quem, afinal, não se deleitaria com uma viagem tão especial? Quem não gostaria de, embasbacado, deixar cair o queixo e, sem perceber, repetir a imortal frase do astronauta russo Yuri Gagarin (1961): "A Terra é azul!"?

O ruim não é como ou quanto o Barrichello gasta seu dinheiro com passagens, aéreas ou espacias. O pior é como nós, contribuintes brasileiros (o Rubinho tem residência fixa em Mônaco, logo não contribui aqui no Brasil), gastamos nossos suados reais em passagens. Não! Não a minha nem a sua viagem de férias. Estou falando da conta que pagamos, via impostos, para a TAM, Gol, Varig etc. pelas viagens dos nobres deputados federais, suas esposas, amantes, filhos, amigos, comparsas.

A gente vive fazendo piada, o Rubens já é vítima antiga. Afinal, não basta estar na F1 há tantos anos. Tem de ser campeão. O resto não vale. Ah... aqueles dois vice-campeonatos na Ferrari em 2002 e 2004? Não quer dizer nada! Será mesmo?

Será que é motivo de piada quem terá o privilégio de ver a Terra do espaço e mora em Mônaco ou quem reside aqui no Brasil, viaja de avião de vez em quando (digo por conta própria, bancando a família toda nas férias), e ainda tem de aturar (e patrocinar) benesses e mordomias, Paris e Nova Iorque, sacanagens e sem-vergonhices dos chamados "representantes do povo"?

A coluna do Diogo Mainardi na Veja de hoje é bem providencial: "Vamos cair fora". Acesse http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/290409/mainardi.shtml. Vale a pena conferir.

Penso que a pontaria das candinhas deveria apontar para outro lado. Pois se ainda não perceberam, a mira está bem no meio de suas cabeças.

Mas cuidado com seus desejos. Eles podem se tornar realidade. Já pensou você, no momento de raiva e desespero, gritar para os deputados em alto e bom tom: VÃO TODOS PRO ESPAÇO! Aí haja verba pública, hein!?

23 de abr. de 2009

Coaduna ou não coaduna? Dê sua opinião



texto: Rodrigo Marques Barbosa

O pau quebrou hoje (22) no Supremo Tribunal Federal. Não vou me ater aqui ao mérito da discussão, até porque não domino o assunto. Mas tenho de chamar a atenção para algo inusitado: assistir aos egrégios ministros perdendo a habitual compostura e diplomacia é algo que não tem preço (veja o vídeo acima no youtube).

Gilmar Mendes, presidente da Casa, e o ministro Joaquim Barbosa trocaram farpas. Fiquei de cabelo em pé (o ministro Gilmar nem tanto, pois lhe falta uma robusta cabeleira), quando meu parente Barbosa (ops, brincadeirinha) disse mais ou menos assim: "Se o senhor (Gilmar Mendes) pensa que está falando com seus capangas de Mato Grosso, está enganado". Ô louco!

A discussão só não ganhou mais corpo porque o ministro Marco Aurélio (de quem sou fã de carteirinha) soltou a seguinte pérola: "Creio que a discussão está descambando para um campo que não se coaduna com a liturgia do Supremo". Gente, que frase é essa!? E não é só o conteúdo da frase, mas a entonação, a postura da voz do ministro que me inspiram.

Para saber mais sobre o episódio, clique aqui e leia a reportagem no Estadão.

A propósito, não conhecia o verbo 'coadunar'. Fui descobrir que quer dizer harmonizar, estar no lugar adequado. Clique aqui para saber mais.

Mais uma coisa. Tenho de confessar que sou assíduo telespectador da TV Justiça. Pasmem, mas é vero. Aliás, quando há sessões do STF, aproveito para tirar algumas aulas de retórica, português, pra não dizer o poder de argumentação dos caras, digo os ministros.

De todo jeito, fiquei pensando cá comigo mesmo: a escultura "A Justiça", obra de Alfredo Ceschiatti (foto abaixo), deve ter tremido na base hoje. Só não passou mais vergonha porque usa uma venda infalível. Sorte a dela. Azar o nosso.

19 de abr. de 2009

Apenasmente por isso


Inspirei-me na epígrafe de "Sagarana", obra de João Guimarães Rosa, panteão do neologismo, para batizar este blog:

 

"Lá em cima daquela serra, passa boi, passa boiada, passa gente ruim e boa, passa minha namorada."

 

No uso popular, a expressão 'passa boi, passa boiada' enseja um certo caráter relaxado e negligente, característica atribuída sobretudo a políticos, alguns empresários, oportunistas, gatunos, enfim toda a turma do 'opa lelê'.

 

Guimarães Rosa, não. O mestre utilizou a expressão para introduzir o leitor aos elementos centrais do livro: Minas Gerais, sertão, bois, vaqueiros e jagunços, o bem e o mal.

 

Esse é o tom que pretendo dar ao blog: tanto tratar do descaso de uns, quanto do poético, do sertanejo (sou rio-pretense, lembra?) de outros. Fazer arder a dicotomia e, na sua agudez intrínseca, fazê-la revelar-se. Ou romper-se de vez.

 

Não mais que isso. Nem menos. Ou, como diria Rosa, apenasmente.

 

Leia mais sobre 'Sagarana' aqui.

18 de abr. de 2009

Ufa! Até que enfim...

Desnecessário comentar:

Por consequência:














E o outro lado:

9 de abr. de 2009

Nostalgia tributária

por Rodrigo Marques Barbosa

Dias atrás, estudando com meu filho de 11 anos, na véspera de sua prova de Geografia, me deparei com uma das definições que mais marcaram minha época ginasial: "o que é uma ilha?".

A frase "ilha é uma porção de terra cercada..." (já conhece, né?) ficou na minha mente a tarde toda, quando me lembrei de um post publicado aqui no blog (Enquanto isso, na Sala de Justiça...), em que falo sobre a sonegação de impostos pela dona da Daslu.

"Mas e aí? Aonde ele quer chegar?", você deve estar se perguntando.

A relação é a seguinte. Do livro de Geografia do meu filho e do post sobre a Daslu, me ocorreu uma ótima definição para a classe média brasileira, cada vez menor, mais isolada, quase que uma ilha perdida no oceano demográfico brasileiro.

É verdade que o total de impostos arrecadados no Brasil no primeiro trimestre de 2009 diminui quase 20%, mas se analisada no longo prazo, a curva nos últimos 20 anos é ascendente e tende para patamares mais altos.

Com isso, sugiro uma nova definição para a sua, a minha, a nossa classe média: uma porção de contribuintes assalariados esfolados por impostos por todos os lados.

Do jeito que as coisas vão, essa ilha some logo, logo.