
Dow Jones em 11 de setembro de 2009: 9.605 pontos (clique para ver)
Você acredita em coincidência?

Uma inusitada mas bem-vinda decisão da Anatel lavou minha alma hoje: a Telefónica está impedida (mesmo que temporariamente) de vender novas assinaturas do seu serviço de internet Speedy.


Isso mesmo. Rubinho viajará na companhia do lendário Nick Lauda a bordo de uma aeronave da Virgin, companhia aérea britânica e também patrocinadora da equipe de Rubens.
O preço da brincadeira? US$ 200 mil. Caro? Barato? Sei lá! Quem sou eu pra dizer como o Rubinho deve ou não gastar seu dinheiro?
Aliás, querem minha opinião? Acho que tem mais de ir mesmo. Quem, afinal, não se deleitaria com uma viagem tão especial? Quem não gostaria de, embasbacado, deixar cair o queixo e, sem perceber, repetir a imortal frase do astronauta russo Yuri Gagarin (1961): "A Terra é azul!"?
O ruim não é como ou quanto o Barrichello gasta seu dinheiro com passagens, aéreas ou espacias. O pior é como nós, contribuintes brasileiros (o Rubinho tem residência fixa em Mônaco, logo não contribui aqui no Brasil), gastamos nossos suados reais em passagens. Não! Não a minha nem a sua viagem de férias. Estou falando da conta que pagamos, via impostos, para a TAM, Gol, Varig etc. pelas viagens dos nobres deputados federais, suas esposas, amantes, filhos, amigos, comparsas.
A gente vive fazendo piada, o Rubens já é vítima antiga. Afinal, não basta estar na F1 há tantos anos. Tem de ser campeão. O resto não vale. Ah... aqueles dois vice-campeonatos na Ferrari em 2002 e 2004? Não quer dizer nada! Será mesmo?
Será que é motivo de piada quem terá o privilégio de ver a Terra do espaço e mora em Mônaco ou quem reside aqui no Brasil, viaja de avião de vez em quando (digo por conta própria, bancando a família toda nas férias), e ainda tem de aturar (e patrocinar) benesses e mordomias, Paris e Nova Iorque, sacanagens e sem-vergonhices dos chamados "representantes do povo"?
A coluna do Diogo Mainardi na Veja de hoje é bem providencial: "Vamos cair fora". Acesse http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/290409/mainardi.shtml. Vale a pena conferir.
Penso que a pontaria das candinhas deveria apontar para outro lado. Pois se ainda não perceberam, a mira está bem no meio de suas cabeças.
Mas cuidado com seus desejos. Eles podem se tornar realidade. Já pensou você, no momento de raiva e desespero, gritar para os deputados em alto e bom tom: VÃO TODOS PRO ESPAÇO! Aí haja verba pública, hein!?




Inspirei-me na epígrafe de "Sagarana", obra de João Guimarães Rosa, panteão do neologismo, para batizar este blog:
"Lá em cima daquela serra, passa boi, passa boiada, passa gente ruim e boa, passa minha namorada."
No uso popular, a expressão 'passa boi, passa boiada' enseja um certo caráter relaxado e negligente, característica atribuída sobretudo a políticos, alguns empresários, oportunistas, gatunos, enfim toda a turma do 'opa lelê'.
Guimarães Rosa, não. O mestre utilizou a expressão para introduzir o leitor aos elementos centrais do livro: Minas Gerais, sertão, bois, vaqueiros e jagunços, o bem e o mal.
Esse é o tom que pretendo dar ao blog: tanto tratar do descaso de uns, quanto do poético, do sertanejo (sou rio-pretense, lembra?) de outros. Fazer arder a dicotomia e, na sua agudez intrínseca, fazê-la revelar-se. Ou romper-se de vez.
Não mais que isso. Nem menos. Ou, como diria Rosa, apenasmente.
Leia mais sobre 'Sagarana' aqui.


by Rodrigo Marques Barbosa
Freud postulated in his works that all figures of authority in our lives are the representation of our own fathers transvested.
We can say that the leader of the nation where we live – being the president, the prime minister, the king, the dictator – is one of those figures of authority.
A not-well-resolved relationship with our parents and, by inference, with other individuals who exercise authority over us (including bosses and the police) can leave indelible trauma in our lives (citing Freud again).
Having said that, I wonder how Italians are dealing with their leader’s recent rhetorical abuse. Italian prime minister Silvio Berlusconi has shown the world once again his arrogance during the G20 meeting, which brought together world leaders earlier this month in London.
There were several recent episodes in which Berlusconi broke the protocol, committed gaffes and disrespected the world by mocking on nations’ representatives. What do Italians have to say about their prime minister’s behavior? After all, by analogy to Freud’s theory, it is something like watching your own father being rude and mean to the entire neighborhood.
Even the queen of England, Elisabeth II lost her temper with Berlusconi. She jumped out of the chair when the Italian prime minister started yelling to greet (by far) the U.S. president, Barack Obama. “What is it? Why does he have to shout?”, she said, shrugging her shoulders.
The next day was not very different. Continuing with the agenda, the world leaders headed to Strasbourg, France. Germany’s chancellor Angela Merkel, one of the hosts of the event, was welcoming the VIP guests on a red carpet. When Berlusconi arrived, he got off the car speaking on his mobile. He then ironically waved to Merkel, turned his backs to her and kept his phone conversation for more than 30 minutes. The meeting started without Italy’s representative. I wonder if Berlusconi suffered from maternal rejection and now is trying to compensate this lack by repeating the same pattern of his childhood.
Besides all issues we already have to face in our everyday’s lives, we still have to put up with the tyranny of the leader of one of the richest nations on Earth. And as I said, the issue is not about Berlusconi’s individual attitudes, but the collective representation of his acts. After all, it is like Italy was mocking on the rest of the world, isn’t it? Would that be the real desired manifestation of the Italian people?
My ultimate anger and the motivation to write this article was Berlusconi's express refusal of the aid offered by several countries to the victims of the earthquakes that have shaken Italy in the last two days.
Okay, I agree that if there is no need for help yet, then those who want to help must direct their efforts to the people who really need help. But what did bother me was Berlusconi’s rhetoric speech. Take a look at his recent statements:
"Italy is alone capable of dealing with the demands." (Would this be a remnant of his pre-infancy, when his mother neglected him with attention?)
"We are a proud people. Thank you, but we are self-sufficient." (Ditto)
Berlusconi said today that 30 million Euros will be directed to help the earthquake victims. But he said later that he will request several hundred million Euros to the European funds.
So will they need help or not? It beats me.


por Rodrigo Marques Barbosa
Freud já postulou que todas as figuras de autoridade são a representação da nossa própria figura paterna travestida.
Podemos dizer que o líder da nação onde vivemos, seja o presidente, o primeiro ministro, o rei, o ditador, é uma dessas figuras de autoridade.
Uma relação não bem resolvida com nossos pais e, por inferência freudiana, com os demais sujeitos que exercem autoridade sobre nós (chefes e policiais inclusive) pode deixar traumas indeléveis em nossa existência.
Pois é aí que entra minha indignação com o abuso retórico de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano. Comecei a notar sua petulância ao acompanhar o noticiário sobre o encontro do G20, que reuniu os principais líderes mundiais em Londres no início do mês.
Houve vários episódios em que Berlusconi quebrou o protocolo, cometeu gafes e desrespeitou a todos ao desdenhar dos representantes ali reunidos. Me pergunto sobre como os italianos estão reagindo perante o comportamento de seu primeiro-ministro. Afinal, seguindo o raciocínio freudiano, é como se eles (italianos) vissem seu próprio pai sendo grosso e mal-educado com a vizinhança inteira.
A própria rainha da Inglaterra, Elisabeth II, não se conteve em sua natural discrição britânica e, ao se assustar com um grito de Berlusconi cumprimentando (de longe) o presidente americano, Barack Obama, pulou da cadeira e falou em não alto e bom tom: “por que gritar tanto assim?”.
Como se não bastasse, no dia seguinte, já na cidade de Estrasburgo, na França, o italiano (de extrema direita) deixou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, uma das anfitriãs do evento, desconcertada. Merkel recepcionava, sobre tapete vermelho, os líderes que chegavam de carro para a reunião. Na vez de Berlusconi, ele desceu do carro falando ao celular, acenou ironicamente para Merkel, virou as costas e continuou sua conversa por mais de 30 minutos. Tiveram de começar a reunião sem a presença do italiano. Será que o manda-chuva da terra de Dante sofreu rejeição materna e agora tenta compensar tal carência repetindo o mesmo padrão de sua infância?
Já não bastassem os desaforos a que estamos sujeitos no dia-a-dia, ainda temos de presenciar o líder de uma das nações mais ricas do planeta fazendo desaforos em público. A questão não é a atitude individual de Berlusconi, mas sim a representação coletiva de tudo isso. Afinal, é como se a Itália desdenhasse do resto do mundo. Ou não é? E mais, será que é esse o desejo de manifestação do povo italiano?
A gota d’água para minha indignação e que me levou a escrever este artigo foi a recente recusa expressa de Berlusconi da ajuda oferecida por outros países às vítimas dos terremotos que abalaram a Itália nesta semana.
Tudo bem, concordo que se não há ainda necessidade de ajuda, é melhor mesmo a ajuda possa ser direcionada a quem realmente precisa. Mas o que me incomodou foi, na verdade, a retórica do italiano. Senão, veja as suas declarações na imprensa:
“A Itália é capaz de responder sozinha às exigências." (Seria esse um resquício de sua pré-infância, quando sua mãe não lhe dava a devida atenção?)
"Somos um povo altivo. Agradeço, mas somos suficientes sozinhos." (idem)
Berlusconi disse na terça-feira (7) que 30 milhões de euros serão utilizados para socorrer os desabrigados. Porém, ele afirmou que posteriormente será feito um pedido aos fundos europeus que pode chegar a algumas centenas de milhões de euros.
Ué? Então quer dizer que vai precisar de ajuda? Vai entender.

foto: Agência Estado
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