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18 de set. de 2009

Coincidência? Índice Dow Jones idêntico nos dias 11 de setembro de 2001 e de 2009


Dow Jones em 11 de setembro de 2009: 9.605 pontos (clique para ver)



Você acredita em coincidência?

Será que as coisas acontecem por acaso ou são guiadas pela ordem que há no caos do Universo?

Eu, particularmente, não acredito em coincidência. Acredito que há uma correspondência de fatos, uma equação infinita de trocas de energia que culminam no desenrolar das coisas. No microcosmo, seria, do meu ponto de vista, uma cadeia de acontecimentos resultante de pensamentos e ações individuais. No macrocosmo, de pensamentos e ações coletivas.

Divagações à parte, coincidência ou não, é fato que o índice Dow Jones, principal indicador da bolsa de valores de Nova Iorque, registrou a mesma marca no fatídico 11 de Setembro (2001) e, pasmem, no 11 de setembro de 2009: 9.605 pontos.

Independentemente das crenças, das teorias, do que quer que seja que você ou eu pensamos sobre a existência ou não das coincidências (esse tema daria não apenas um post, mas sim um livro, no mínimo), é de arrepiar a constatação dessa identicidade numérica na maior bolsa de valores do mundo.

Penso que a mensagem que o Universo quer nos passar é muito simples: oito anos após a catástrofe em Manhattan, nada mudou. A ganância do atual sistema de trocas de riquezas continua. A essência do ser humano é a mesma. Mesmo com tamanho susto do 11 de Setembro, continuamos a cometer os mesmos erros: visão de curto prazo, pragmatismo sócio-econômico, lei da vantagem e por aí afora.

Talvez este seja o momento ideal para, mais uma vez, refletirmos sobre nossas ações, desde as mais insignificantes, como o cuidado com o lixo em casa, até o consumo consciente, o respeito ao próximo, a cordialidade no relacionamento com o outro, o amor pela vida.

Quando pequeno, lembro-me de meu pai me dando uma lição. A história dizia que um cavalo selado passa apenas uma vez na nossa frente. E que não devemos, portanto, desperdiçar a oportunidade.

Concordo com ele. Mas será que a nossa consciência coletiva está pronta para isso? Pronta para as oportunidades de fazer um mundo melhor?

Ah... como eu queria ter essas respostas.

22 de jun. de 2009

Telefónica nunca mais


Uma inusitada mas bem-vinda decisão da Anatel lavou minha alma hoje: a Telefónica está impedida (mesmo que temporariamente) de vender novas assinaturas do seu serviço de internet Speedy.

Já não sou cliente da Telefónica há anos. Antes mesmo de existirem serviços de banda larga de internet, já havia cancelado uma linha de telefone nos idos de 2000 e me comprometido a nunca mais ser cliente deles.

A falta de respeito na central de atendimento, o descaso com minhas reclamações, os valores cobrados a mais, a arrogância dos executivos em entrevistas na imprensa, enfim, sofri na mão deles e, como não sou masoquista, caí fora sem titubear.

Uma vez, num processo seletivo para um novo emprego em São Paulo, quase fui desclassificado porque a empresa contratante identificou um apontamento no meu nome na Serasa. Fui investigar o que era (afinal, não tinha a mínima ideia do que poderia ser). Descobri que a Telefónica havia negativado meu nome em razão de alguns reais que ficaram em aberto após a data do meu cancelamento da linha em 2000.

Detalhe: eles nunca me informaram que havia tal saldo em aberto, não me comunicaram o envio dos meus dados para a Serasa e, pasmem, quando lhes contatei para acertar a ‘dívida’ de poucos reais e solicitar que meu nome fosse excluído do cadastro de maus pagadores imediatamente, eles fizeram corpo mole, não se prontificaram a resolver o meu problema e ainda se defenderam dizendo que o interesse era meu, logo, eles apenas seguiriam os procedimentos internos para verificar o ocorrido.

Felizmente, consegui o emprego: a empresa compreendeu a situação e me deu o tempo necessário para achar uma solução.

Sei que minha revolta contra eles, Telefónica, não lhes faz nenhuma cócega. Mas me sinto aliviado ao ver o vexame pelo que estão passando hoje. Afinal, tem coisa pior do que alguém lhe impedir de vender seus produtos e serviços?

Já pensou o dono da barraca de ovos da feira aqui do bairro ser interpelado pela Vigilância Sanitária e proibido de vender suas cartelas por conta de suspeita de contaminação dos ovos? O que ele, feirante, teria a dizer a seus filhos e a seu travesseiro quando chegasse em casa à noite?

Pois é isso que falta à Telefónica: vergonha na cara, consciência e dignidade.

Telefónica nunca mais.

A propósito 1: Desde 2000 sou cliente Embratel e Net. Estou feliz e recomendo.

A propósito 2: Enquanto escrevo este post, vejo o SP TV e me deparo com a seguinte notícia: “Mesmo impedida, Telefónica continua vendendo Speedy”. Bem a cara da empresa mesmo.


Montagem: 'Passa boi, passa boiada'

--

Leia outras da série 'nunca mais':

Oi: portabilidade com a porta na cabeça
Livrai-me de todos os males, inclusive da Livraria Saraiva

15 de mai. de 2009

Nuvem de palavras



Tem um blog, um site, um documento? Quer saber quais palavras aparecem com mais frequência, destaque etc.?

Acesse http://www.wordle.net/ e divirta-se!

Essa aí de cima é a nuvem deste blog.

30 de abr. de 2009

2009: O Ano do Boi




Não sabe seu signo chinês? Clique aqui e descubra!

Fã de astrologia (e também em homenagem ao título do blog), pensei ser interessante fazer o registro: o ano de 2009 é regido pelo signo do Boi, no horóscopo chinês. A regência teve início em 26 de janeiro último e vai até 13 de fevereiro do ano que vem.

O Boi, equivalente ao Touro no Zodíaco, ambos de elemento terra, representa em linhas gerais a segurança material, a tenacidade, a perseverança, a solidificação.

Mas, como tudo onde há luz, há sombra também: mesquinharia, insistência, teimosia, falta de mobilidade.

Imaginem um boi ou um touro na arena. Nervoso e teimoso, o bicho só vê o vermelho do manto do toureiro. E é sua própria insistência e cegueira que lhe custam a vida: o toureiro, mais uma plateia ávida por sangue, riem do animal que, apesar de sua vantagem física, sucumbe ao tecido escarlate e é morto pelo punhal.

Como tudo na vida, o equilíbrio é a melhor alternativa. Como me disse um sábio senhor uma vez, o equilíbrio deve imperar. Concessões, seguidas de atitudes radicais, devem ser dadas quase que nunca na vida. Calma! Não estou aqui advogando a própria teimosia em si. Mas sim o direito divino de optar pelas suas próprias convicções. E não as dos outros, seja da sociedade, do pai, da mãe, do padre, do professor, do chefe, do vizinho.

Leia aqui a previsão completa para o Ano do Boi: "Horóscopo Chinês 2009: Ano do Boi", por Teresa Kam Teng, site 'Somos Todos Um"

Veja alguns trechos do artigo:

* "Este será um ano de crescimento lento em busca da estabilidade. Será necessário muito trabalho, perseverança e responsabilidade e o sucesso será mais facilmente alcançado através de métodos convencionais e tradicionais.
* Tempo para deixar a preguiça de lado, ser determinado, prático e sair em busca dos seus objetivos. Não perca tempo com devaneios, amenidades ou subterfúgios; seja mais direto e mantenha o seu foco.
* Tudo deverá ser feito de maneira ordenada e precisa. Aborrecimentos poderão ser evitados com uma atenção especial aos documentos escritos e oficiais. Neste ano poderemos obter o reconhecimento e a clara manifestação de nossas qualidades, sejam elas positivas ou negativas. Momento favorável ao desenvolvimento dos dons artísticos.
* A cooperação, o senso de justiça e a responsabilidade serão valorizados. Devemos evitar a teimosia, a superficialidade e a tendência a aumentar os dramas pessoais. Os conflitos poderão ser evitados com a disposição para o diálogo, a flexibilidade e o bom senso. Será um bom momento para resolver as questões domésticas e afetivas.
* O ano do Boi de Terra favorece a agricultura, o meio-ambiente, os imóveis em geral e tudo que estiver relacionado com a ordem, justiça, autoridade, educação, bens de consumo duráveis e aplicações financeiras seguras e tradicionais."

Pac-man paraguaio e as novas regras do xadrez

          

(Essa imagem aí do bispo acima não é a cara do tiozinho do Pac-man? Isso pra quem brincava com Atari.)

Vocês devem ter acompanhado as últimas notícias sobre os escândalos sexuais do atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Ele está tendo de assumir a paternidade de várias crianças. Os casos têm vindo à tona recentemente.

              
¡Hola! Papa! Mira nosotros!

Mas não estou aqui para falar sobre o famoso comedor paraguaio. E sim sobre as novas regras do jogo de xadrez,  um dos meus passatempos prediletos.

Segundo o Casseta&Planeta, a nova regra é: agora só o bispo come todas (as peças).

:-P

26 de abr. de 2009

Cuidado com o que deseja (ou o orçamento da Câmara pode ir pro espaço)

Já tem alguns colegas tirando sarro da nova empreitada do nosso querido Rubens Barrichello: o piloto da Brawn GP acaba de comprar uma passagem para ir ao espaço. (leia mais em http://is.gd/uyFE)

Isso mesmo. Rubinho viajará na companhia do lendário Nick Lauda a bordo de uma aeronave da Virgin, companhia aérea britânica e também patrocinadora da equipe de Rubens.

O preço da brincadeira? US$ 200 mil. Caro? Barato? Sei lá! Quem sou eu pra dizer como o Rubinho deve ou não gastar seu dinheiro?

Aliás, querem minha opinião? Acho que tem mais de ir mesmo. Quem, afinal, não se deleitaria com uma viagem tão especial? Quem não gostaria de, embasbacado, deixar cair o queixo e, sem perceber, repetir a imortal frase do astronauta russo Yuri Gagarin (1961): "A Terra é azul!"?

O ruim não é como ou quanto o Barrichello gasta seu dinheiro com passagens, aéreas ou espacias. O pior é como nós, contribuintes brasileiros (o Rubinho tem residência fixa em Mônaco, logo não contribui aqui no Brasil), gastamos nossos suados reais em passagens. Não! Não a minha nem a sua viagem de férias. Estou falando da conta que pagamos, via impostos, para a TAM, Gol, Varig etc. pelas viagens dos nobres deputados federais, suas esposas, amantes, filhos, amigos, comparsas.

A gente vive fazendo piada, o Rubens já é vítima antiga. Afinal, não basta estar na F1 há tantos anos. Tem de ser campeão. O resto não vale. Ah... aqueles dois vice-campeonatos na Ferrari em 2002 e 2004? Não quer dizer nada! Será mesmo?

Será que é motivo de piada quem terá o privilégio de ver a Terra do espaço e mora em Mônaco ou quem reside aqui no Brasil, viaja de avião de vez em quando (digo por conta própria, bancando a família toda nas férias), e ainda tem de aturar (e patrocinar) benesses e mordomias, Paris e Nova Iorque, sacanagens e sem-vergonhices dos chamados "representantes do povo"?

A coluna do Diogo Mainardi na Veja de hoje é bem providencial: "Vamos cair fora". Acesse http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/290409/mainardi.shtml. Vale a pena conferir.

Penso que a pontaria das candinhas deveria apontar para outro lado. Pois se ainda não perceberam, a mira está bem no meio de suas cabeças.

Mas cuidado com seus desejos. Eles podem se tornar realidade. Já pensou você, no momento de raiva e desespero, gritar para os deputados em alto e bom tom: VÃO TODOS PRO ESPAÇO! Aí haja verba pública, hein!?

23 de abr. de 2009

Tá passando boi nos quatro cantos do mundo



(atualizado em 25 de fevereiro de 2010)

Para minha surpresa, este blog, apesar de eu ter feito pouca divulgação (como postar links nos sites de redes sociais: orkut, myspace, facebook, twitter e linkedin), recebeu visitas de 64 países de seis continentes (Américas, Europa, África, Oceania, Oriente Médio e Ásia). Além de brasileiros, internautas de países como Austrália, Nova Zelândia, Colômbia, Peru, Chile, Equador, Argentina, Venezuela, Uruguai, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Bahamas, México, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Finlândia, Dinamarca, França, Bélgica, Holanda, Itália, Portugal, Espanha, Áustria, Suíça, Alemanha, Grécia, Polônia, Hungria, Croácia, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Albânia, Angola, Namíbia, África do Sul, Cingapura, Brunei, Egito, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait, Qatar, Turquia, Rússia, Lituânia, Ucrânia, Índia, China, Azerbaijão, Taiwan, Malásia, Nepal, Indonésia, Vietnã, Filipinas e Japão deram sua olhadela em 'Passa boi, passa boiada'.

A imagem acima foi retirada do site que me fornece relatórios dos acessos. Para saber mais sobre o serviço (aliás, gratuito), acesse StatCounter.

Não menos surpreendente, além de São Paulo (onde moro) e São José do Rio Preto (onde nasci), o blog foi visitado por pessoas do interior do estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco, Maceió, Ceará, Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Amazonas, Acre, Rondônia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santos e Rio de Janeiro.

Conforme mostra o gráfico acima, é natural que a grande maioria dos acessos provenha de cidades brasileiras. Mas é notória uma leve vocação do blog para se conectar com internautas no mundo todo. Sobretudo se considerarmos a tenra idade de 'Passa boi, passa boiada': um mês de vida.

Em razão disso, os leitores agora podem, ao clicar do mouse, ler traduzidas as páginas do blog nos seguintes idiomas: chinês, italiano, alemão, francês, japonês, inglês, russo e espanhol. Além do bom e querido português, ora pois.



Moral da história: o grande poder da internet é suprimir fronteiras (guardadas as devidas proporções) e aproximar pessoas dos quatro cantos do planeta. Mas, peraí! Como quatro cantos se a Terra é redonda?

Pois é, a força das expressões idiomáticas não deixa a lógica acontecer às vezes.

19 de abr. de 2009

Apenasmente por isso


Inspirei-me na epígrafe de "Sagarana", obra de João Guimarães Rosa, panteão do neologismo, para batizar este blog:

 

"Lá em cima daquela serra, passa boi, passa boiada, passa gente ruim e boa, passa minha namorada."

 

No uso popular, a expressão 'passa boi, passa boiada' enseja um certo caráter relaxado e negligente, característica atribuída sobretudo a políticos, alguns empresários, oportunistas, gatunos, enfim toda a turma do 'opa lelê'.

 

Guimarães Rosa, não. O mestre utilizou a expressão para introduzir o leitor aos elementos centrais do livro: Minas Gerais, sertão, bois, vaqueiros e jagunços, o bem e o mal.

 

Esse é o tom que pretendo dar ao blog: tanto tratar do descaso de uns, quanto do poético, do sertanejo (sou rio-pretense, lembra?) de outros. Fazer arder a dicotomia e, na sua agudez intrínseca, fazê-la revelar-se. Ou romper-se de vez.

 

Não mais que isso. Nem menos. Ou, como diria Rosa, apenasmente.

 

Leia mais sobre 'Sagarana' aqui.

7 de abr. de 2009

Berlusconi X Freud: is it the mother's fault?


by Rodrigo Marques Barbosa

(Clique aqui para português)

Freud postulated in his works that all figures of authority in our lives are the representation of our own fathers transvested.

We can say that the leader of the nation where we live – being the president, the prime minister, the king, the dictator – is one of those figures of authority. 

A not-well-resolved relationship with our parents and, by inference, with other individuals who exercise authority over us (including bosses and the police) can leave indelible trauma in our lives (citing Freud again). 

Having said that, I wonder how Italians are dealing with their leader
’s recent rhetorical abuse. Italian prime minister Silvio Berlusconi has shown the world once again his arrogance during the G20 meeting, which brought together world leaders earlier this month in London.

There were several recent episodes in which Berlusconi broke the protocol, committed gaffes and disrespected the world by mocking on nations’ representatives. What do Italians have to say about their prime minister’s behavior? After all, by analogy to Freud’s theory, it is something like watching your own father being rude and mean to the entire neighborhood. 

Even the queen of England, Elisabeth II lost her temper with Berlusconi. She jumped out of the chair when the Italian prime minister started yelling to greet (by far) the U.S. president, Barack Obama.
“What is it? Why does he have to shout?”, she said, shrugging her shoulders.

The next day was not very different. Continuing with the agenda, the world leaders headed to Strasbourg, France. Germany’s chancellor Angela Merkel, one of the hosts of the event, was welcoming the VIP guests on a red carpet. When Berlusconi arrived, he got off the car speaking on his mobile. He then ironically waved to Merkel, turned his backs to her and kept his phone conversation for more than 30 minutes. The meeting started without Italy’s representative. I wonder if Berlusconi suffered from maternal rejection and now is trying to compensate this lack by repeating the same pattern of his childhood. 

Besides all issues we already have to face in our everyday
’s lives, we still have to put up with the tyranny of the leader of one of the richest nations on Earth. And as I said, the issue is not about Berlusconi’s individual attitudes, but the collective representation of his acts. After all, it is like Italy was mocking on the rest of the world, isn’t it? Would that be the real desired manifestation of the Italian people? 

My ultimate anger and the motivation to write this article was Berlusconi's express refusal of the aid offered by several countries to the victims of the earthquakes that have shaken Italy in the last two days.

Okay, I agree that if there is no need for help yet, then those who want to help must direct their efforts to the people who really need help. But what did bother me was Berlusconi’s rhetoric speech. Take a look at his recent statements:

"Italy is alone capable of dealing with the demands." (Would this be a remnant of his pre-infancy, when his mother neglected him with attention?) 

"We are a proud people. Thank you, but we are self-sufficient." (Ditto) 

Berlusconi said today that 30 million Euros will be directed to help the earthquake victims. But he said later that he will request several hundred million Euros to the European funds.

So will they need help or not? It beats me.

Berlusconi X Freud: a culpa é da mãe?


por Rodrigo Marques Barbosa

(click here for English)

Freud já postulou que todas as figuras de autoridade são a representação da nossa própria figura paterna travestida.

Podemos dizer que o líder da nação onde vivemos, seja o presidente, o primeiro ministro, o rei, o ditador, é uma dessas figuras de autoridade.

Uma relação não bem resolvida com nossos pais e, por inferência freudiana, com os demais sujeitos que exercem autoridade sobre nós (chefes e policiais inclusive) pode deixar traumas indeléveis em nossa existência.

Pois é aí que entra minha indignação com o abuso retórico de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano. Comecei a notar sua petulância ao acompanhar o noticiário sobre o encontro do G20, que reuniu os principais líderes mundiais em Londres no início do mês.

Houve vários episódios em que Berlusconi quebrou o protocolo, cometeu gafes e desrespeitou a todos ao desdenhar dos representantes ali reunidos. Me pergunto sobre como os italianos estão reagindo perante o comportamento de seu primeiro-ministro. Afinal, seguindo o raciocínio freudiano, é como se eles (italianos) vissem seu próprio pai sendo grosso e mal-educado com a vizinhança inteira.

A própria rainha da Inglaterra, Elisabeth II, não se conteve em sua natural discrição britânica e, ao se assustar com um grito de Berlusconi cumprimentando (de longe) o presidente americano, Barack Obama, pulou da cadeira e falou em não alto e bom tom: “por que gritar tanto assim?”.

Como se não bastasse, no dia seguinte, já na cidade de Estrasburgo, na França, o italiano (de extrema direita) deixou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, uma das anfitriãs do evento, desconcertada. Merkel recepcionava, sobre tapete vermelho, os líderes que chegavam de carro para a reunião. Na vez de Berlusconi, ele desceu do carro falando ao celular, acenou ironicamente para Merkel, virou as costas e continuou sua conversa por mais de 30 minutos. Tiveram de começar a reunião sem a presença do italiano. Será que o manda-chuva da terra de Dante sofreu rejeição materna e agora tenta compensar tal carência repetindo o mesmo padrão de sua infância?

Já não bastassem os desaforos a que estamos sujeitos no dia-a-dia, ainda temos de presenciar o líder de uma das nações mais ricas do planeta fazendo desaforos em público. A questão não é a atitude individual de Berlusconi, mas sim a representação coletiva de tudo isso. Afinal, é como se a Itália desdenhasse do resto do mundo. Ou não é? E mais, será que é esse o desejo de manifestação do povo italiano?

A gota d’água para minha indignação e que me levou a escrever este artigo foi a recente recusa expressa de Berlusconi da ajuda oferecida por outros países às vítimas dos terremotos que abalaram a Itália nesta semana.

Tudo bem, concordo que se não há ainda necessidade de ajuda, é melhor mesmo a ajuda possa ser direcionada a quem realmente precisa. Mas o que me incomodou foi, na verdade, a retórica do italiano. Senão, veja as suas declarações na imprensa:

“A Itália é capaz de responder sozinha às exigências."  (Seria esse um resquício de sua pré-infância, quando sua mãe não lhe dava a devida atenção?)

"Somos um povo altivo. Agradeço, mas somos suficientes sozinhos." (idem)

Berlusconi disse na terça-feira (7) que 30 milhões de euros serão utilizados para socorrer os desabrigados. Porém, ele afirmou que posteriormente será feito um pedido aos fundos europeus que pode chegar a algumas centenas de milhões de euros.

Ué? Então quer dizer que vai precisar de ajuda? Vai entender.

31 de mar. de 2009

Essa imagem é a cara do título do blog!

30 de mar. de 2009

E-mail na empresa: uma coisa, uma coisa; outra coisa, outra coisa



Quem nunca se pegou questionando algumas arbitragens corporativas? Uma delas é o torcer de nariz das empresas (pra não dizer coisa pior, como ‘proibido’) para o uso do e-mail corporativo para fins pessoais.

Há diversas discussões na esfera da ética profissional que pendem, de um lado, para a invasão da privacidade dos funcionários e, de outro, para o mau uso do patrimônio das empresas pelos seus contratados.

Um argumento ligeiramente rebelde, quase que sindicalista, defende que os funcionários teriam o direito constitucional à privacidade, sendo inadmissível às empresas a fiscalização do uso e do conteúdo das mensagens eletrônicas enviadas e recebidas por seus empregados.

As firmas contra-argumentam que o equipamento, o software, a linha de conexão com a internet e, sobretudo, o tempo de expediente dos seus funcionários são, guardadas as devidas proporções, de sua propriedade. Logo, defendem que tudo isso aí deve ser utilizado em prol da realização dos trabalhos. Apenas.

Há empresas que chegam a proibir (literalmente, pois bloqueiam sites e programas) o acesso a msn, orkut, blogs e afins. Outras, mais rígidas, barram por completo a internet. Apenas a intranet (a internet interna, se quiser) é logicamente liberada.

Em pleno século XXI, o leitor há de concordar ser um tanto exagerado o bloqueio à rede mundial de computadores. Afinal, a velocidade da troca de informações, seja entre empresas do mesmo grupo – localizadas em outras cidades, países e até continentes –, fornecedores, clientes e governos, só traz benefícios ao dia-a-dia de todos.

No entanto, falamos aqui de pessoas. E, naturalmente, a sujeição das empresas a abusos por parte dos funcionários é inevitável. Afinal, quando se está no escritório, quem deixa de olhar o orkut, o msn, o site de classificados de empregos, o google (atrás daquela receita de torta de legumes), a sessão do cinema?

Com o perdão do clichê, como tudo na vida, o equilíbrio é sempre a melhor solução. Se, de um lado, as empresas adotarem uma postura mais educativa, ao invés de proibitiva, é bem possível que as pessoas passem a respeitar mais seu próprio horário de expediente, sendo, por consequência, mais produtivas e mais valorizadas. Pois, como é fato, ser tratado com respeito e confiança só gera motivação.

Vale também um comentário pessoal sobre usar o e-mail da empresa para as ‘minhas coisas’. O motivo que me levou a escrever este artigo foi justamente a impossibilidade de resgatar algumas pessoas, lembranças, projetos que ficaram no servidor de alguma empresa em que trabalhei no passado. Ou será que alguém faz backup dos seus e-mails da empresa? Se fosse assim, seria muito mais fácil já utilizar de uma vez por todas o e-mail pessoal. Ainda mais agora que os serviços gratuitos como google, hotmail, ig, yahoo e tantos outros chegam a oferecer 5, 10 e às vezes até mais gigabytes de armazenamento.

Assim, meu caro leitor, a fim de não causar mal-estar com o RH da sua empresa e também não deixar que suas mensagens pessoais evaporem do servidor da firma logo após sua saída, convenhamos: uma coisa, uma coisa; outra coisa, outra coisa (como diz minha amiga Bia Magnani). Não custa nada separar as estações. Use seu e-mail pessoal também na empresa e seja feliz. A não ser, é claro, que a área de TI tenha bloqueado seu acesso à internet. Aí, nesse caso, o melhor é fazer como bem recomendou Manuel Bandeira: vá dançar um tango argentino.

Afinal, em época de vacas magras, não dá pra sair chutando o pau da barraca e trocar ou pelo menos tentar trocar de emprego como se troca de roupa.

A propósito, de onde você está lendo este artigo? Seria do micro do escritório? Sei, sei.

27 de mar. de 2009

Enquanto isso, na Sala de Justiça...

foto: Agência Estado

Esfolados por impostos por todos os lados (pra não mencionar o mau uso do dinheiro público), ainda temos de nos deparar com empresários como a Sra. Eliana Tranchesi, dona da Daslu, famosa outique paulistana. A dondoca fraudou o Erário em mais de R$ 1 bilhão em sonegação fiscal. Mas, foi presa ontem pela Polícia Federal. (leia mais)

A decisão da juíza da 2ª Vara Criminal de Guarulhos/SP lavou a minha alma.

Tudo bem, vá lá, ainda há habeas corpus, apelação etc., mas o fato é que o Judiciário dá sinais de que crimes como esses não mais passarão impunes.

Será que mesmo após tantos indícios, provas e condenações, o crème de la crème das consumidoras frenéticas continuará a frequentar a Daslu?

Aliás, ninguém vai fechar a loja não?

Lula causará incidente diplomático com a Itália? (leia até o fim)

foto: AP

Que ridículo! Em plena Nova Era, o nosso presidente tira da cartola o comentário mais preconceituoso do ano. Pôs a culpa da crise mundial no que ele chamou de "gente branca, de olhos azuis." (leia reportagem completa aqui)

Pior! Cometeu tamanha gafe em plena entrevista coletiva que deu ao lado de Gordon Brown, primeiro ministro britânico. O inglês, desconsertado, saiu pela tangente mudando de assunto imediatamente. O Lula tem muito a aprender ainda.

Já não bastasse o tanto que a humanidade sofreu (e ainda sofre!) com racismo, o nosso presidente fica por aí fazendo apologia ao tema.

Tanta gente competente trabalhando ao redor do mundo para construir um lugar melhor para as futuras gerações, e uns tão à toa, falando de improviso, com total despreparo.

Só falta agora o Lula pôr a culpa das CPIs que sempre terminam em pizza nos italianos.

Gente, chama o síndico!