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1 de dez. de 2009

Meus pitacos preferidos no Twitter



Já que estou há tanto tempo sem atualizar o blog, divido com vocês, incansáveis amigos e internautas, algumas das minhas twitadas preferidas na minha página twitter.com/rodrrigo.

Comentem, critiquem, detonem, aproveitem.

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Um ato falho nunca é falho.

Se chumbo trocado não dói, pra que revidar então?

Não há negligência sem danos.

Pensamento do dia: se toda regra tem uma exceção, e sendo essa uma regra em si, logo há ao menos uma regra no universo que não tem exceção.

Ato-falho não deveria ter esse nome. Mas sim ato-revelação, ato-'me entreguei', ato-ops!, ato-f*deu... :-)

Adoraria ter o Wilson (de House) como meu amigo. Mas já há Wilsons na minha vida. Obrigado, Wilsons!

Gee! No elevador ou se fala do tempo ou de futebol... Nobody deserves it! Campanha Quero Meu Elevador Já!

Voltei ontem de Brasília. Principal reflexão da viagem: impressionante como as aeromoças mexem com o imaginário masculino.

(...) Aliás, o pior da inveja não é invejar o que o outro tem, mas sim desejar que o outro perca o que tem. Affff... Saravá, meu Pai!#inveja

Não sei o que é pior: beber e usar o celular ou beber e usar o twitter.

Já trabalhei em empresas em que, pelas minhas costas, a união fez a forca.

Conjugação do verbo Comprar : Eu compro | Tu compras | Ele compra | Nós compramos | Vós comprais | Eles pagam.

Engordei, não nego. Emagreço quando puder.

Ah! Se eu tivesse ouvido essa frase dita pelo #House num de seus episódios: "Fives marry fives, sevens marry sevens and nines marry nines".

Tava aqui com meus botões: bem que o Bernardinho poderia ser técnico da seleção de futebol. Já pensou?

Hoje, comendo uma pera madura, descobri que a fruta é parente de primeiro grau do figo.

Como era a vida mesmo antes da internet? Ao ar livre...

Queria ter sete vidas. Não pra poder morrer e nascer de novo. Mas pra fazer coisas de modo diferente.

O príncipe do cavalo branco de hoje vem montado num V6. O do cavalo verde, num híbrido. Mas as princesas... essas continuam cor-de-rosa.

Sabedoria não é "não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem", mas sim "faça aos outros aquilo que gostaria que lhe fizessem".

Hj olho p/trás e sei q alguns relacionamentos ñ valiam a pena RT @DrWayneWDyer Anything that keeps you from growing is never worth defending

"Seja quente ou seja frio, senão te vomito". Mas quente sem ferver e frio sem congelar. Equilíbrio ainda é o melhor caminho.

Estais a sós? S.O.S? Se sois os sóis do Universo, sejais sólido e quente e me esquentai também.

Feriado num domingo não adianta nem pra quem trabalha de domingo, o que dizer então pra quem não trabalha de domingo.

A dica da minha nutricionista para comer de 3 em 3 horas é uma delícia: toda vez que vou comer algo lembro que já já vou comer outra vez! ;)

Minha amiga @Lili_Smeke e eu, ontem no #Skye, ficamos a filosofar sobre como teria sido a primeira experiência humana com o mel. Que viagem!

Sou do tipo que, ao chegar num hotel, pergunto: "ate que horas eh servido o cafe", e nao "a partir de que horas..." ;-) Dormir bom D+

Sabe a história do elefantinho que cresce com a pata amarrada ao toco? Pois é, se eu deixasse, Rio Preto se tornava o meu toco.

A vida é mais gostosa com tanino.
"

4 de jul. de 2009

Blogar é como se vestir para uma festa (ou Como Fazer um Blog)


Imagens: Getty Images

Escrever um blog é como se vestir para uma festa. Portanto, capriche. Da mesma forma que faz o cabelo, ajusta o vestido, pinta as unhas, passa maquiagem, compra novos sapatos (nós, homens, apenas vestimos o terno, os sapatos e fazemos a barba), revise, cheque as informações, a gramática, a ortografia e, acima de tudo, seja interessante.

Há milhares de sites e blogs na internet dando dicas sobre a arte de blogar. Uno-me a esse universo e deixo aqui as minhas primeiras impressões após 'Passa Boi, Passa Boiada' ter completado ontem seus primeiros 100 dias de vida.

Em vez de seguir a tradicional receita do "10 dicas de como fazer um blog" (para isso, a internet está abastada de textos mais objetivos e didáticos), listarei em seguida não só as minhas dicas, mas também as minhas primeiras impressões e os aprendizados ao blogar.

Prontos? Então vamos lá:

Ser específico X ser generalista
Ao escolher um tema específico para seu blog (por exemplo, culinária, fotografia, música, marketing, modelismo), suas chances de emplacar são maiores (a depender, é claro, da sua competência e da sua capacidade de ser interessante). Por outro lado, nós não somos só especialistas nesse mundo. Escrever um blog pode ser a sua válvula de escape. O seu diário público. Uma maneira de você reagir ao que acontece no nosso mundo, interior e exterior. Uma frase de José Saramago sintetiza bem tudo isso: "Os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo." Ser generalista ao blogar, no entanto, aumenta ainda mais sua responsabilidade: o dever de ser interessante.

Seus parentes não leem seu blog
Todos nós somos eternas crianças e buscamos aprovação de todas as nossas manifestações. Logo, é natural que queiramos a aprovação (não no sentido de 'ah! que lindo seu blog!', mas na crítica construtiva, na audiência, no olhar) dos nossos parentes. A começar pelos nossos pais, em seguida irmãos, tios, primos etc. Sim, sei que há aí uma certa asa carente, mas esses somos nós: eternos buscadores por aprovação. Mas, sinceramente, com exceção da sua mãe (espero), não espere muitas visitas de seus parentes em seu blog. E viva com isso!

Seus amigos (quase) não leem seu blog
Idem ao item acima, com a exceção de que, como os seus (verdadeiros) amigos não têm a obrigação de ler seu blog (por quê? Os parentes por acaso têm?), é natural que vez por outra eles entrarão e, raramente, postarão um comentário. A parte engraçada é que, com certeza, seus inimigos lerão seu blog. É como aquela célebre frase de Oscar Wilde: "Sempre perdoe seu inimigos, nada lhes incomoda tanto".

Os anônimos é que leem seu blog
Quem realmente lê seu blog é aquele internauta anônimo (pode até ser uma celebridade). Ele encontra seu blog, e não o contrário. Darei dicas mais à frente sobre como divulgar seu blog.

Dê feedback e passe longe da censura
Mais importante do que ter gente lendo seu blog é interagir com quem entra lá e deixa comentários. Por isso, procure responder a todos os comentaristas, nem que for para apenas agradecer. E, é claro, não censure, delete ou repreenda um comentário. O máximo que você pode (e deve) fazer é apagar algo que seja de alguma forma ofensivo, ilegal ou simplesmente spam.

Tamanho faz diferença
Só que nesse caso, quanto menor, melhor. Sempre que possível, procure escrever textos razoavelmente curtos (o que não é o caso deste aqui). Isso reterá mais atenção de seus leitores. Mas se você já chegou até este ponto, é porque está gostando do texto. :-)

Ilustre
Lance mão de imagens para ilustrar seus textos. Isso faz com que seus leitores façam mais associações, sinapses, reflexões. E isso os cativará. O Google Images e o Getty Images estão repletos de imagens. Procure apenas citar a fonte, é claro.

Seja assíduo
Escreva pelo menos uma frase por semana no seu blog. É importante manter o ar de novidade. Outra dica também é vez por outra alterar a imagem (se tiver uma) que encabeça sua página.

Cuide do nosso vernáculo
Parece até redundante essa dica, mas você pode se espantar com tanta incompetência gramatical, ortográfica e de estilo que assombra alguns blogs. Por isso, revise aquele velho livro de português e cuide do seu texto. O português tem de ser impecável. Não há outra escolha.

Aponte links
Vai citar Einstein ou Modigliani em seu texto? Inclua um link para essas referências. Além de ser conveniente ao seu leitor, fará com que seu blog apareça muito mais em resultados de pesquisa no Google. Uma dica é apontar o link da sua referência no Wikipedia.

Ouça o que está dentro de você
Preste atenção aos insights que tem ao longo do dia (e da noite). Geralmente, eles te levam aos seus melhores textos. Se puder, ao ter um deles, levante-se e escreva na hora.

Aprenda com o outro
Leia, comente, aprecie outros blogs. Além de ser um ótimo aprendizado sobre como blogar (afinal, a comparação com o outro é que nos faz ter noção do tamanho da nossa aberração ou beleza), ler outros blogs faz com que você se sinta parte do todo, da pulsação cibernética, do mundo que acontece ao nosso redor.

Sinta o blogar


Nesses 100 dias blogando, são essas as minhas sensações ao escrever para o mundo:
  • Responsabilidade: vigiar o que manifesto;
  • Participar do mundo: sentir-me vivo e incluído;
  • Produtividade: manter a cuca funcionando e produzindo;
  • Propriedade: o blog é meu, obra minha, dá orgulho!;
  • Ser formador de opinião: saber que influenciei (bem ou mal) quem lê meus textos;
  • Ser jornalista e reportar ao mundo: estar atento aos fatos e dividir.
Divulgue seu blog

No meio de quase 10 bilhões de páginas na internet, ninguém vai saber do seu blog a não ser que você o divulgue. Há várias formas de divulgá-lo. Vou citar as quem vêm dando certo no meu caso. Mas cada caso é um caso. Veja abaixo algumas sugestões:

AddThis: inclua um link para seus leitores compartilharem os textos que você escreve. Pode não trazer visitantes imediatamente, mas faz um bom trabalho para se ter "share-of-mind".

Use e abuse das redes sociais: Facebook, Twitter, Orkut, MySpace, LinkedIn, Plaxo, Flickr, SlideShare e por aí vai (clique nos links para visitar meus perfis).

Só para se ter uma ideia, o LinkedIn traz 85% dos visitantes de Passa Boi, Passa Boiada. Quase todas as minhas postagens divulgo no LinkedIn. Isso fez com que gente de mais de 50 países tenha visitado o blog.

Conheça seu leitor
Tenha instalado um contador de acessos. O que eu uso é o Stat Counter, gratuito e dá vários detalhes sobre quem, quando, como e de onde suas visitas são oriundas. Ao estudar os relatórios de visitas em seu blog, você terá mais noção sobre quais posts tiveram mais interesse, quais quase não receberam visitas, a frequência com que as pessoas voltam ao seu blog, quanto tempo elas ficam na sua página etc.

Espero ter ajudado. Se você tem mais dicas, divida aqui deixando seu comentário.

15 de jun. de 2009

Twitter e Ahmadinejad: Um marco na história das comunicações



Foi um tweet que levou ao mundo, nesse último fim de semana, a notícia da confirmação da vitória de Ahmadinejad nas eleições presidenciais do Irã.

Com isso, um marco importante na história das comunicações ganha vida: pela primeira vez, uma notícia de importância internacional foi dada pela Internet, em primeira mão, por pessoas, indivíduos, internautas, anônimos ou não. Para ser mais específico, pelo Twitter.

Chega a vez em que a nova mídia bate a velha mídia. E quem mais sentiu o golpe foi a americana CNN, que detém (ou detinha) a reputação de sempre dar notícias com exclusividade, como por exemplo o 11 de Setembro, a operação Tempestade no Deserto, entre outras. (Veja mais no site do Mashable, em inglês)

As vias tradicionais de divulgação de notícias, sejam elas os maiores jornais do mundo e seus sites, agências de notícias, rádios e televisões levaram do Twitter, usando o jargão jornalístico, um inusitado furo de reportagem.

Por mais irrelevante que o fato de a velha mídia perder para a nova possa parecer, trata-se de um fenômeno que certamente mudará (e já está mudando) a forma como as pessoas se comunicam.

Trata-se ainda de um movimento nunca antes visto pela humanidade: a capacidade de qualquer pessoa, em virtualmente qualquer lugar, poder gerar notícias, conteúdo e tudo o mais que possa interessar a uma terceira parte, independentemente do lugar de onde esta esteja recebendo a informação.

Não só as empresas de comunicação, mas também qualquer empresa ou organização -- grande, média ou pequena -- deverão se preparar para essa mudança e se dedicar a uma reflexão de como isso poderá impactar suas estratégias de negócios.

Cada vez mais, o boca-a-boca, o tweet-a-tweet terão peso em escala nas decisões de compra, na formação de opinião, na percepção de marcas por parte de consumidores em todo o mundo.

É certo que aqueles que puderem vislumbrar esse futuro e antecipar tendências e direções sairão na frente nessa nova corrida cibernética.

Ainda há muito mais por vir. Afinal, a velocidade da luz já está mesmo ficando para trás.

Preparemo-nos para a Nova Era. E que ela seja muito bem-vinda.

6 de mai. de 2009

Da denotação à conotação no Twitter


Ufa! Que alívio. Parece que o pessoal não está mais levando tão ao pé da letra a frase no twitter: 'What are you doing?'.

Faz já um tempinho que não vejo mais updates do tipo:

'@fulano estou comendo uma torta de banana'.

'@sicrano vou lavar meu carro'.

'@beltrano comprei uma bolsa nova'.

E eu: '@rodrrigo zzzzzzzzzzzzz'.

A propósito, como já até comentei em outro post aqui no blog, fiquei supreso com o movimento coletivo no twitter durante a Virada Cultural em São Paulo.

Pelo jeito, o passarinho vai tomar conta mesmo.

E você? O que acha?


5 de mai. de 2009

Será mesmo que seus "updates" são lidos no Twitter?


Estou aqui matutando com meus botões sobre o quanto de gás o pessoal vai ter para digerir o Twitter, o mais recente fenômeno da internet no mundo.

Quanto ao seu sucesso, nem questiono mais. Cheguei até a escrever uma crônica sobre o assunto em "Twitter: uma biografia não autorizada", onde numa espécie de realismo fantástico tento narrar um pouco do ponto de interrogação que o 'passarinho' coloca na nossa testa.

Mas após algumas semanas de experiência de uso do Twitter, posso dizer que a ferramenta veio para ficar.

Só uma coisa tem me incomodado. Como se pudesse ser diferente, o indicador de sucesso de quem usa o bicho tem sido o número de seguidores que cada twitteiro consegue amealhar. Mas é aí que entra, na minha modesta opinião, o grande dilema.

O barato de twittar é justamente interagir com seus 'followers' e 'followings' a fim de intercambear dicas, informações, trocar mensagens, atualizar o status de um projeto, evento etc.


Tanto é que a Virada Cultural em São Paulo, ou #viradacultural -- como o pessoal twittou no último fim de semana -- foi um grande laboratório para experimentação do twitter. A interação entre veículos de comunicação e seus leitores ou ouvintes foi tamanha que acabou por gerar uma espécie de 'agendona' geral do evento.

Para não me estender mais, só quero perguntar: de que vale ter mil, dois, três mil seguidores ou até mais, se não há interação entre as partes?

Ou será que o pessoal que sai adicionando pessoas à sua rede no Twitter pensa mesmo que os outros vão ler seus updates?

Está aí a questão: contribua com seus comentários.

A propósito, estou twittando em @rodrrigo. Seja bem-vinda(o)!


23 de abr. de 2009

Tá passando boi nos quatro cantos do mundo



(atualizado em 25 de fevereiro de 2010)

Para minha surpresa, este blog, apesar de eu ter feito pouca divulgação (como postar links nos sites de redes sociais: orkut, myspace, facebook, twitter e linkedin), recebeu visitas de 64 países de seis continentes (Américas, Europa, África, Oceania, Oriente Médio e Ásia). Além de brasileiros, internautas de países como Austrália, Nova Zelândia, Colômbia, Peru, Chile, Equador, Argentina, Venezuela, Uruguai, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Bahamas, México, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Finlândia, Dinamarca, França, Bélgica, Holanda, Itália, Portugal, Espanha, Áustria, Suíça, Alemanha, Grécia, Polônia, Hungria, Croácia, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Albânia, Angola, Namíbia, África do Sul, Cingapura, Brunei, Egito, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait, Qatar, Turquia, Rússia, Lituânia, Ucrânia, Índia, China, Azerbaijão, Taiwan, Malásia, Nepal, Indonésia, Vietnã, Filipinas e Japão deram sua olhadela em 'Passa boi, passa boiada'.

A imagem acima foi retirada do site que me fornece relatórios dos acessos. Para saber mais sobre o serviço (aliás, gratuito), acesse StatCounter.

Não menos surpreendente, além de São Paulo (onde moro) e São José do Rio Preto (onde nasci), o blog foi visitado por pessoas do interior do estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco, Maceió, Ceará, Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Amazonas, Acre, Rondônia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santos e Rio de Janeiro.

Conforme mostra o gráfico acima, é natural que a grande maioria dos acessos provenha de cidades brasileiras. Mas é notória uma leve vocação do blog para se conectar com internautas no mundo todo. Sobretudo se considerarmos a tenra idade de 'Passa boi, passa boiada': um mês de vida.

Em razão disso, os leitores agora podem, ao clicar do mouse, ler traduzidas as páginas do blog nos seguintes idiomas: chinês, italiano, alemão, francês, japonês, inglês, russo e espanhol. Além do bom e querido português, ora pois.



Moral da história: o grande poder da internet é suprimir fronteiras (guardadas as devidas proporções) e aproximar pessoas dos quatro cantos do planeta. Mas, peraí! Como quatro cantos se a Terra é redonda?

Pois é, a força das expressões idiomáticas não deixa a lógica acontecer às vezes.

10 de abr. de 2009

Twitter: uma biografia não autorizada


Parte I – O primeiro encontro

Cruzei com uma Chevrolet Lumina na rua dias atrás. Eu voltava do mercado, final do dia, parado no semáforo. De repente aquele colosso atravessou elegantemente a avenida Giovanni Gronchi. Apesar de já deixar até as balzaquianas das vans para trás, a Lumina (foto) foi pioneira no início da década de 90 em se tratando de design inovador. Hoje, é uma senhorinha quase esquecida pela maioria dos mortais.


Na época em que foi lançada, me lembro de ouvir gente dizendo que aquele design não iria vingar, que era muito futurista, muito isso, muito aquilo. O fato é que a Lumina não só trouxe um novo paradigma para o mercado de vans no Brasil, como também serviu de inspiração para os modelos que a sucederam nos anos seguintes (compare com a foto do último lançamento da Citroen, a C4 Grand Picasso). Lembrem que foi bem naquela época que o ex-presidente Collor abria a porteira para as importações, o que fez com que a indústria nacional saísse do marasmo e tirasse o traseiro da cadeira.


No mesmo dia em que tive o encontro com essa senhora, a dona Lumina, fui apresentado a um recém-nascido, desses aí da chamada geração índigo, ultrarrápidos, conectados, futuristas (igualzinho minha senhora amiga de anos atrás). – Prazer, Rodrigo. Como vai? – Vou bem, ele me respondeu. Me chamo Twitter.

Parte II – Professora de inglês

Desci as compras do carro e segui em direção ao elevador. Uma bela morena, de cabelos presos, calça jeans, camiseta e tênis brancos, olhos pretos, abriu a porta para eu entrar, já que, com as mãos carregadas de sacolas, o máximo que consegui fazer, além de segurar o queixo(!), foi dizer boa tarde, obrigado.

Luana puxou conversa comigo para me informar que estava dando aulas particulares de inglês. Aproveitei a deixa para tirar uma dúvida que tinha a respeito da tradução do verbo “to twit”. Afinal, ela voltara da Inglaterra havia poucos dias, vernáculo na ponta da língua, cuca fresca no oásis dos 19 anos.


Eu estava curioso para entender a origem do nome daquele recém-nascido, criança precoce, já falava várias línguas, se comunicava na velocidade da luz. Como eu não sabia a tradução literal de twitter, logo, se descobrisse o que twit queria dizer, mataria a charada.

A professora não soube me responder de bate-pronto, mas se prontificou a pesquisar em seus dicionários e me retornar ainda naquela noite. Duas horas mais tarde, Luana tocou a campainha. Abri a porta, surpreso com aquela visão, e a convidei para entrar e se sentar.

– Não posso ficar muito tempo, tenho uma aula daqui a pouco. Mas consegui achar o significado do verbo twit. Quer dizer tirar sarro em alguém, ridicularizar, zombar, esclareceu Luana.

Agradeci pela ajuda, ela partiu, e eu fiquei ali em pé, pensando em como meu recém-amigo poderia se chamar zombador, aquele que tira sarro, ridicularizador, Twitter.

Parte III – Tio Google

Apesar de muito novinho, Twitter já tem profissão. Na verdade, já tem seu próprio negócio. Naturalmente, Twitter escolheu a internet para difundir seus serviços, e o sucesso não tardou a chegar. Tanto é que o Google pretende comprá-lo por 250 milhões de dólares. Uns dizem que o Twitter vale até 500. Não tenho a mínima condição técnica para fazer essa avaliação, mas posso dizer que se o Google tem olhos grandes para cima do Twitter, é porque o negócio deve ser bom mesmo. A propósito, o Google é o tio não consanguíneo do Twitter. De comum mesmo, só o silício do DNA.


Parte IV – Já sofro de bullying

Para quem não se lembra, bullying é um termo que vem sendo utilizado por educadores na América do Norte e na Europa (e cada vez mais no Brasil) para definir o desvio de comportamento de crianças e adolescentes nas escolas.

Pode-se melhor traduzir “bullying” como provocação, zombaria, ameaça, comportamento que assusta ou fere alguém menor ou mais fraco. Especificamente, na escola, intimidação física dos colegas mais fracos pelos mais fortes.

O meu amigo Twitter, apesar de seu tio Google querer ‘adotá-lo’, já sofre de bullying. Como tudo que faz sucesso nessa vida, o Twitter chegou e já causou muito desconforto. Há milhares de posts negativos sobre a criança nos quatro cantos do mundo.


A principal queixa dos incomodados é que o Twitter logo cansará o povo. Afinal, de que me adianta saber o que o fulano comeu no café da manhã, ou então que o sicrano passou a tarde apagando os arquivos deletados do seu computador (?), ou que o João está ouvindo Radio Head no iPod touch mega flex rubber simphony?

Parte V – Plástica e Twitter quântico

Tudo bem, pode parecer meio superficial falar assim, mas estou começando a desconfiar que o Twitter é neto da Sra. Lumina. Lembra-se dela? A dona Lumina? Na avenida Giovanni Gronchi?

Pois é. Assim como a van noventona da Chevrolet, o Twitter chegou para ficar. Não necessariamente como é agora (até porque hoje a Lumina está com o design ultrapassado), mas certamente para criar novos paradigmas e remodelar a cara da internet, que, diga-se de passagem, já está na hora de fazer um face lift.

A questão é que muito pouca gente (e eu não me incluo nesse grupo) consegue visualizar a amplitude e a potencialidade desse menino Twitter. A gente (agora sim me incluo ;)) simplesmente não sabe direito para quê usa-lo. Mas o cheiro que sinto é que num futuro breve a conectividade será de tamanha magnitude, que celulares (os quais ninguém tira do bolso ou da bolsa), notebooks, palms, desktops, MP3/4/5’s, rádios do carro, enfim, todas as mídias que frequentam nossas vidas passarão a se falar em tempo real.


Isso já acontece hoje de uma forma mais sutil. Quando edito a minha mensagem pessoal no MSN através do Nimbuzz instalado no meu celular, automaticamente aquele conteúdo é atualizado no meu Twitter, Skype, Orkut, blog, Yahoo, Facebook, Google Talk, MySpace e, é claro, MSN. Quando faço isso, tenho aquela sensação de ser uma partícula quântica, que é única mas pode ser vista em diversos locais no espaço.

Fico imaginando o poder do Twitter daqui a alguns meses, talvez um ano ou dois. Além disso, em estudos técnicos sobre o assunto, ficou provado que os usuários do Twitter têm redes mais interconectadas, o que justifica o buzz causado por esse bem-vindo rebento.

Parte final – Follow me?

Como não sei muito bem o que fazer com o Twitter, dei uma pesquisada na internet para saber um pouco mais sobre esse pequeno gênio. Encontrei um artigo interessante sobre o assunto no site http://pontomidia.com.br/raquel/, intitulado "Twitter: Muito barulho por nada?".

Para entender alguns dos motivos que fazem o Twitter ser capaz de gerar tanto buzz, me perguntei: por que isso acontece? Encontrei no site a seguinte resposta dada pela jornalista e professora Raquel Recuerono:

"Primeiro por conta da própria estrutura do Twitter. Como site de rede social, ele permite uma complexificação muito grande de suas redes internas, que parecem ser bastante interconectadas (...). Como é mais conectado, as informações circulam mais rápido e de forma mais abrangente. Segundo porque (...) o Twitter foi adotado como uma ferramenta informacional e é por causa disso que tem uma capacidade muito maior que a dos outros sites de propagar informações e ampliar o seu alcance. Para mim, é nessa característica de difusão de mensagens pela rede que está o diferencial do Twitter e que está a explicação enquanto gerador de buzz. Finalmente, o Twitter foi apropriado por um grupo de usuários de Internet que eu chamei heavy users. Isso significa que são pessoas envolvidas com mídia digital, pessoas que valorizam essas conexões e suas trocas e finalmente, pessoas que possuem outras ferramentas (como blogs, fotologs e etc.) que auxiliam a amplificar o poder de difusão de informações da ferramenta.”


Eu tenho um palpite. Assim como quem usava celular todos os dias, tinha micro em casa e fotografava com câmera digital 15 anos atrás era considerado “heavy user”, imagine o que o Twitter não vai causar quando nós, comuns, estivermos a todo vapor com nossos blogs, fotologs, mídias digitais e sabe lá o que ainda está por vir.

Pródigo ou prodígio, esse menino vai continuar dando muito o que falar. Agora me dêem licença que vou postar o link para este artigo no Twitter. Do you wanna follow me? @rodrrigo.