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24 de fev. de 2010

Sobre sotaques e molhos de macarrão




Quem repara em sotaques é como alguém que só come macarrão à bolonhesa.


É como alguém que nunca provou, por pura ignorância ou mero titubeio, um carbonara.


Ou uma putanesca.


Os molhos devem ser mesmo como as putas: sempre ao gosto do freguês.


Os molhos devem ser como quem os come: refletem seu nível de civilidade. Ou de cosmopolitismo. Ou não.


Não, não que o bolonhesa não exprima nenhuma nobreza. Ao contrário. Afinal, tamanha seria a desfeita com os caros amigos de Bologna.


Mas o que me deixa puto são aqueles que só querem saber de comer macarrão com molho de carne moída (se bem que o ‘vero bolognese’ é feito de carne bem picadinha, cozida durante horas sob fogo brando).


É a falta de janela, a falta de vontade de descobrir que cheiro tem o som do outro lado, a cor do tomate cozido por horas, a panceta que perfuma, o louro que dá cor ao cheiro do cozido, o alecrim fresco que transforma, o azeite que ilumina.


É a falta disso tudo que me faz pensar e refletir sobre a falta de visão, sobre o desleixo de acomodar o outro no coração, sobre o pré-julgamento de ideias, de culturas, de maneiras de ser, enfim, de sotaques.


Eu falo como eu como. E como o mundo inteiro. E navego nos sotaques como se eles não existissem, mesmo consciente da sua presença, do seu arrastado, da sua origem. Mas nem tudo que tem origem é digno de existir.


Assim são os sotaques, bem como os molhos de macarrão. Aliás, eu realmente bem como os molhos de macarrão. Benzadeus! Saúde!

28 de mai. de 2009

Vinhos, amigos e um argentino diferente dos outros



O mundo do vinho é mesmo surpreendente. Participei ontem de uma degustação em São Paulo oferecida por algumas importadoras (entre elas a Mistral e a Grand Cru).

O evento aconteceu no Restaurante Ávila, localizado no bairro do Itaim Bibi (rua Bandeira Paulista 520).

Os vinhos não eram lá muita coisa, mas a empanada do Ávila é sensacional. Fiquei de voltar lá para experimentar as carnes.

Mas o que valeu mesmo foi ter conhecido as pessoas. Daí eu dizer no início desta nota que o vinho surpreende sempre. É uma forma nobre, prazerosa e descontraída de passar o tempo, fazer relacionamento e, é claro, aumentar seu conhecimento de causa, no caso, enóloga.

Além do Guillermo, proprietário do Ávila e vindo lá do interior dos pampas argentinos, conheci o pessoal da foto aí acima: à esquerda, o sommelier Fabiano Aurélio, da Grand Cru; no centro, Carlos Alberto Costa (diretor da Caçula de Pneus), e eu, à direita.

O Guillermo é um argentino diferente dos outros. Muito simpático! ;) Brincadeiras à parte, foi um prazer conhecê-lo e falar sobre carnes, tema de que ele é mestre. Vou cobrar dele agora o livro que me confidenciou ter na cabeça há anos.

Entre conhecer pessoas interessantes e beber (um razoável) vinho, o Carlos e eu ainda tivemos uma ideia de implementar um projeto de sustentabilidade social voltado para o uso de pneus que não têm mais uso.

Vamos conversar mais sobre o projeto e, assim que tiver novidades, será um prazer postar aqui para vocês.

Saúde!