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26 de set. de 2012

Energia das Marés

Entrevista ao jornal Brasil Econômico sobre o desenvolvimento da tecnologia de energia das marés.

18 de set. de 2009

Coincidência? Índice Dow Jones idêntico nos dias 11 de setembro de 2001 e de 2009


Dow Jones em 11 de setembro de 2009: 9.605 pontos (clique para ver)



Você acredita em coincidência?

Será que as coisas acontecem por acaso ou são guiadas pela ordem que há no caos do Universo?

Eu, particularmente, não acredito em coincidência. Acredito que há uma correspondência de fatos, uma equação infinita de trocas de energia que culminam no desenrolar das coisas. No microcosmo, seria, do meu ponto de vista, uma cadeia de acontecimentos resultante de pensamentos e ações individuais. No macrocosmo, de pensamentos e ações coletivas.

Divagações à parte, coincidência ou não, é fato que o índice Dow Jones, principal indicador da bolsa de valores de Nova Iorque, registrou a mesma marca no fatídico 11 de Setembro (2001) e, pasmem, no 11 de setembro de 2009: 9.605 pontos.

Independentemente das crenças, das teorias, do que quer que seja que você ou eu pensamos sobre a existência ou não das coincidências (esse tema daria não apenas um post, mas sim um livro, no mínimo), é de arrepiar a constatação dessa identicidade numérica na maior bolsa de valores do mundo.

Penso que a mensagem que o Universo quer nos passar é muito simples: oito anos após a catástrofe em Manhattan, nada mudou. A ganância do atual sistema de trocas de riquezas continua. A essência do ser humano é a mesma. Mesmo com tamanho susto do 11 de Setembro, continuamos a cometer os mesmos erros: visão de curto prazo, pragmatismo sócio-econômico, lei da vantagem e por aí afora.

Talvez este seja o momento ideal para, mais uma vez, refletirmos sobre nossas ações, desde as mais insignificantes, como o cuidado com o lixo em casa, até o consumo consciente, o respeito ao próximo, a cordialidade no relacionamento com o outro, o amor pela vida.

Quando pequeno, lembro-me de meu pai me dando uma lição. A história dizia que um cavalo selado passa apenas uma vez na nossa frente. E que não devemos, portanto, desperdiçar a oportunidade.

Concordo com ele. Mas será que a nossa consciência coletiva está pronta para isso? Pronta para as oportunidades de fazer um mundo melhor?

Ah... como eu queria ter essas respostas.

25 de jun. de 2009

Banho sustentável



Sempre parto do pressuposto de que boas (e eficientes) ideias devem ser compartilhadas.

Na semana passada, na Mostra da Conferência Internacional Ethos 2009, conheci o Sr. Geraldo Magalhães, criador do 'chuveiro eficiente'.

Trata-se de um sistema que recupera o calor da água quente que cai no piso do banheiro. Ou seja, a água nova recebe o calor e entra pré-aquecida no chuveiro. Isso proporciona uma redução de 50% no consumo do chuveiro elétrico residencial.

Veja a demonstração na entrevista que fiz com o Sr. Geraldo, no vídeo acima.

O equipamento é instaldo em 15 minutos, e não há quebradeira de piso e azulejo. Custa cerca de R$ 390,00. De acordo com o criador do sistema, esse valor é recuperado, através da economia na conta de luz, em cerca de cinco meses (isso para uma família de 4 ou 5 pessoas que utiliza o chuveiro numa média de uma hora diária).

Parabéns pela iniciativa!

Visite o site da Rewatt para mais informações ou entre em contato diretamente através do telefone (31) 2555-0638.

18 de jun. de 2009

Conferência Ethos: Carta aberta à sociedade

Acabo de participar da Conferência Internacional do Instituto Ethos, realizada em São Paulo, e publico abaixo a carta aberta divulgada agora há pouco durante o Ato Contra a Medida Provisória 458, que poderá ser sancionada ou vetada (espero!) amanhã pelo presidente Lula.


Carta aberta à sociedade

A sociedade humana vive, no século 21, os dilemas e as esperanças de uma civilização construída sobre os desatinos e os avanços incomparáveis da ciência, da arte e do conhecimento em geral sobre a natureza. Mas chegamos ao limite e precisamos de uma transformação radical na economia. Trata-se de construir uma civilização cujo modelo de produção e consumo preserve as riquezas naturais, inclua milhões de pessoas até agora à margem de qualquer progresso e garanta os recursos necessários para uma sociedade justa e sustentável, objetivo de todos nós.

O Brasil pode ser liderança neste processo por vários motivos: possui a maior floresta tropical do mundo; a matriz energética tem fontes renováveis e limpas; e os recursos ainda incontáveis da biodiversidade garantem a base para as inovações tecnológicas necessárias ao novo modelo em construção. No entanto, o que estamos fazendo com tudo isso? Ignorando nosso maior patrimônio para o século 21 e, ao agir assim, condenando o país a um papel secundário no novo mundo da sustentabilidade que está surgindo.

Nossa enorme perplexidade é verificar que, no início de um novo século, com os desafios que temos, ainda existam políticos e empresários descomprometidos que se apropriam do Estado para benefício particular, privilegiando o lucro imediato à custa do interesse maior da nação brasileira. Esta falta de visão de futuro fica ainda mais evidente com os ataques que a legislação ambiental brasileira vem sofrendo. A aprovação, no Congresso Nacional, da MP 458, conhecida como MP da Grilagem - que, entre outras medidas, promove a legalização de terras ilegais, é a mais recente demonstração de que há um projeto em andamento para desmontar a agenda ambiental duramente conquistada nos últimos anos e que dá ao Brasil posição privilegiada para enfrentar as consequências das mudanças climáticas.

A quem interessa o desmatamento? A sociedade brasileira precisa se mobilizar para separar o joio do trigo. Nós, participantes da Conferência Internacional do Ethos, podemos afirmar enfaticamente que a maioria das empresas aqui instaladas está interessada em promover negócios responsáveis e, junto com as demais forças da sociedade civil organizada, vem buscando o desenvolvimento sustentável.

Infelizmente, ainda há os que fazem o contrário. Para estas pessoas, ambiente é obstáculo. Nós , no entanto, queremos enfatizar que o Brasil hoje tem enorme importância no mundo por ser um dos países com maior patrimônio ambiental ainda preservado e, portanto, com maior potencial de desenvolvimento econômico e social sustentável. Por isso, aqui reunidos neste ato público, manifestamos nossas intenções de:

- Conclamar a Presidência da República a vetar os três artigos da MP 458, conforme a Carta Aberta da senadora Marina Silva encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva

- Conclamar o presidente Lula a assumir a liderança da agenda ambiental como central na estratégia do desenvolvimento social e econômico do Brasil;

- Conclamar o Congresso Nacional a assumir sua responsabilidade frente à agenda ambiental brasileira;

- Conclamar as empresas a incorporar a agenda ambiental como estratégia de seus negócios.


São Paulo, 18 de junho de 2009

Conferência Internacional Ethos 2009

10 de jun. de 2009

Sobre atraso e avanço, Brasil e Canadá



A revista Economist
divulgou nesta semana o ranking das melhores cidades do mundo para se viver. Vancouver, na costa oeste do Canadá, ficou em primeiro lugar. A nossa querida São Paulo empatou com a linda Rio de Janeiro na 92ª posição.

Sei que parece até injusta, mas
a comparação entre Brasil e Canadá é inevitável. Aliás, mais do que inevitável, ela é necessária.

Morei na cidadezinha de Castlegar, no Canadá, de 1992 a 1993, numa época em que o país detinha o posto de primeiro lugar (hoje é o terceiro, atrás de Noruega, em segundo, e Islândia, em primeiro) em IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

A região onde fiquei, a Província de Colúmbia Britânica, era considerada pelo governo canadense, na época, a melhor região para se morar no país, levando-se em consideração critérios como educação, saúde e qualidade de vida. Ou seja, no melhor lugar do melhor país do mundo para se viver.

Antes do Canadá, nasci e passei minha infância e adolescência no interior de São Paulo, em São José do Rio Preto. Desde 1994, moro em São Paulo.

“Bem, mas e daí?”, você deve estar se perguntando.

E daí que o choque de culturas pelo que passei marcou minha vida para sempre.

Não, o choque não foi assim tão radical. Diria que foi até sutil. Mas ao olhar do observador mais atento (e sensível), as diferenças podem tornar-se gritantes.

Vamos a elas:

Atravessando a rua
Aprendi lá no Canadá, no início da década de 90, que basta eu sair da guia e pisar na rua para que os carros parem para eu atravessar. Simples assim. O pedestre tem prioridade. Aqui no Brasil, ainda hoje, ou seja, quase 20 anos depois, paro o carro para as pessoas atravessarem a rua e, (salvo exceções) para minha surpresa, alguns pedestres se recusam a atravessar, às vezes até me olham feio, como que se eu fosse sacaneá-los (dando-lhes um susto ou mesmo passando por cima do cidadão). Enfim, a culpa é de todos nós, não apenas do pedestre, nem do motorista, mas da forma como vimos nos tratando nos últimos tempos.

Lixo
A gente aqui ainda engatinha quando se trata de administrar nosso próprio lixo. Não, não estou falando da reciclagem de alumínio (o Brasil é campeão mundial nesse quesito graças ao contingente gigantesco de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza e, a fim de sobreviver, vivem revirando latões, lixões, quase chegam a implorar pela sua latinha de cerveja vazia na praia). Nem tampouco falo da nossa campeã reciclagem de plástico, reflexo idêntico ao caso das latas de alumínio, e por aí vai. Estou falando de produzir lixo com 'consciência', não desperdiçar, pensar (ou seja, usar a razão, presente divino) antes de imprimir, de usar o carro, de fazer compras. Os canadenses que conheci e com quem convivi em 1992 já sabiam e faziam tudo isso. Iam além: separavam em cestinhos apropriados o chamado lixo orgânico: cascas de batata, cenoura, frutas e tudo o que sobra na cozinha e nos pratos. O que faziam com isso? Bem, eles têm um cantinho no quintal, onde armazenam esse material que é utilizado nas suas hortas e jardins. E a gente aqui no Brasil querendo começar a separar em casa o jornal velho, as garrafas de plástico, as latas de alumínio... Pelo menos já é um começo. Tardio, diria, mas um começo!

Consciência ecológica
Você sabe quantas árvores são necessárias para se produzir uma tonelada de papel? Os canadenses sabem disso desde criancinhas. OK, pode parecer exagero, mas a consciência voltada para o meio ambiente no Canadá é um exemplo a ser seguido. É natural que eles também são usuários de grandes quantidades de papel, sobretudo pelo fato de serem uma nação altamente desenvolvida. Mas a conscientização ecológica é algo que já se fundiu à cultura deles. Aqui no Brasil, essa visão já está presente entre as classes A, B e C, mas ainda há muito trabalho a ser feito para se atingir toda a população. (A propósito, são necessárias 17 árvores para a produção de uma tonelada de papel.)

Direitos constitucionais
É lei levada a sério no Canadá (perdão pelo pleonasmo, mas é que no Brasil lei não é dura lex. Tá mais para dura vita) que todo cidadão tenha acesso universal a saúde, moradia e educação. O próprio Michael Moore, documentarista americano, retratou muito bem isso no filme "
Sicko-SOS", em que compara a drástica diferença entre o sistema de saúde pública do Canadá e dos Estados Unidos. Bem, prefiro nem mencionar o nosso aqui no Brasil.

Campanhas voluntárias e ONG's
A onda por aqui agora é responsabilidade social, voluntariado etc. Sim, sei que há muitas pessoas e empresas que já agem há décadas no silêncio promovendo a ajuda ao próximo. Mas é fato, e você há de concordar comigo, que no Brasil a frequência desse tema ganhou amplitude nos últimos dez anos. No Canadá, em 1992, quando lá morei, eles já estavam carecas de saber que esse tipo de ação é não só necessária, mas um dos princípios da solidariedade. Participei de diversas campanhas (até porque eu era patrocinado pelo
Rotary, instituição engajada mundialmente em ajudar o próximo) para arrecadar alimentos, roupas e remédios, além de ações para recolher materiais para reciclagem. Faço, no entanto, um mea culpa aqui: a única vez que doei sangue na minha vida foi lá no Canadá através de uma campanha da Cruz Vermelha daquele país.

Ausência de muros separando as casas e portas destrancadas dos carros
Essa não vou nem comentar.

Patriotismo
Todo canadense sabe de cor o hino nacional do seu país. Tudo bem que a letra do hino tem treze versos, se não me falha a memória, mas até eu aprendi a cantá-lo. Mas o fato que importa não é esse. O que me tocou de verdade foi ver (e ouvir) o hino ser tocado em diversas ocasiões, públicas e privadas, além de a bandeira canadense ser hasteada em comércios, residências, espaços públicos. Aqui no Brasil já vi até gente comentando ser cômico alguém ter a pachorra de saber todos os versos do nosso hino nacional. Sem dizer que muita gente acharia brega hastear uma bandeira do Brasil na frente de suas casas. Verdade ou não é? Ou vai dizer que você nunca pensou nisso?

Papel na lixeira
Nós, latinos, temos o hábito de amassar a folha de papel, fazendo aquela bola, antes de jogá-la no lixo. Uma vez, ao fazer isso, fui orientado por um canadense que amassar a folha de papel antes de dispensá-la é desnecessário, pois ocupa muito mais espaço no lixo. É só tirar a prova
em casa. Faça o teste: amasse várias folhas de papel e jogue no lixo. Contou quantas folhas couberam no cesto? E se apenas jogasse as folhas, acomodando-as no lixo? Caberia muito mais. Sem mais comentários também. ;)

Uso de água
Só vou dar um exemplo aqui: o uso de água para lavar calçadas com a mangueira. Na segunda casa em que morei no Canadá, na família Meyer para ser mais específico (morei em quatro famílias), aprendi uma lição que trago comigo até hoje. Estava eu a ajudar a limpar o carro da família numa tarde de sábado, quando me embrenhei com a mangueira d'água e comecei a lavar a calçada com o forte jato da ferramenta. Fui surpreendido pelo meu 'host father', Mr. Meyer. Ele simplesmente me explicou que é mais fácil, além de muito mais ecologicamente correto, primeiro varrer a calçada, recolher e lixo e só. Ah, quer tirar a poeira do chão? "Um pano molhado basta, Rodrigo!". Foi o que ouvi de volta.

Há mais uma centena de lições que aprendi quando morei e convivi com os canadenses, povo acolhedor, sensível e muito desenvolvido.

Fico só pensando numa coisa: se aprendi essas coisas todas já faz quase 20 anos, em que estágio os caras devem estar hoje?

Estou precisando (ou melhor, desejando -- quem leu "Carta Aberta a Gandhi" sabe o que quero dizer) voltar ao Canadá. Nem que for só a passeio. Afinal, é nossa obrigação cívica, na qualidade de brasileiros, contribuir para um país melhor. Sempre.

P.S.: Não posso deixar de comentar. A Miss Canadá é brasileira. Preciso dizer mais alguma coisa?

6 de jun. de 2009

Home: "É tarde demais para sermos pessimistas"




Assista aqui (áudio original em inglês) ou aqui (versão dublada em português) a "Home - Nosso Planeta, Nossa Casa"

Assisti ontem, na Fnac Pinheiros, em São Paulo, à estreia mundial do filme "Home - Nossa Planeta, Nossa Casa". Chocante. Vale a pena.

Tirei algumas lições, que divido aqui com vocês:

1) 20% da população mundial consome 80% dos insumos.

2) Gasta-se 12 vezes mais com defesa militar do que com ajuda humanitária.

3) A calota polar está 40% menor que 40 anos atrás.

4) O sol fornece à Terra, em apenas uma hora, a mesma quantidade de energia gasta pela humanidade em um ano. (Ou seja, vamos utilizar fontes de energia renovável como paineis solares).

5) 50% dos grãos produzidos na Terra são usados para ração ou combustível.

6) 13 milhões hectares de mata desaparecem por ano.

É TARDE DEMAIS PARA SERMOS PESSIMISTAS!

E você? Faz sua parte?