Uma inusitada mas bem-vinda decisão da Anatel lavou minha alma hoje: a Telefónica está impedida (mesmo que temporariamente) de vender novas assinaturas do seu serviço de internet Speedy.
Já não sou cliente da Telefónica há anos. Antes mesmo de existirem serviços de banda larga de internet, já havia cancelado uma linha de telefone nos idos de 2000 e me comprometido a nunca mais ser cliente deles.
A falta de respeito na central de atendimento, o descaso com minhas reclamações, os valores cobrados a mais, a arrogância dos executivos em entrevistas na imprensa, enfim, sofri na mão deles e, como não sou masoquista, caí fora sem titubear.
Uma vez, num processo seletivo para um novo emprego em São Paulo, quase fui desclassificado porque a empresa contratante identificou um apontamento no meu nome na Serasa. Fui investigar o que era (afinal, não tinha a mínima ideia do que poderia ser). Descobri que a Telefónica havia negativado meu nome em razão de alguns reais que ficaram em aberto após a data do meu cancelamento da linha em 2000.
Detalhe: eles nunca me informaram que havia tal saldo em aberto, não me comunicaram o envio dos meus dados para a Serasa e, pasmem, quando lhes contatei para acertar a ‘dívida’ de poucos reais e solicitar que meu nome fosse excluído do cadastro de maus pagadores imediatamente, eles fizeram corpo mole, não se prontificaram a resolver o meu problema e ainda se defenderam dizendo que o interesse era meu, logo, eles apenas seguiriam os procedimentos internos para verificar o ocorrido.
Felizmente, consegui o emprego: a empresa compreendeu a situação e me deu o tempo necessário para achar uma solução.
Sei que minha revolta contra eles, Telefónica, não lhes faz nenhuma cócega. Mas me sinto aliviado ao ver o vexame pelo que estão passando hoje. Afinal, tem coisa pior do que alguém lhe impedir de vender seus produtos e serviços?
Já pensou o dono da barraca de ovos da feira aqui do bairro ser interpelado pela Vigilância Sanitária e proibido de vender suas cartelas por conta de suspeita de contaminação dos ovos? O que ele, feirante, teria a dizer a seus filhos e a seu travesseiro quando chegasse em casa à noite?
Pois é isso que falta à Telefónica: vergonha na cara, consciência e dignidade.
Telefónica nunca mais.
A propósito 1: Desde 2000 sou cliente Embratel e Net. Estou feliz e recomendo.
A propósito 2: Enquanto escrevo este post, vejo o SP TV e me deparo com a seguinte notícia: “Mesmo impedida, Telefónica continua vendendo Speedy”. Bem a cara da empresa mesmo.
Montagem: 'Passa boi, passa boiada'
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