18 de abr. de 2009

Cultura nunca é de graça. Mesmo.

Texto: Rodrigo Marques Barbosa

Os cariocas pagarão até 1.200 reais por um ingresso para assistir ao show do tenor italiano Andrea Bocelli, que se apresenta hoje (18) no Rio. A entrada mais em conta sai pela bagatela de 100 reais.

Já os paulistanos poderão ouvir 'Con te partirò' e outros sucessos populares de Bocelli sem pagar nada por isso. O astro fará uma apresentação ao ar livre em São Paulo, na próxima terça, dia 21, feriado de Tiradentes. O show será realizado no Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, às 16h.

O nome do parque vem bem a calhar: independentemente do gosto musical de cada um, o evento será uma boa alternativa para quem não foi viajar e ficou para curtir a 'pauliceia desvairada' vazia, ou seja, em sua melhor versão.

Além da recompensa de aproveitar ruas sem trânsito e restaurantes sem fila, o paulistano ainda vai poder mimar os ouvidos e, quem sabe, também o coração. Em qualquer caso, infinitas vezes melhor do que ir ao shopping.

A propósito, cultura nunca é de graça mesmo. Já o show, pelo menos em Sampa, é na faixa, apesar de o Vasco ser do Rio. Sorte nossa. Bora lá?

Ufa! Até que enfim...

Desnecessário comentar:

Por consequência:














E o outro lado:

17 de abr. de 2009

Quem será a vizinha na piscina?


(Clique no mapa e arraste o mouse. Para aproximar, dê um 'double click'. A viagem é demais!)


View Larger Map

O Google está cada vez mais insuperável.

Eles incrementaram os já famosos Google Earth e Google Maps com imagens feitas das próprias ruas. Essa aí de cima (que parece ser uma única foto) é de Londres, Inglaterra, e foi "tirada" próximo ao rio Tâmisa e ao Big Ben (ao fundo). A ferramenta reúne infinitas imagens e, através da sua sobreposição, consegue criar o efeito visto nesse quadro.

Clique e navegue por toda Londres. Ou, se preferir, visite Paris, São Francisco, Roma e inúmeras cidades no mundo que já estão disponíveis no Google Street, nome dado ao programa.

Encontrei um blog que reuniu num post 15 pontos curiosos em diversas cidades (clique aqui para ler). Vale a pena a visita.

Aqui no Brasil ainda não temos nossas cidades no Google Street, mas a qualidade das imagens geradas por satélites sobre várias partes do país já melhorou bastante.

A imagem abaixo (Google Earth) é do prédio aqui de casa. Logo, logo, com a evolução da cobertura "powered by Google", vai dar pra ver quem era a vizinha se banhando na piscina. O duro vai ser o satélite revelar um marmanjo. Mais duro ainda descobrir que sou eu na foto, em uma das únicas duas vezes que entrei na piscina do condomínio. :)


View Larger Map

16 de abr. de 2009

O Poder do Vernáculo 2: "Entusiasmo"



Quem me conhece mais de perto já deve ter ouvido uma de minhas expressões: "a resposta está sempre na pergunta".

E é verdade! Por mais empírica que possa parecer essa frase, às vezes damos tantas voltas ou complicamos tanto as coisas, que só depois de muita energia desperdiçada é que vemos que a resposta estava bem debaixo do nosso nariz.

Eu poderia citar aqui inúmeros exemplos meus e que também já observei nessa existência, mas o propósito deste post é outro: continuar com a série "O poder do vernáculo", inaugurada com o texto sobre o vocábulo 'graça' (clique aqui para ler).

A minha palavra de hoje é 'entusiasmo'. E para seguir com o raciocínio que apresentei há pouco, ou seja, de que a resposta está sempre na pergunta, quero dividir aqui com vocês uma descoberta (não minha, claro, mas que me serviu como uma epifania) sobre o significado etimológico de 'entusiasmo'.

Lembra-se de já ter ouvido endomarketing (ou o marketing de dentro), reação endógena (ou reação interna), endodontia (área da odontologia que cuida do interior do dente, da raiz) etc.? Então, já dá para deduzir que o 'en' de entusiasmo vem do grego 'endo', que significa dentro, interior, interno.

E o restante, 'tusiasmo'? Essa aí vem também de terras helênicas, do original 'thous', quer quer dizer deus.

Viu só como a resposta está na pergunta? Então, o que é entusiasmo? É ter Deus dentro de você, sentir-se parte da unicidade do Universo ao mesmo tempo em que compartilha da centelha divina no seu mais íntimo eu.

É vibrar no sentido puro da palavra, é ter a segurança da infinitude e do poder do amor, mesmo em situações ou épocas quando tudo é posto à prova, tudo é questionado ou, pior, o terreno e o mundano são trazidos à tona, como o assassino de primeiro grau que tem seu caráter revelado, e não alterado (como alguns advogam) pelas circunstâncias e situações e intempéries a que foi exposto durante sua criação. Afinal, como pode um assassino de primeiro grau ser 'menos pior' que o de segundo, terceiro?

Graças ao entusiasmo, e não ao otimismo (este bem diferente daquele), o Universo continua se expandindo. Pois mesmo que ainda haja tanta truculência no mundo, é a soma de todos os pensamentos, bons e maus, que se manifestam e fazem com que as fronteiras do infinito se expandam.

Quer um exemplo disso? Um casal une seus pensamentos em torno de um filho. Fazem planos, copulam, o espermatozóide fecunda o óvulo, nove meses depois o bebê nasce. O Universo se expandiu, não é mesmo? E não se expandiu só com o novo ser humano, mas também com a anotação no livro de registros do cartório, nos arquivos da maternidade, da escola, das empresas onde o pequeno irá trabalhar, no atestado de óbito e, finalmente, mas não menos importante, no pensamento dos seus entes queridos.

Outro exemplo? Uma cadeira! Pode ser um pensamento do designer francês Phillipe Starck ou de um camponês do interior do Brasil. Colocado em prática, esse pensamento resultará numa cadeira. De um jeito bem simples, essa é a tradução da famosa fórmula de Einstein: E=m.c², em que 'E', energia, representa o pensamento (que é energia em sua existência - já comprovado cientificamente por medições de ondas cerebrais), 'm' é a massa, ou seja, a madeira, os pregos, os amarres, e 'C²' é a velocidade da luz ao quadrado. Afinal, vemos as coisas porque elas têm luz.

Cadeira de Phillipe Starck Cadeira de algum camponês

Desconhecia até pouco tempo a raiz da palavra 'entusiasmo', mas se fizer um esforço de memória e me lembrar das vezes em que ouvi-la, foi sempre em ocasiões em que alguém queria passar uma mensagem de incentivo, motivação, ânimo. Hoje, ao ouvir 'entusiasmo', uma fonte imensa me preenche de luz, de energia, de sensação de poder criativo, de resiliência.

Sabendo disso, penso valer a pena repetir essa palavra o tempo todo, nem que seja para mim mesmo, em silêncio, e assim sempre despertar o deus que há em mim. "Vós sois deuses", já bem disse nosso irmão, Jesus Cristo (Salmo 82:6 e João 10:34).

Feliz entusiasmo!




entusiasmo
en.tu.si.as.mo
sm (gr enthousiasmós) 1 Excitação da alma quando admira excessivamente. 2 Arrebatamento. 3 Paixão viva; dedicação. 4Alegria ruidosa. 5 Exaltação criadora que torna sublimes os poetas, os artistas e os oradores. 6 Inspiração.

10 de abr. de 2009

Twitter: uma biografia não autorizada


Parte I – O primeiro encontro

Cruzei com uma Chevrolet Lumina na rua dias atrás. Eu voltava do mercado, final do dia, parado no semáforo. De repente aquele colosso atravessou elegantemente a avenida Giovanni Gronchi. Apesar de já deixar até as balzaquianas das vans para trás, a Lumina (foto) foi pioneira no início da década de 90 em se tratando de design inovador. Hoje, é uma senhorinha quase esquecida pela maioria dos mortais.


Na época em que foi lançada, me lembro de ouvir gente dizendo que aquele design não iria vingar, que era muito futurista, muito isso, muito aquilo. O fato é que a Lumina não só trouxe um novo paradigma para o mercado de vans no Brasil, como também serviu de inspiração para os modelos que a sucederam nos anos seguintes (compare com a foto do último lançamento da Citroen, a C4 Grand Picasso). Lembrem que foi bem naquela época que o ex-presidente Collor abria a porteira para as importações, o que fez com que a indústria nacional saísse do marasmo e tirasse o traseiro da cadeira.


No mesmo dia em que tive o encontro com essa senhora, a dona Lumina, fui apresentado a um recém-nascido, desses aí da chamada geração índigo, ultrarrápidos, conectados, futuristas (igualzinho minha senhora amiga de anos atrás). – Prazer, Rodrigo. Como vai? – Vou bem, ele me respondeu. Me chamo Twitter.

Parte II – Professora de inglês

Desci as compras do carro e segui em direção ao elevador. Uma bela morena, de cabelos presos, calça jeans, camiseta e tênis brancos, olhos pretos, abriu a porta para eu entrar, já que, com as mãos carregadas de sacolas, o máximo que consegui fazer, além de segurar o queixo(!), foi dizer boa tarde, obrigado.

Luana puxou conversa comigo para me informar que estava dando aulas particulares de inglês. Aproveitei a deixa para tirar uma dúvida que tinha a respeito da tradução do verbo “to twit”. Afinal, ela voltara da Inglaterra havia poucos dias, vernáculo na ponta da língua, cuca fresca no oásis dos 19 anos.


Eu estava curioso para entender a origem do nome daquele recém-nascido, criança precoce, já falava várias línguas, se comunicava na velocidade da luz. Como eu não sabia a tradução literal de twitter, logo, se descobrisse o que twit queria dizer, mataria a charada.

A professora não soube me responder de bate-pronto, mas se prontificou a pesquisar em seus dicionários e me retornar ainda naquela noite. Duas horas mais tarde, Luana tocou a campainha. Abri a porta, surpreso com aquela visão, e a convidei para entrar e se sentar.

– Não posso ficar muito tempo, tenho uma aula daqui a pouco. Mas consegui achar o significado do verbo twit. Quer dizer tirar sarro em alguém, ridicularizar, zombar, esclareceu Luana.

Agradeci pela ajuda, ela partiu, e eu fiquei ali em pé, pensando em como meu recém-amigo poderia se chamar zombador, aquele que tira sarro, ridicularizador, Twitter.

Parte III – Tio Google

Apesar de muito novinho, Twitter já tem profissão. Na verdade, já tem seu próprio negócio. Naturalmente, Twitter escolheu a internet para difundir seus serviços, e o sucesso não tardou a chegar. Tanto é que o Google pretende comprá-lo por 250 milhões de dólares. Uns dizem que o Twitter vale até 500. Não tenho a mínima condição técnica para fazer essa avaliação, mas posso dizer que se o Google tem olhos grandes para cima do Twitter, é porque o negócio deve ser bom mesmo. A propósito, o Google é o tio não consanguíneo do Twitter. De comum mesmo, só o silício do DNA.


Parte IV – Já sofro de bullying

Para quem não se lembra, bullying é um termo que vem sendo utilizado por educadores na América do Norte e na Europa (e cada vez mais no Brasil) para definir o desvio de comportamento de crianças e adolescentes nas escolas.

Pode-se melhor traduzir “bullying” como provocação, zombaria, ameaça, comportamento que assusta ou fere alguém menor ou mais fraco. Especificamente, na escola, intimidação física dos colegas mais fracos pelos mais fortes.

O meu amigo Twitter, apesar de seu tio Google querer ‘adotá-lo’, já sofre de bullying. Como tudo que faz sucesso nessa vida, o Twitter chegou e já causou muito desconforto. Há milhares de posts negativos sobre a criança nos quatro cantos do mundo.


A principal queixa dos incomodados é que o Twitter logo cansará o povo. Afinal, de que me adianta saber o que o fulano comeu no café da manhã, ou então que o sicrano passou a tarde apagando os arquivos deletados do seu computador (?), ou que o João está ouvindo Radio Head no iPod touch mega flex rubber simphony?

Parte V – Plástica e Twitter quântico

Tudo bem, pode parecer meio superficial falar assim, mas estou começando a desconfiar que o Twitter é neto da Sra. Lumina. Lembra-se dela? A dona Lumina? Na avenida Giovanni Gronchi?

Pois é. Assim como a van noventona da Chevrolet, o Twitter chegou para ficar. Não necessariamente como é agora (até porque hoje a Lumina está com o design ultrapassado), mas certamente para criar novos paradigmas e remodelar a cara da internet, que, diga-se de passagem, já está na hora de fazer um face lift.

A questão é que muito pouca gente (e eu não me incluo nesse grupo) consegue visualizar a amplitude e a potencialidade desse menino Twitter. A gente (agora sim me incluo ;)) simplesmente não sabe direito para quê usa-lo. Mas o cheiro que sinto é que num futuro breve a conectividade será de tamanha magnitude, que celulares (os quais ninguém tira do bolso ou da bolsa), notebooks, palms, desktops, MP3/4/5’s, rádios do carro, enfim, todas as mídias que frequentam nossas vidas passarão a se falar em tempo real.


Isso já acontece hoje de uma forma mais sutil. Quando edito a minha mensagem pessoal no MSN através do Nimbuzz instalado no meu celular, automaticamente aquele conteúdo é atualizado no meu Twitter, Skype, Orkut, blog, Yahoo, Facebook, Google Talk, MySpace e, é claro, MSN. Quando faço isso, tenho aquela sensação de ser uma partícula quântica, que é única mas pode ser vista em diversos locais no espaço.

Fico imaginando o poder do Twitter daqui a alguns meses, talvez um ano ou dois. Além disso, em estudos técnicos sobre o assunto, ficou provado que os usuários do Twitter têm redes mais interconectadas, o que justifica o buzz causado por esse bem-vindo rebento.

Parte final – Follow me?

Como não sei muito bem o que fazer com o Twitter, dei uma pesquisada na internet para saber um pouco mais sobre esse pequeno gênio. Encontrei um artigo interessante sobre o assunto no site http://pontomidia.com.br/raquel/, intitulado "Twitter: Muito barulho por nada?".

Para entender alguns dos motivos que fazem o Twitter ser capaz de gerar tanto buzz, me perguntei: por que isso acontece? Encontrei no site a seguinte resposta dada pela jornalista e professora Raquel Recuerono:

"Primeiro por conta da própria estrutura do Twitter. Como site de rede social, ele permite uma complexificação muito grande de suas redes internas, que parecem ser bastante interconectadas (...). Como é mais conectado, as informações circulam mais rápido e de forma mais abrangente. Segundo porque (...) o Twitter foi adotado como uma ferramenta informacional e é por causa disso que tem uma capacidade muito maior que a dos outros sites de propagar informações e ampliar o seu alcance. Para mim, é nessa característica de difusão de mensagens pela rede que está o diferencial do Twitter e que está a explicação enquanto gerador de buzz. Finalmente, o Twitter foi apropriado por um grupo de usuários de Internet que eu chamei heavy users. Isso significa que são pessoas envolvidas com mídia digital, pessoas que valorizam essas conexões e suas trocas e finalmente, pessoas que possuem outras ferramentas (como blogs, fotologs e etc.) que auxiliam a amplificar o poder de difusão de informações da ferramenta.”


Eu tenho um palpite. Assim como quem usava celular todos os dias, tinha micro em casa e fotografava com câmera digital 15 anos atrás era considerado “heavy user”, imagine o que o Twitter não vai causar quando nós, comuns, estivermos a todo vapor com nossos blogs, fotologs, mídias digitais e sabe lá o que ainda está por vir.

Pródigo ou prodígio, esse menino vai continuar dando muito o que falar. Agora me dêem licença que vou postar o link para este artigo no Twitter. Do you wanna follow me? @rodrrigo.


9 de abr. de 2009

Nostalgia tributária

por Rodrigo Marques Barbosa

Dias atrás, estudando com meu filho de 11 anos, na véspera de sua prova de Geografia, me deparei com uma das definições que mais marcaram minha época ginasial: "o que é uma ilha?".

A frase "ilha é uma porção de terra cercada..." (já conhece, né?) ficou na minha mente a tarde toda, quando me lembrei de um post publicado aqui no blog (Enquanto isso, na Sala de Justiça...), em que falo sobre a sonegação de impostos pela dona da Daslu.

"Mas e aí? Aonde ele quer chegar?", você deve estar se perguntando.

A relação é a seguinte. Do livro de Geografia do meu filho e do post sobre a Daslu, me ocorreu uma ótima definição para a classe média brasileira, cada vez menor, mais isolada, quase que uma ilha perdida no oceano demográfico brasileiro.

É verdade que o total de impostos arrecadados no Brasil no primeiro trimestre de 2009 diminui quase 20%, mas se analisada no longo prazo, a curva nos últimos 20 anos é ascendente e tende para patamares mais altos.

Com isso, sugiro uma nova definição para a sua, a minha, a nossa classe média: uma porção de contribuintes assalariados esfolados por impostos por todos os lados.

Do jeito que as coisas vão, essa ilha some logo, logo.

7 de abr. de 2009

Berlusconi X Freud: is it the mother's fault?


by Rodrigo Marques Barbosa

(Clique aqui para português)

Freud postulated in his works that all figures of authority in our lives are the representation of our own fathers transvested.

We can say that the leader of the nation where we live – being the president, the prime minister, the king, the dictator – is one of those figures of authority. 

A not-well-resolved relationship with our parents and, by inference, with other individuals who exercise authority over us (including bosses and the police) can leave indelible trauma in our lives (citing Freud again). 

Having said that, I wonder how Italians are dealing with their leader
s recent rhetorical abuse. Italian prime minister Silvio Berlusconi has shown the world once again his arrogance during the G20 meeting, which brought together world leaders earlier this month in London.

There were several recent episodes in which Berlusconi broke the protocol, committed gaffes and disrespected the world by mocking on nations representatives. What do Italians have to say about their prime ministers behavior? After all, by analogy to Freuds theory, it is something like watching your own father being rude and mean to the entire neighborhood. 

Even the queen of England, Elisabeth II lost her temper with Berlusconi. She jumped out of the chair when the Italian prime minister started yelling to greet (by far) the U.S. president, Barack Obama.
What is it? Why does he have to shout?, she said, shrugging her shoulders.

The next day was not very different. Continuing with the agenda, the world leaders headed to Strasbourg, France. Germanys chancellor Angela Merkel, one of the hosts of the event, was welcoming the VIP guests on a red carpet. When Berlusconi arrived, he got off the car speaking on his mobile. He then ironically waved to Merkel, turned his backs to her and kept his phone conversation for more than 30 minutes. The meeting started without Italys representative. I wonder if Berlusconi suffered from maternal rejection and now is trying to compensate this lack by repeating the same pattern of his childhood. 

Besides all issues we already have to face in our everyday
s lives, we still have to put up with the tyranny of the leader of one of the richest nations on Earth. And as I said, the issue is not about Berlusconis individual attitudes, but the collective representation of his acts. After all, it is like Italy was mocking on the rest of the world, isnt it? Would that be the real desired manifestation of the Italian people? 

My ultimate anger and the motivation to write this article was Berlusconi's express refusal of the aid offered by several countries to the victims of the earthquakes that have shaken Italy in the last two days.

Okay, I agree that if there is no need for help yet, then those who want to help must direct their efforts to the people who really need help. But what did bother me was Berlusconis rhetoric speech. Take a look at his recent statements:

"Italy is alone capable of dealing with the demands." (Would this be a remnant of his pre-infancy, when his mother neglected him with attention?) 

"We are a proud people. Thank you, but we are self-sufficient." (Ditto) 

Berlusconi said today that 30 million Euros will be directed to help the earthquake victims. But he said later that he will request several hundred million Euros to the European funds.

So will they need help or not? It beats me.

Berlusconi X Freud: a culpa é da mãe?


por Rodrigo Marques Barbosa

(click here for English)

Freud já postulou que todas as figuras de autoridade são a representação da nossa própria figura paterna travestida.

Podemos dizer que o líder da nação onde vivemos, seja o presidente, o primeiro ministro, o rei, o ditador, é uma dessas figuras de autoridade.

Uma relação não bem resolvida com nossos pais e, por inferência freudiana, com os demais sujeitos que exercem autoridade sobre nós (chefes e policiais inclusive) pode deixar traumas indeléveis em nossa existência.

Pois é aí que entra minha indignação com o abuso retórico de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano. Comecei a notar sua petulância ao acompanhar o noticiário sobre o encontro do G20, que reuniu os principais líderes mundiais em Londres no início do mês.

Houve vários episódios em que Berlusconi quebrou o protocolo, cometeu gafes e desrespeitou a todos ao desdenhar dos representantes ali reunidos. Me pergunto sobre como os italianos estão reagindo perante o comportamento de seu primeiro-ministro. Afinal, seguindo o raciocínio freudiano, é como se eles (italianos) vissem seu próprio pai sendo grosso e mal-educado com a vizinhança inteira.

A própria rainha da Inglaterra, Elisabeth II, não se conteve em sua natural discrição britânica e, ao se assustar com um grito de Berlusconi cumprimentando (de longe) o presidente americano, Barack Obama, pulou da cadeira e falou em não alto e bom tom: “por que gritar tanto assim?”.

Como se não bastasse, no dia seguinte, já na cidade de Estrasburgo, na França, o italiano (de extrema direita) deixou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, uma das anfitriãs do evento, desconcertada. Merkel recepcionava, sobre tapete vermelho, os líderes que chegavam de carro para a reunião. Na vez de Berlusconi, ele desceu do carro falando ao celular, acenou ironicamente para Merkel, virou as costas e continuou sua conversa por mais de 30 minutos. Tiveram de começar a reunião sem a presença do italiano. Será que o manda-chuva da terra de Dante sofreu rejeição materna e agora tenta compensar tal carência repetindo o mesmo padrão de sua infância?

Já não bastassem os desaforos a que estamos sujeitos no dia-a-dia, ainda temos de presenciar o líder de uma das nações mais ricas do planeta fazendo desaforos em público. A questão não é a atitude individual de Berlusconi, mas sim a representação coletiva de tudo isso. Afinal, é como se a Itália desdenhasse do resto do mundo. Ou não é? E mais, será que é esse o desejo de manifestação do povo italiano?

A gota d’água para minha indignação e que me levou a escrever este artigo foi a recente recusa expressa de Berlusconi da ajuda oferecida por outros países às vítimas dos terremotos que abalaram a Itália nesta semana.

Tudo bem, concordo que se não há ainda necessidade de ajuda, é melhor mesmo a ajuda possa ser direcionada a quem realmente precisa. Mas o que me incomodou foi, na verdade, a retórica do italiano. Senão, veja as suas declarações na imprensa:

“A Itália é capaz de responder sozinha às exigências."  (Seria esse um resquício de sua pré-infância, quando sua mãe não lhe dava a devida atenção?)

"Somos um povo altivo. Agradeço, mas somos suficientes sozinhos." (idem)

Berlusconi disse na terça-feira (7) que 30 milhões de euros serão utilizados para socorrer os desabrigados. Porém, ele afirmou que posteriormente será feito um pedido aos fundos europeus que pode chegar a algumas centenas de milhões de euros.

Ué? Então quer dizer que vai precisar de ajuda? Vai entender.

Clash of Cultures in the Corporate Environment: The Case of Brawn GP F1 Team


(clique aqui para português)

Brawn GP F1 Team gains second life after Honda withdrawal 

Team regains 42% of disputed points

by Rodrigo Marques Barbosa 

The start of the Formula 1 2009 season inspires reflection on the conflict of cultures in the global corporate environment. I explain.

Two pilots leading the way in the early days of this year's championship were considered has-beens last year. After Honda announced its withdrawal in December, Brazilian pilot Rubens Barrichello was assumed to be retired, and his mate, Englishman Jenson Button, unemployed.

Despite both pilots having no major achievements in their F1 careers (apart from being among the best active pilots in the world), Rubens and Jenson have finished the 2008 season at 14th and 18th, respectively, and now are among the favorites for winning the title. How can this be explained?

Is it the car? This is perhaps the first answer that comes to mind, but what about the team’s backstage administration, something not always considered by the motoring press. That is Ground Zero of the culture conflict that makes or breaks an F1 team. 

I experienced the world of F1 in 2005 and 2006, working at Honda’s office in Brazil. I was the bridge between the team and the car manufacturer. In early 2006, I took a group of journalists to Barcelona, Spain, in the world media event to present car and drivers for that season. 
 
There I was able to witness some of this conflict of cultures. 

Even though Honda acquired 100% of the shares of former BAR Honda at the end of 2005, and from thence over the entire management of the team (something Honda hadn
t done since 1968), the English team's DNA was not altered by any means. The change came in the way things were run. The difference now was that the British had to report to the Japanese executives. 

Watching the training and the race of the Malaysian GP last weekend, I heard a comment from Brazilian TV
s commentator Reginaldo Leme that supports my point. The journalist mentioned that team members (whose majority of members came from former Honda) had complaint that there were too many chiefs in the previous team, run by Honda. As goes the popular saying, a dog with two owners dies of thirst. 

Today, the impression I take from watching the team when celebrating and smiling (at least until the conquest of the second consecutive race by Jenson Button) is that the team breathes more relieved. I even noticed a lighter air in Rubens, a brighter aura, if you will. Is it just an impression?

The fact is that there was indeed  a clash of cultures in the decision making process along with the team. I will not make any value judgment on any culture, but what I witnessed is that, on one hand, there was a staff of Japanese engineers and administrators that pointed to one direction, and on the other hand, a same sized - but subordinated to the first - group of Englishmen who saw the picture in different colors. 

Speculation or not, the results are there for everyone to see. After three seasons considered by critics and fans as mediocre, Honda did not support the weight of the investment (with no return) and gave up the team. Surprisingly, since the current design of the Brawn GP car was initially for a Honda engine, and not Mercedes, the result combined as wine and cheese. Although they still await the trial of the controversial issue of the rear diffuser, the combination of the Mercedes engine with the project captained by Ross Brawn, the team's current owner, is a success, having earned Felipe Massa
s comment that the car is from another planet . 

I will leave to the reader to take any conclusion on why the Brawn GP team got it all right from the beginning. Anyway, the joy of the pilots and other members of the team is pretty much visible. In the pits, on the podium or in the paddock, they are only smiles. 

For us, fans of the sport, a new F1 team is always welcome, especially when it comes to the arena ignoring favorites, and taking home two consecutive poles and two consecutive victories, besides the expressive mark of 25 points gained so far (or 42% of the total disputed until now). As a Brazilian, I am now cheering for Rubens to find his way and compete with Jenson for the position of first pilot of Brawn GP.

4 de abr. de 2009

Choque de culturas no mundo corporativo: o case da Brawn GP

foto: www.brawngp.com

(click here for English)

Após saída da Honda, DNA inglês da Brawn GP ganha nova vida em 2009

Equipe já abocanhou 42% dos pontos disputados até agora

por Rodrigo Marques Barbosa

O início da temporada de Fórmula 1 2009 dá asas a uma reflexão sobre as consequências do conflito de culturas no ambiente corporativo globalizado. Me explico.

Dois pilotos que despontam já no início deste campeonato eram tidos até o final de 2008 como cartas fora do baralho. Após a Honda anunciar sua retirada em dezembro, Rubens Barrichello era considerado aposentado, e o inglês Jenson Button, desempregado.

Pilotos sem grandes conquistas em suas carreiras na F1 (à parte, é claro, o fato de estarem entre os melhores pilotos do mundo em atividade), pergunto: o que explica o fato de Rubinho e Jenson terem terminado a temporada de 2008 em 14º e 18º, respectivamente, e agora iniciarem o campeonato entre os favoritos à conquista do título?

O carro? Esta seja talvez a primeira resposta que vem à mente do leitor, mas penso caber uma análise feita de outra perspectiva: a dos bastidores da administração da equipe, algo nem sempre explorado pela imprensa especializada no automobilismo.

Convivi com o universo da F1 em 2005 e 2006, quando trabalhei no escritório da Honda no Brasil e fazia a ponte entre a equipe de F1 e a montadora. No início de 2006, levei um grupo de jornalistas a Barcelona, na Espanha, para o evento de apresentação à imprensa mundial do novo carro e dos pilotos para aquela temporada. Lá vi de perto um pouco desse conflito de culturas que permeava a equipe.

Mesmo a Honda tendo adquirido 100% das ações da então B.A.R. Honda no final de 2005 e, a partir daí, assumido a gestão integral da equipe (coisa que não fazia desde 1968), o DNA inglês da equipe não foi alterado. A mudança veio mesmo no jeito de tocar o negócio, agora com os ingleses tendo de se reportar aos diretores japoneses.

Assistindo aos treinos e à corrida do GP da Malásia no último fim de semana, ouvi um comentário sutil de Reginaldo Leme que sustenta meu ponto. O jornalista mencionou a reclamação que corre na atual equipe Brawn GP (da qual a maioria dos membros é oriunda da Honda de 2008, projetistas incluídos) sobre o excesso de chefes que havia no ano passado. Já diz o ditado popular que cão de dois donos morre de sede.

Hoje, a impressão que tenho ao ver a equipe Brawn GP comemorando e sorrindo (pelo menos até a conquista da segunda corrida consecutiva por Jenson Button) é a de que o time respira aliviado. Notei até um ar mais leve em Rubinho, uma aura mais brilhante. Será que é só impressão?

O fato é que havia mesmo um choque de culturas nas tomadas de decisões da equipe. Não quero aqui fazer juízo de valor de nenhuma cultura, mas o que pude testemunhar é que, de um lado, havia um staff japonês de engenheiros e administradores que apontava para uma direção e, de outro, de mesmo porte – só que subordinados aos primeiros – um grupo de ingleses que via o quadro em diferentes cores.

Especulação ou não, os resultados estão aí para todo mundo ver. Após três temporadas consideradas por críticos e fãs como pífias, a Honda não suportou o peso do investimento (sem retorno) e abriu mão da escuderia. Surpreendentemente, uma vez que o projeto do atual carro da Brawn GP foi feito para um motor Honda, e não Mercedes, o resultado foi como arroz e feijão. Apesar de ainda haver a pendência do julgamento da questão do polêmico difusor traseiro, a combinação do motor Mercedes com o projeto capitaneado por Ross Brawn, atual dono da equipe, é um sucesso, tendo merecido até o comentário de Massa de “carro de outro planeta”.

Prefiro deixar para o leitor a conclusão sobre o porquê de a equipe ter acertado a mão neste início de campeonato, mas é notória a alegria de pilotos e demais membros da equipe Brown GP. Nos boxes, no pódio ou no paddock, eles são só sorrisos.

Para nós, fãs do esporte, é sempre bem-vinda uma nova equipe à F1, sobretudo quando esta chega desbancando favoritos e arrebatando consecutivamente duas poles e duas corridas (a primeira na Austrália com direito à dobradinha) e a expressiva marca de 25 pontos (ou 42% do total disputado até agora). No mais, é torcer para que Rubens acerte a mão e dispute com Jenson o posto de primeiro piloto da Brawn GP.