15 de mai de 2009

"Morreu na miséria, mas morreu em Copacabana"

Fausto Wolff em foto de Cristina Carriconde

A frase que intitula este post é do meu querido amigo Rivaldo Brito. E ela se refere ao bravo brasileiro
Fausto Wolff, jornalista e escritor, morto no final do inverno de 2008 (5/set). Não chegou a fazer a primavera.

Pretendo aqui não falar da vida e obra de Wolff (outros muito mais competentes já o fizeram). Mas o que me impulsionou a escrever esta nota foi a força do testemunho que Rivaldo compartilhou comigo ontem numa mesa de bar aqui em São Paulo.

Wolff nasceu e morreu pobre. Mas conheceu o mundo, desde suas relíquias até suas mazelas. Viajou, comeu, bebeu, trepou. Não empurrou a vida com a barriga. Respeitou sempre sua autonomia de vida, com a vida, para a vida.


Praia de Copacabana, RJ

Rivaldo me contou que esteve na plateia de uma palestra proferida por Wolff em junho de 2003, em que o polêmico jornalista mostrou um pouco dessa que chamei de 'sua autonomia'. Talvez não da forma mais ortodoxa nem tãopouco diplomática, mas da sua forma.

Após reclamar do trânsito caótico de São Paulo (chegou a abrir o discurso com a frase "essa cidade de vocês é uma merda!") e sugerir que no lugar do copo d'água poderia estar uma dose de uísque, Wolff foi logo metralhando (quem atira é pra se defender?) que, mesmo sem ter um puto no bolso, poderia, se quisesse, ao discar de um número de celular de amigos, ir para a Dinamarca no dia seguinte.


Caricatura de Wolff by Caruso: relançamento do Pasquim

Sem querer aqui fazer juízo de valor ou taxá-lo de arrogante, há de se apreciar em Fausto (e ele fazia jus ao nome: fausto = grande e wolff = o lobo, apesar de esse ser o pseudônimo de Faustin von Wolffenbüttel) sua autenticidade, espontaneidade e audácia. Talvez ingredientes que invejamos nele e, por isso, alguma certa ou eventual repulsa quando em contato com suas manifestações.

Mas o arremate da vida de Fausto, segundo ele mesmo já deixou transparecer em várias ocasiões, foi morrer em Copacabana. Afinal, como só temos um palpite sobre o outro lado, é sempre válido aproveitar o aqui e o agora da forma que cada um escolher. E, sobretudo, deixar de invejar as escolhas do outro, ainda mais quando não temos os culhões nem para escolher para nós mesmos.


A linda e calma Dinamarca



Acima e abaixo: folheto da palestra de Wolf de que participou meu amigo Rivaldo




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