26 de mai de 2009

"Ainda bem que o Lula não é intelectual", satiriza Delfim



Participei hoje do 5º Congresso da ANBID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), realizado no World Trade Center, em São Paulo.

A palestra que mais me chamou a atenção (e também me preveniu do sono pós-almoço) foi a do economista Antônio Delfim Netto (foto acima).

Do alto dos seus 81 anos, completados no último 1 de maio, Delfim estava muito à vontade. Falou de economia como se falasse da coisa mais trivial do mundo e ainda demonstrou um bom humor (bem afiado, é verdade) que fez a plateia chacoalhar com risadas por diversas vezes.

Para não entrar no economês (apesar de Delfim ter sido extremamente claro e objetivo -- foi o único palestrante a utilizar gráficos simples, simbologia e puro "preto e branco" nos seus slides), transcrevo em seguida algumas das pérolas (outras nem tanto) ditas por ele:

Sobre as eleições presidenciais de 2010:

"Só um intelectual quereria um terceiro mandato. Ainda bem que o Lula não é intelectual."

Sobre o Ministério Público:

"O Ministério Público do Brasil é exibicionista."

Sobre o pré-sal:

"O pré-sal é um presente de Deus para o Brasil. Mas não é de graça: fica a 300 km da praia e a seis mil metros de profundidade."

Ainda sobre o petróleo:

"O petróleo deverá ser usado no futuro não para gasolina, mas sim para seus fins mais nobres, como o petroquímico."


Sobre a economia (o tema da palestra de Delfim foi "De que forma a crise global afeta o cenário econômico nacional"), o ex-Ministro demonstrou muito otimismo, é claro, sempre baseado em dados e fatos e projeções.

Delfim e sua equipe da Ideias Consultoria preveem uma retomada do crescimento do PIB brasileiro a partir do terceiro trimestre deste ano. A projeção é o PIB subir um ponto percentual por trimestre, consecutivamente, até as eleições de 2010, quando então, segundo ele, o crescimento deverá se estabilizar em torno de 5% ao ano durante a próxima década.

15 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom hein!!
MAs agora estou me indagando.. o que q o "sr Delfim" quis dizer com "Só um intelectual quereria um terceiro mandato. Ainda bem que o Lula não é intelectual." rsrrsrss....
Myriam Teodoro

Marco disse...

Até faz sentido... Lembro de quando Lula mencionou sobre a herança maldita de FHC, aquela herança que "obrigou" sua turma a manter os padrões do plano econômico então vigente, colhendo frutos hoje (ainda mais com a crise. Mas eu fico imaginando se a Estela pensa da mesma forma (mesmo sendo acometida de câncer).

Anônimo disse...

Puxa que gente fina esse Delfim...

Justo ele que assinou o Ato Institucional N° 5, um marco do terrorismo estatal e da ditadura brasileira, que não durou três mandatos mas seis, de Castelo Branco a Figueiredo, e foi de 69 a 85.

Esse sim tem todo o direito de abrir a boca.

De "intelectuais" como ele eu quero é muita distância.

Rodrigo Marques Barbosa disse...

Pois é, Anônimo, viver num país com democracia constitucional nos permite conviver com diferenças.
Apesar de eu nem ser nascido à época do AI-5, respeito e defendo com a minha vida o direito do outro de pensar o que quiser.
Pior que assinar o AI-5, é assinar um post anonimamente. A propósito, anonimato é contra a lei. Constituição Federal, Art. 5°, IV - "É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato."
E agora, quer nos dizer seu nome?

Anônimo disse...

Rodrigo:

Esquecendo as questões partidárias, não se discute a evolução do Brasil e a nossa posição econômica vantajosa.
No entanto, preocupa-me as manifestações inadequadas e truculentas do nosso Presidente.
Fica a dúvida: quando o Obama, líder da maior economia do mundo, falou que o Lula, líder do país emergente mais importante, era o cara, se ele estaria falando sério.

Saudações,
Jorge Canal Michalski
Consultor/Consultant at CONTATO Consultoria

Anônimo disse...

Olha Rodrigo, eu nao tenho partido no Brasil, voto por pessoas. E, na minha opiniao pessoal, o Presidente Obama nao estava brincando. Por incrivel que pareca, o Brasil e o atual Presidente sao muito respeitados no exterior. O Delfim pode ser um intelectual mas infelizmente esteve no Governo numa epoca muito infeliz para 99% dos brasileiros, o que me faz pensar que eu preferiria votar por alguem com habilidades de lideranca e sentido comum que um intelectual se todos os intelectuais fossem como Delfim Neto para governar.

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Rutilea Provete Comp & Ben Manager at Philip Morris

Anônimo disse...

Rodrigo
No meu entendimento, apolítico e apartidário (concordando com o posicionamento da Rutilea), a questão da política no Brasil não está na qualidade técnica e sim na liderança e vontade de resolver os problemas.

Acredito que as palavras do Presidente americano foram verdadeiras. Não se pode negar o sucesso do Lula na Política Socio-econômica do Brasil, que em plena crise mundial (em fase de recuperação felizmente), consegue o percentual de 73% de avaliaçao entre Boa e Ótima.

O grande diferencial do Lula, pelo menos na parte econômica, foi colocar uma pessoa técnica para comandar o Banco Central. Banqueiro cuidando de Banco.

Tenho pensado muito no processo de desvinculação da Administração Pública da Política. Acho que isso acabaria com 90% dos problemas de nosso País. Ainda vou apresentar um projeto destes.

Político não é Administrador, acho que se enquadraria mais para Relações Públicas.

Abraços
Paulo Martins Jr

Anônimo disse...

Bom dia.
se o presidente de um pais emergente, com a maior jazida de petroleo do ocidente, ainda por ser explorada, com potencial energetico renovavel, popularidade invejavel a qualquer lider do mundo democratico nao for o cara, quem seria?
certamente Obama nao brincava ao dizer o que disse e nem o presidente frances fez por demais ao receber Lula no aeroporto e jantar com ele, preterindo outros lideres do G20.
ja deu a hora de subestimar o pais que vivemos, elevar apenar figuras dos esportes e outros vultos de midia e começarmos a atentar em lideres politicos que emergem, sem o preconceito que para ser lider deveria ser intelectual.

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Edson De Marchi consultor at pryor consulting service

Anônimo disse...

Me desculpem, mas certamente Obama estava de brincadeira....

Concordo com o ponto de vista do Edson, qualquer um que estivesse presidente seria "o cara".

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Luiz Carlos
Associate Director at Corrhect - Gestão em Recursos Humanos Ltda.

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Luiz Carlos Associate Director at Corrhect - Gestão em Recursos Humanos Ltda.

Anônimo disse...

Ainda mais quando "o Cara" saiu de uma das regiões mais pobres do mundo em pau de arara, começou a vida trabalhando na rua, a carreira profissional como torneiro mecânico e, até por causa de sua condição social, não teve condições de dedicar-se a uma formação acadêmica, se torna presidente da República, desempenhando esse papel com sucesso.
Tá certo que ele "pegou a casa arrumada". Mas, felizmente para nós, teve a competência de não fazer muito estrago em tudo o que seu antecessor corrigiu e considero que, de fato, evoluiu nas políticas sociais - que muitos criticam como populistas, mas não conheceram de perto a miséria, como foi o caso "do Cara".
Apesar de nunca ter sido seu eleitor e ser partidário convicto da oposição (me identifico muito mais com os intelectuais do PSDB), tenho que concordar que ele é "o Cara", ou, pelo menos, um líder que merece mesmo respeito e admiração dos seus pares.

Jean Silva

Anônimo disse...

É, a frase sobre o Lula dita por Obama, considerando a sua credibilidade e a sua popularidade mundial, deixou muita gente sem saber aonde se meter no Brasil. Lula é como time de futebol: ou você gosta, ou não vai gostar nunca. Lula é como se fala de Brasília ou de Salvador na Bahia: tem gente que ama e tem gente que odeia. Estes, nunca vão mudar de idéia, reconheçam, aconteça o que acontecer de bom, no fim vão dizer "não gosto dele e pronto!" Passaram muito tempo torcendo contra, votando contra, para mudar de idéia agora. Acredito que a crise no Brasil vai passar como como uma marola mesmo, e vai deixar marcas mais profundas no mundo, e não haverá reconhecimento por parte dos que são contra - jamais. Não que eu não veja defeitos sérios como o aumento da despesa federal, que deveria aproveitar o bom momento para reduzi-la e começar um longo plano de redução de impostos, mas isso é um sonho.

Sergio Porch

Anônimo disse...

Quando o Obama falou "esse é o cara" a mídia brasileira deixou no ar se a afirmação era deboche ou ironia.

Na data, entrei no Financial Times e New York Time - e perguntei para um amigo meu que é cientista político na Austrália: o Obama afirmou isso para o Kevin Rudd (primeiro ministro australiano).

A percepção da mídia internacional e na Austrália era que a afirmação foi legítima.

Agora, Delfim está certo: que lugar de intelectual é escrevendo paper e não em política é comum no mundo. No Brasil que professorzinhos viram ministros e coisas do gênero ( e sou docente universitário).

Abraço

roberto ruiz

Anônimo disse...

O Lula e'o cara mesmo. Depois de tudo que falaram aqui, chego a esta conclusao. A lideraca e a forca para resolver problemas, vai ser a "pedra do sapato"de muitos no G20. Nao vai ser qualquer "statement" ou "almoco" que vai mudar isto... O cara e'chato mesmo....ainda bem! rsrsrs.

PS: Nao voto nele nem no partido dele... Sou Serra de carteirinha.

Abraco,

Rodrigo Pinheiro

Anônimo disse...

Na realidade, Obama só fez esse comentário para poder "usar" o Brasil como seu aliado nas decisões da América Latina. Tanto o nosso querido presidente não é o líder que pensa nem o "cara" importante que se acha que perdemos a indicação à OMC essa semana justamente com voto contrário dos EUA e China. Só ele não percebe isso.

Alexandre Baroni

Rodrigo Marques Barbosa disse...

Pessoal, muito obrigado a todos pelos comentários muito ricos!

São sempre bem-vindos a visitar, comentar, criticar e colaborar com o blog 'Passa boi, passa boiada' ( http://passaboipassaboiada.blogspot.com )

Entrevistei hoje o Ministro Miguel Jorge. O texto será publicado na segunda.

Abraços e bom fim de semana!

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