30 de mai de 2009

O homem que Kant gostaria para o Brasil


Entrevista exclusiva para o blog


Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Ouça a entrevista na íntegra:


por Rodrigo Marques Barbosa
Quem seria o homem ideal para assumir um cargo político? Quem teria isenção para pensar no coletivo e agir em favor deste, senão aqueles que já têm autonomia e independência financeiras, conquistadas pré-mandato? Segundo o alemão Immanuel Kant, que viveu no século XVIII e é considerado como o último filósofo dos princípios da era moderna, os homens financeiramente independentes são os mais indicados para assumir cargos públicos em razão de poderem agir sem objetivos econômicos e apenas cultivarem interesses voltados para o bem-comum. Sim, eu também leio o que acabo de escrever e quase não levo a sério. Afinal, a imagem que temos do servidor público está distante anos-luz do que Kant propôs quase 300 anos atrás. Mas também é nossa obrigação olhar para as oportunidades que estão à nossa volta, e não apenas focar nos problemas, como as sacanagens homéricas de autoria dos nossos políticos.

'Passa boi, passa boiada' participou, na última sexta-feira (29), do seminário sobre Comunicação Corporativa promovido pela Universidade Metodista de São Paulo, no campus de São Bernardo do Campo. Um dos convidados foi o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, jornalista Miguel Jorge. Nascido em Ponte Nova, na zona da mata mineira, Jorge teve uma carreira meteórica, não em termos de tempo (apenas), mas em amplitude e importância para o Brasil. Começou em 1963 como repórter da sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo. Três anos mais tarde participou da criação do Jornal da Tarde, ocupando posições como repórter geral até subsecretário de redação. De 1977 a 1987, foi diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo, de onde saiu para integrar a diretoria da então recém-criada Autolatina (joint-venture entre Volkswagen e Ford). Com o fim da empresa, foi para Volkswagen do Brasil, onde assumiu o cargo de vice-presidente de assuntos legais, recursos humanos e assuntos corporativos. Em janeiro de 2001, o grupo Santander Banespa o convidou para assumir a vice-presidência de assuntos corporativos, função à qual se incorporaram as áreas de recursos humanos e assuntos jurídicos. Em março de 2007, após uma ligação do presidente Lula, Jorge aceitou seu convite para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Sem dúvida, uma trajetória marcada por sucesso e realização, alcançados no mundo corporativo, de forma isenta, e que agora, de acordo com o ideal de Kant (na imagem da pintura acima), se volta para o bem-comum.

Confira, com exclusividade, a entrevista concedida pelo jornalista e ministro Miguel Jorge ao blog 'Passa boi, passa boiada' (PBPB):


Fotos de Jô Rabelo

PBPB: O senhor começou sua carreira como repórter de jornal, participou do processo de criação da Autolatina, foi vice-presidente da Volkswagen e do banco Santander, e hoje está no Governo como Ministro de Estado. Caso semelhante é do Sr. Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central. Eu tive a experiência de trabalhar, indiretamente, na equipe dele no BankBoston no final da década de 90. Ele, então, estava bem colocado, era à época presidente mundial do banco. Pergunto: mesmo com a motivação do servir à Pátria, mesmo com a possibilidade de voltar ao mercado de forma ainda melhor após o período no Governo, como é abrir mão de uma posição de VP de um banco multinacional? O que motiva um profissional com tanta experiência, tanta bagagem, com pista para seguir nesse mundo corporativo, a deixar sua carreira para participar do Governo, levando-se em conta o risco e tudo o que isso pode trazer de bom e de ruim?

Miguel Jorge: Primeiramente, fui jornalista muito tempo. Atuei durante 24 anos como jornalista. Depois fiquei mais 14 anos na Volkswagen e outros seis anos e meio no Santander. Ou seja, durante boa parte da minha vida eu trabalhei com produção. Portanto, eu achava que poderia dar minha contribuição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Se fosse um outro Ministério, dificilmente eu teria aceitado. Além disso, o fato de eu ter uma relação pessoal com o Presidente Lula me ajudou na decisão, pois também vi que ele poderia me ajudar na minha atuação como ministro. Outra coisa foi o fato de eu conhecer muito a estrutura desse ministério. Durante todos os anos na indústria automobilística, a minha relação mais forte como representante da Volkswagen – e muitas vezes como representante do próprio setor – era com esse Ministério, à época chamado apenas de Ministério da Indústria e Comércio. Depois de um determinado ponto na sua carreira, ou seja, após ter sido VP da Volkswagen, VP do Santander – que é um dos cinco maiores bancos do mundo – restam poucos lugares para ir. Portanto, mesmo que alguns pensem ser babaquice, chega uma hora que você realmente pensa que tem de dar uma contribuição. Tem de ajudar a fazer com que as coisas aconteçam com a melhor das intenções, com muita dedicação.

Da esq. à dir., ministro Miguel Jorge, prof. João Evangelista (Metodista), e Rolf-Dieter Acker, presidente da Basf América do Sul

PBPB: O Sr. se realizou ou está se realizando nisso que o motivou a ir para o Governo?

Miguel Jorge: Com todas as dificuldades que há no Governo, como, por exemplo, levar quatro meses para conseguir vacinas contra a gripe para as pessoas com mais de 60 anos é complicado. Numa empresa privada, você consegue resolver e fazer isso acontecer em 24 horas. No meu ministério, levamos quatro meses para fazer a concorrência, aprovar o plano etc. Só agora, na última terça-feira (26), a vacinação teve início. Eu fui o primeiro lá na fila para tomar a vacina. Mas mesmo com toda essa dificuldade, com toda essa burocracia da estrutura, que é muito pesada, é possível realizar muita coisa. E numa fase como a que nós estamos passando, com essa crise difícil, nós temos trabalhado muito. É claro que o país já tinha fundamentos muito fortes, mas as ações do Governo têm sido rápidas e têm nos ajudado a superar a crise. Além disso, a experiência que você traz da iniciativa privada ajuda muito nesse caso.

Alunos da Metodista durante seminário sobre Comunicação Corporativa

PBPB: Vamos falar agora não do ministro, não do executivo, mas do Miguel, do ser humano que está aí dentro, que deve estar acima de tudo isso. Como o senhor se vê frente às suas escolhas, à sua realização pessoal, profissional, às etapas por que já passou e agora ter chegado aonde está?

Miguel Jorge: É a primeira vez que me perguntam isso, apesar de eu já ter refletido muito sobre essa questão. Eu nunca tinha pensado em conquistar tudo isso. Eu comecei como repórter. Nunca pensei que de repórter eu passaria a subeditor, editor, chefe de reportagem, depois diretor de redação de um jornal como o Estadão. E de repente, num almoço aqui em São Bernardo do Campo, fui convidado pelo Sauer (Wolfgang Sauer, ex-presidente da VW e da Autolatina). Realmente fui surpreendido por isso. Enquanto ele (Sauer) me contava a história do que seria a Autolatina, eu pensava ‘essa vai ser a grande matéria de domingo do Estadão’. Mas não. Quando ele terminou a conversa, me disse: “eu queria que você fizesse parte da equipe de direção dessa empresa”. A mesma coisa aconteceu quando eu fui para o Santander. E também quando recebi uma ligação do presidente Lula: “Miguel, você pode vir aqui a Brasília? Tenho um assunto para tratar com você.” E eu não tinha a menor ideia sobre o que seria a conversa, porque não sabia que meu antecessor estava então de saída. Eu sou neto de libaneses por parte de pai, e os libaneses têm uma expressão chamada ‘maktub’, que quer dizer ‘estava escrito’. Eu sou um pouco fatalista. Eu nunca planejei nada. As coisas aconteceram. E aconteceram de uma maneira muito maior do que eu poderia um dia imaginar na minha vida.

29 de mai de 2009

"Diálogos dos Pênis" em curta temporada no WTC em SP

Como não é objetivo deste blog escrever resenhas teatrais nem similares, vou apenas dar a dica e contar um pouquinho da peça a que assisti hoje, na companhia da minha querida amiga Dafna, no teatro do World Trade Center, em São Paulo.

Pois bem. Trata-se de "Diálogos dos Pênis", escrita e dirigida por Carlos Alberto Novaes e estrelada pelos 'monstros do palco' Roberto Frota e Marcos Wainberg, respectivamente nessa ordem na foto acima. Os dois já viajaram o Brasil apresentando o espetáculo.

O ritmo da peça flui de forma agradável. Não graças ao texto (fraco), mas sim ao gigante domínio do palco que os dois atores detêm. Misturando improvisos com adaptações ao original, a dupla arranca risadas da plateia do começo ao fim do show.

A melhor piada, na minha opinião, foi sobre a lei seca aqui no estado de São Paulo. Os dois amigos começam a discutir a respeito de beber e dirigir, quando um deles se questiona: "A noite anda estranha. Quase não se veem mais embriagados por aí. Quem será que anda comendo as barangas?". E por aí vai.

É claro que não se trata de um programa que desafie suas fronteiras intelectuais. Mas, afinal, quem quer ser desafiado o tempo todo? Melhor ainda, quem não quer relaxar, dar boas risadas e curtir um bom teatro na companha dos amigos?

28 de mai de 2009

Vinhos, amigos e um argentino diferente dos outros



O mundo do vinho é mesmo surpreendente. Participei ontem de uma degustação em São Paulo oferecida por algumas importadoras (entre elas a Mistral e a Grand Cru).

O evento aconteceu no Restaurante Ávila, localizado no bairro do Itaim Bibi (rua Bandeira Paulista 520).

Os vinhos não eram lá muita coisa, mas a empanada do Ávila é sensacional. Fiquei de voltar lá para experimentar as carnes.

Mas o que valeu mesmo foi ter conhecido as pessoas. Daí eu dizer no início desta nota que o vinho surpreende sempre. É uma forma nobre, prazerosa e descontraída de passar o tempo, fazer relacionamento e, é claro, aumentar seu conhecimento de causa, no caso, enóloga.

Além do Guillermo, proprietário do Ávila e vindo lá do interior dos pampas argentinos, conheci o pessoal da foto aí acima: à esquerda, o sommelier Fabiano Aurélio, da Grand Cru; no centro, Carlos Alberto Costa (diretor da Caçula de Pneus), e eu, à direita.

O Guillermo é um argentino diferente dos outros. Muito simpático! ;) Brincadeiras à parte, foi um prazer conhecê-lo e falar sobre carnes, tema de que ele é mestre. Vou cobrar dele agora o livro que me confidenciou ter na cabeça há anos.

Entre conhecer pessoas interessantes e beber (um razoável) vinho, o Carlos e eu ainda tivemos uma ideia de implementar um projeto de sustentabilidade social voltado para o uso de pneus que não têm mais uso.

Vamos conversar mais sobre o projeto e, assim que tiver novidades, será um prazer postar aqui para vocês.

Saúde!

26 de mai de 2009

"Ainda bem que o Lula não é intelectual", satiriza Delfim



Participei hoje do 5º Congresso da ANBID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), realizado no World Trade Center, em São Paulo.

A palestra que mais me chamou a atenção (e também me preveniu do sono pós-almoço) foi a do economista Antônio Delfim Netto (foto acima).

Do alto dos seus 81 anos, completados no último 1 de maio, Delfim estava muito à vontade. Falou de economia como se falasse da coisa mais trivial do mundo e ainda demonstrou um bom humor (bem afiado, é verdade) que fez a plateia chacoalhar com risadas por diversas vezes.

Para não entrar no economês (apesar de Delfim ter sido extremamente claro e objetivo -- foi o único palestrante a utilizar gráficos simples, simbologia e puro "preto e branco" nos seus slides), transcrevo em seguida algumas das pérolas (outras nem tanto) ditas por ele:

Sobre as eleições presidenciais de 2010:

"Só um intelectual quereria um terceiro mandato. Ainda bem que o Lula não é intelectual."

Sobre o Ministério Público:

"O Ministério Público do Brasil é exibicionista."

Sobre o pré-sal:

"O pré-sal é um presente de Deus para o Brasil. Mas não é de graça: fica a 300 km da praia e a seis mil metros de profundidade."

Ainda sobre o petróleo:

"O petróleo deverá ser usado no futuro não para gasolina, mas sim para seus fins mais nobres, como o petroquímico."


Sobre a economia (o tema da palestra de Delfim foi "De que forma a crise global afeta o cenário econômico nacional"), o ex-Ministro demonstrou muito otimismo, é claro, sempre baseado em dados e fatos e projeções.

Delfim e sua equipe da Ideias Consultoria preveem uma retomada do crescimento do PIB brasileiro a partir do terceiro trimestre deste ano. A projeção é o PIB subir um ponto percentual por trimestre, consecutivamente, até as eleições de 2010, quando então, segundo ele, o crescimento deverá se estabilizar em torno de 5% ao ano durante a próxima década.

24 de mai de 2009

Comentário feito via Twitter por Mauricio de Sousa (@mauriciodesousa) sobre o poema "Minha primeira namorada":

Muito obrigado, Mauricio! É uma honra receber seu elogio! Sou seu fã desde que me conheço por gente.

Abraços e sorte!

19 de mai de 2009

Sobre desejo e necessidade ou Carta Aberta a Gandhi


“A Terra tem tudo o que precisamos para viver. Mas apenas o necessário.”

Mahatma Gandhi (1869-1948)

São Paulo, 19 de maio de 2009


Nobre Sr. Gandhi,

Com todo meu respeito e admiração ao seu legado deixado à humanidade, permita-me fazer uma pergunta sobre sua frase que aqui me empresta como epígrafe:

Será mesmo que só precisamos do necessário?

Sei que há aí nessa minha contestação um certo paradoxo, afinal, o que é necessário deveria, por sua vez, englobar tudo o que nos basta. Não é mesmo? Ora, o que não é necessário seria dispensável. Seria?

Na minha opinião, tudo aquilo que é necessidade é mais chato. Já o que é desejo é sempre prazeroso.

Hoje entendo melhor o slogan (que, aliás, um ex-chefe meu, Sr. André Gonçalves – in memorian –, participou da criação):

“Diners. O cartão de quem não precisa.”

Ou seja, o cartão seria para aqueles que querem (e podem ter) os momentos de desejo, e não apenas os de necessidade.

Senão, vejamos alguns exemplos que gostaria de lhe compartilhar:

A obrigação é necessidade. A liberdade é desejo.

Sexo é necessidade. Sexo com amor é desejo.

A proteína da carne é necessidade. A picanha argentina é desejo.

A viagem a trabalho é necessidade. A viagem de férias é desejo.

Ler é necessidade. Ler Drummond é desejo.

Dormir é necessidade. Acordar é desejo.

Flavonoide é necessidade. Chocolate é desejo.

Vitamina C é necessidade. Suco de laranja é desejo.

O outro é necessidade. O amor do outro é desejo.

Tocar é necessidade. Carinho é desejo.

O amor de necessidade castra. O amor de desejo é liberto.

Respirar é necessidade. Suspirar é desejo.

Ouvir é necessidade. Música é desejo.

Parente é necessidade. Amigo é desejo.

Trabalhar é necessidade. Ajudar é desejo.

Blogar é minha necessidade. Você ler esse blog é meu desejo.

Para arrematar: Segundo Camões, “viver não é preciso. Navegar é preciso.” O resto é desejo.

Eu quero mais é desejar.

Porque, afinal, o que é necessidade a gente vai dar um jeito mesmo. Por obrigação. E não por escolha.

Já o desejo, não. Esse é por opção. Por vontade própria. Por decisão. É abrir mão de uma coisa em troca de outra. É desejar. É fazer o Universo se expandir.

E, assim, comungar com a divindade e o poder de criação que há em cada um de nós. Pois a necessidade é só necessidade. Já o desejo é criação.

Muito obrigado pela sua atenção.

Cordialmente,

Rodrigo Marques Barbosa

15 de mai de 2009

Nuvem de palavras



Tem um blog, um site, um documento? Quer saber quais palavras aparecem com mais frequência, destaque etc.?

Acesse http://www.wordle.net/ e divirta-se!

Essa aí de cima é a nuvem deste blog.

Illusions



Illusions

Mare nostrum gushing out
to the poor sailor's red eyes
the mirage of a mermaid.

Rodrigo Marques Barbosa

"Morreu na miséria, mas morreu em Copacabana"

Fausto Wolff em foto de Cristina Carriconde

A frase que intitula este post é do meu querido amigo Rivaldo Brito. E ela se refere ao bravo brasileiro
Fausto Wolff, jornalista e escritor, morto no final do inverno de 2008 (5/set). Não chegou a fazer a primavera.

Pretendo aqui não falar da vida e obra de Wolff (outros muito mais competentes já o fizeram). Mas o que me impulsionou a escrever esta nota foi a força do testemunho que Rivaldo compartilhou comigo ontem numa mesa de bar aqui em São Paulo.

Wolff nasceu e morreu pobre. Mas conheceu o mundo, desde suas relíquias até suas mazelas. Viajou, comeu, bebeu, trepou. Não empurrou a vida com a barriga. Respeitou sempre sua autonomia de vida, com a vida, para a vida.


Praia de Copacabana, RJ

Rivaldo me contou que esteve na plateia de uma palestra proferida por Wolff em junho de 2003, em que o polêmico jornalista mostrou um pouco dessa que chamei de 'sua autonomia'. Talvez não da forma mais ortodoxa nem tãopouco diplomática, mas da sua forma.

Após reclamar do trânsito caótico de São Paulo (chegou a abrir o discurso com a frase "essa cidade de vocês é uma merda!") e sugerir que no lugar do copo d'água poderia estar uma dose de uísque, Wolff foi logo metralhando (quem atira é pra se defender?) que, mesmo sem ter um puto no bolso, poderia, se quisesse, ao discar de um número de celular de amigos, ir para a Dinamarca no dia seguinte.


Caricatura de Wolff by Caruso: relançamento do Pasquim

Sem querer aqui fazer juízo de valor ou taxá-lo de arrogante, há de se apreciar em Fausto (e ele fazia jus ao nome: fausto = grande e wolff = o lobo, apesar de esse ser o pseudônimo de Faustin von Wolffenbüttel) sua autenticidade, espontaneidade e audácia. Talvez ingredientes que invejamos nele e, por isso, alguma certa ou eventual repulsa quando em contato com suas manifestações.

Mas o arremate da vida de Fausto, segundo ele mesmo já deixou transparecer em várias ocasiões, foi morrer em Copacabana. Afinal, como só temos um palpite sobre o outro lado, é sempre válido aproveitar o aqui e o agora da forma que cada um escolher. E, sobretudo, deixar de invejar as escolhas do outro, ainda mais quando não temos os culhões nem para escolher para nós mesmos.


A linda e calma Dinamarca



Acima e abaixo: folheto da palestra de Wolf de que participou meu amigo Rivaldo




8 de mai de 2009

It's Friday!

Cheguei há pouco em casa, abri a janela do quarto, e eis o que me dá as boas-vindas: a mágica e sedutora Lua!

Minha amiga Malu (que tem lua até no nome) já prontamente me contou que a de hoje é a lua mais importante do ano.

Trata-se da lua 'wesak' e é uma boa oportunidade para meditar e também renovar nossos pedidos à luminária mais próxima da Terra.

O pico da influência do fenômeno vai se dar entre 4h e 8h desta madrugada.

De toda forma, independentemente da crença de cada um, vale a pena sair para uma caminhada ao luar e apreciar a beleza que nos cumprimenta todas as vezes que nos deixamos fundir com a natureza.

Um ótimo fim de semana a todos.

6 de mai de 2009

Da denotação à conotação no Twitter


Ufa! Que alívio. Parece que o pessoal não está mais levando tão ao pé da letra a frase no twitter: 'What are you doing?'.

Faz já um tempinho que não vejo mais updates do tipo:

'@fulano estou comendo uma torta de banana'.

'@sicrano vou lavar meu carro'.

'@beltrano comprei uma bolsa nova'.

E eu: '@rodrrigo zzzzzzzzzzzzz'.

A propósito, como já até comentei em outro post aqui no blog, fiquei supreso com o movimento coletivo no twitter durante a Virada Cultural em São Paulo.

Pelo jeito, o passarinho vai tomar conta mesmo.

E você? O que acha?


A exceção da regra que toda regra tem exceção




Quando eu era moleque, na década de 80, um senhorzinho muito simpático (me escapa da memória agora o seu nome), que trabalhava na portaria do prédio lá de casa, me propôs um exercício de lógica, que repasso a vocês aqui no blog:

1) Consideremos que toda regra tem uma exceção.

2) Essa é, em si mesma, uma regra.

3) Sendo uma regra, ela própria tem sua exceção (postulado 1).

4) Ou seja, existe uma regra que, por ser a exceção da regra (2), não tem exceção.

Capisce? ;)

Você tem algum palpite sobre qual é a regra que não tem exceção?

Curioso para saber o meu palpite? Leia aqui e descubra!

Comentários sempre bem-vindos!


5 de mai de 2009

Será mesmo que seus "updates" são lidos no Twitter?


Estou aqui matutando com meus botões sobre o quanto de gás o pessoal vai ter para digerir o Twitter, o mais recente fenômeno da internet no mundo.

Quanto ao seu sucesso, nem questiono mais. Cheguei até a escrever uma crônica sobre o assunto em "Twitter: uma biografia não autorizada", onde numa espécie de realismo fantástico tento narrar um pouco do ponto de interrogação que o 'passarinho' coloca na nossa testa.

Mas após algumas semanas de experiência de uso do Twitter, posso dizer que a ferramenta veio para ficar.

Só uma coisa tem me incomodado. Como se pudesse ser diferente, o indicador de sucesso de quem usa o bicho tem sido o número de seguidores que cada twitteiro consegue amealhar. Mas é aí que entra, na minha modesta opinião, o grande dilema.

O barato de twittar é justamente interagir com seus 'followers' e 'followings' a fim de intercambear dicas, informações, trocar mensagens, atualizar o status de um projeto, evento etc.


Tanto é que a Virada Cultural em São Paulo, ou #viradacultural -- como o pessoal twittou no último fim de semana -- foi um grande laboratório para experimentação do twitter. A interação entre veículos de comunicação e seus leitores ou ouvintes foi tamanha que acabou por gerar uma espécie de 'agendona' geral do evento.

Para não me estender mais, só quero perguntar: de que vale ter mil, dois, três mil seguidores ou até mais, se não há interação entre as partes?

Ou será que o pessoal que sai adicionando pessoas à sua rede no Twitter pensa mesmo que os outros vão ler seus updates?

Está aí a questão: contribua com seus comentários.

A propósito, estou twittando em @rodrrigo. Seja bem-vinda(o)!


3 de mai de 2009

Daremos conta de uma Copa e de uma eventual Olimpíada no Brasil?




Como todo são-paulino bem educado, meus cumprimentos e felicitações ao Esporte Clube Corinthians Paulista pela conquista do título de campeão paulista 2009.

Meu único comentário sobre o jogo, ou melhor, sobre o final do evento:

Será que nós, brasileiros, realmente estamos preparados para sediar a Copa do Mundo de 2014? Quem diria então os Jogos Olímpicos em 2016?

O incidente quase acidente, durante a entrega do troféu no final da partida de hoje, deu sinais da nossa incapacidade de organizar eventos esportivos de forma decente: o incêndio na gaiola em que estavam o zagueiro William, o presidente do Corinthians e o ministro dos Esportes poderia ter acabado com a festa, 'queimado' nosso filme com o pessoal do C.O.I. (Comitê Olímpico Internacional), sem contar no risco de morte ou queimaduras graves que correram as pessoas envolvidas.

Assita ao vídeo acima e deixe sua opinião aqui no blog: vamos dar conta do recado em 2014?

2 de mai de 2009

Magali e Mônica no Masp?

"Magali e Mônica de Rosa e Azul", Maurício de Souza, 1989
Acrílica sobre tela, 115x95cm

Parece que não fui apenas eu quem se apaixonou pela Alice, a mocinha de rosa do quadro "Rosa e Azul", de Renoir, e pela sua irmã, Elizabeth.

Até Maurício de Souza, o pai da Turma da Mônica, prestou sua homenagem à obra. Isso foi em 1989, quando ele observava no Masp (Museu de Arte de São Paulo) várias pessoas tentando copiar a pintura original. O resultado vocês podem conferir aí acima.

Encontrei também uma outra versão feita pelo artista plástico paulista Cirton Genaro. Ele faz uma brincadeira ousada e pinta as rebentas como "meninas da noite":



A obra "Rosa e Azul", que faz parte do acervo do Masp, me inspirou a escrever o poema "Minha primeira namorada", que dividi com vocês no post anterior.

Aliás, se eu pudesse cantar uma música para Alice, seria essa aí: Sawa Kobayashi - Patience.

Espero que gostem.

1 de mai de 2009

Minha primeira namorada


As Meninas Cahen d'Anvers - Rosa e Azul
Pierre-Auguste Renoir - 1881 - 119x74cm

por Rodrigo Marques Barbosa

Minha primeira namorada

Conheci minha primeira namorada de forma inesperada.

Assim.

Como acontecem os amores.

Passeava pelo Masp, entre mundos nunca antes por mim imaginados.

Entre joias tupiniquins, DiCavalcantis, Volpis, Ianellis, Portinaris, Segalls e Brecherets.

E outras tantas d’além-mar, Monets, Delacroixs, Légers, Matisses, Cézannes e até Van Goghs.

Mas foi na ala dos Renoirs que o chão me faltou.

Minha primeira namorada vestia rosa, usava um lindo sapatinho de verniz.

Segurava inseguramente a cinta de cetim que lhe prendia a cintura.

E com a outra mãozinha acolhia-se junto à minha cunhadinha de azul.

Seu cabelo era ruivo.

Podia ser castanho também.

Ou loiro.

Às vezes até preto.

Tudo era uma questão de luz.

E era de luz que aquela pequena me enchia o coração, me fazia respirar fundo (tum-tum, tum-tum, tum-tum), com vontade de vomitar.

Não, não de nojo, mas de enjoo gostoso, daquele friozinho na barriga que acomete os mais desavisados.

Hoje sou avisado.

Avisado até demais.

Tão avisado que não me deixo mais levar pelas moçoilas de rosa e azul que andam por aí.

Loiras, morenas ou ruivas, elas não têm o olhar que pede colo, nem tampouco guardam mais a promessa do ‘l'avenir’.

São mais parecidas com a minha cunhadinha, olhar altivo, mãozinha assanhada querendo, subliminarmente, levantar seu saiote.

Minha primeira namorada olhou para mim, quis sorrir.

Apertou os lábios, a bochecha enrubesceu com minha investida marota, ainda que contida, embasbacado que estava ao fitá-la.

Despedi-me com a promessa de sempre lhe visitar, ainda que por instantes pudesse fazê-la sentir-se em outra dimensão, na minha dimensão (se bem que não sei se a minha namorada quereria sair de seu salão tão bonito, seu tapete tão felpudo).

Mas foi a minha primeira namorada que me levou para uma viagem ultradimensional.

Viajei para dentro daquele quadro, espiei-a por detrás da cortina até tomar coragem de vir-lhe falar: “Bom dia, senhorita! Qual é sua graça?”

Minha primeira namorada se chamava Alice.