30 de abr de 2009

2009: O Ano do Boi




Não sabe seu signo chinês? Clique aqui e descubra!

Fã de astrologia (e também em homenagem ao título do blog), pensei ser interessante fazer o registro: o ano de 2009 é regido pelo signo do Boi, no horóscopo chinês. A regência teve início em 26 de janeiro último e vai até 13 de fevereiro do ano que vem.

O Boi, equivalente ao Touro no Zodíaco, ambos de elemento terra, representa em linhas gerais a segurança material, a tenacidade, a perseverança, a solidificação.

Mas, como tudo onde há luz, há sombra também: mesquinharia, insistência, teimosia, falta de mobilidade.

Imaginem um boi ou um touro na arena. Nervoso e teimoso, o bicho só vê o vermelho do manto do toureiro. E é sua própria insistência e cegueira que lhe custam a vida: o toureiro, mais uma plateia ávida por sangue, riem do animal que, apesar de sua vantagem física, sucumbe ao tecido escarlate e é morto pelo punhal.

Como tudo na vida, o equilíbrio é a melhor alternativa. Como me disse um sábio senhor uma vez, o equilíbrio deve imperar. Concessões, seguidas de atitudes radicais, devem ser dadas quase que nunca na vida. Calma! Não estou aqui advogando a própria teimosia em si. Mas sim o direito divino de optar pelas suas próprias convicções. E não as dos outros, seja da sociedade, do pai, da mãe, do padre, do professor, do chefe, do vizinho.

Leia aqui a previsão completa para o Ano do Boi: "Horóscopo Chinês 2009: Ano do Boi", por Teresa Kam Teng, site 'Somos Todos Um"

Veja alguns trechos do artigo:

* "Este será um ano de crescimento lento em busca da estabilidade. Será necessário muito trabalho, perseverança e responsabilidade e o sucesso será mais facilmente alcançado através de métodos convencionais e tradicionais.
* Tempo para deixar a preguiça de lado, ser determinado, prático e sair em busca dos seus objetivos. Não perca tempo com devaneios, amenidades ou subterfúgios; seja mais direto e mantenha o seu foco.
* Tudo deverá ser feito de maneira ordenada e precisa. Aborrecimentos poderão ser evitados com uma atenção especial aos documentos escritos e oficiais. Neste ano poderemos obter o reconhecimento e a clara manifestação de nossas qualidades, sejam elas positivas ou negativas. Momento favorável ao desenvolvimento dos dons artísticos.
* A cooperação, o senso de justiça e a responsabilidade serão valorizados. Devemos evitar a teimosia, a superficialidade e a tendência a aumentar os dramas pessoais. Os conflitos poderão ser evitados com a disposição para o diálogo, a flexibilidade e o bom senso. Será um bom momento para resolver as questões domésticas e afetivas.
* O ano do Boi de Terra favorece a agricultura, o meio-ambiente, os imóveis em geral e tudo que estiver relacionado com a ordem, justiça, autoridade, educação, bens de consumo duráveis e aplicações financeiras seguras e tradicionais."

Pac-man paraguaio e as novas regras do xadrez

          

(Essa imagem aí do bispo acima não é a cara do tiozinho do Pac-man? Isso pra quem brincava com Atari.)

Vocês devem ter acompanhado as últimas notícias sobre os escândalos sexuais do atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Ele está tendo de assumir a paternidade de várias crianças. Os casos têm vindo à tona recentemente.

              
¡Hola! Papa! Mira nosotros!

Mas não estou aqui para falar sobre o famoso comedor paraguaio. E sim sobre as novas regras do jogo de xadrez,  um dos meus passatempos prediletos.

Segundo o Casseta&Planeta, a nova regra é: agora só o bispo come todas (as peças).

:-P

Você vê a cabrita?


Eu vejo uma cabrita (ou uma carneira) na foto acima. Você vê o quê?

Não valem respostas como: "vejo uma cadeira" etc.

Queimando a língua com Daniela Mercury


Não poderia deixar de tietar hoje à noite a Daniela Mercury. Ela foi a protagonista do meu primeiro carnaval na Bahia, nos idos de 1989.

Lembram-se daquela:

"Salve, Salvador
Me bato, me quebro tudo por amor
Eu sou do Pelô
O negro é raça é fruto do amor
Salve, Salvador
Me bato, me quebro tudo por amor
Eu sou do Pelô

Ae, ae, ae, ae
Ei, ei, ei, ei
Oô, oô, oô, oô, oô, oô, o
"?


Pois é, a Daniela nem fazia sucesso ainda, e o seu colega que aqui vos escreve já estava lá na Bahia pulando atrás de um trio elétrico.

Mais curioso foi ver como estava o espaço da Daslu. No evento de que participei esta noite, além de ter encontrado meu ídolo, Nizan Guanaes, e também a Daniela e outros queridos, fiquei impressionado com a pujança com que o local ainda se sustenta.


Escrevi num post passado (leia aqui) que o lugar deveria ser fechado também, afinal, as descobertas do Ministério Público não deixavam mais dúvidas sobre a sacanagem que vem sendo aprontada há anos.

Queimando a língua ou não, fui à Daslu hoje e adorei o evento. Não apenas pelo local, nem tampouco pelo glamour. Mas também pela energia das pessoas que estavam lá.

Vejam mais um pouco pelas fotos que tirei como esse lugar é lindo:



Pra matar um pouco da saudade:

28 de abr de 2009

Oi: portabilidade com porta na cabeça


Para quem pretende migrar seu atual número de celular para a Oi, aí vai um aviso.

Ligações e mensagens de texto 'de' e 'para' o Exterior?

Necas de pitibiriba!

Fiz a mudança, me arrependi.

Ainda bem que a portabilidade é uma estrada de duas vias: basta agora voltar para a minha operadora original.

Esse é o melhor troco que um consumidor civilizado pode dar quando é mal atendido. Outros, por exemplo, reclamam em blogs pela internet. ;)

Oi nunca mais.

--

Leia mais sobre a série "nunca mais":

Livrai-me de todos os males, inclusive da Livraria Saraiva

Tefónica nunca mais

Um pouco de humor não faz mal a ninguém!


Manchete: "Gols de Ronaldo causam baixa resistência nos palmeirenses, e gripe suína ameaça o Brasil."

O problema será fulminar, além do porco, o Peixe!

Aí só faltava também a gripe aviária para acabar com as galinhas.

Vai sobrar apenas carne de boi pra gente comer.

27 de abr de 2009

Gripe suína: melhor evitar Brasília por esses dias


Acordei hoje e o noticiário bombardeando: gripe suína!

Devo ter ouvido algo a respeito, lido em algum lugar, mas como surge uma gripe da noite pro dia?

Mais curioso ainda: a epidemia tornou-se notícia, de uma só vez, no mundo todo. Como pode? Alguém saberia me explicar?

Agências europeias estão implorando para que seus cidadãos não viajem aos EUA e nem ao México (focos de incidência da gripe). Idem no Japão. Na Espanha, ainda há pouco, a confirmação de um caso da doença veio a público.

Tenho um lombo congelado no freezer de casa. Pelo menos, segundo o Ministério da Saúde, não há nenhum risco de se pegar a tal gripe através da ingestão de carne de porco. Encontrei uma reportagem na Veja que esclarece um pouco mais. Clique aqui para ler.

Segundo li também, a transmissão do vírus é feita pelo ar ou por fluidos de pessoas contaminadas.

Ah, não pega de animais não. Mas em todo caso é sempre melhor evitar Brasília em tempos assim. Vai saber como anda a situação do chiqueiro do planalto central.

26 de abr de 2009

Cuidado com o que deseja (ou o orçamento da Câmara pode ir pro espaço)

Já tem alguns colegas tirando sarro da nova empreitada do nosso querido Rubens Barrichello: o piloto da Brawn GP acaba de comprar uma passagem para ir ao espaço. (leia mais em http://is.gd/uyFE)

Isso mesmo. Rubinho viajará na companhia do lendário Nick Lauda a bordo de uma aeronave da Virgin, companhia aérea britânica e também patrocinadora da equipe de Rubens.

O preço da brincadeira? US$ 200 mil. Caro? Barato? Sei lá! Quem sou eu pra dizer como o Rubinho deve ou não gastar seu dinheiro?

Aliás, querem minha opinião? Acho que tem mais de ir mesmo. Quem, afinal, não se deleitaria com uma viagem tão especial? Quem não gostaria de, embasbacado, deixar cair o queixo e, sem perceber, repetir a imortal frase do astronauta russo Yuri Gagarin (1961): "A Terra é azul!"?

O ruim não é como ou quanto o Barrichello gasta seu dinheiro com passagens, aéreas ou espacias. O pior é como nós, contribuintes brasileiros (o Rubinho tem residência fixa em Mônaco, logo não contribui aqui no Brasil), gastamos nossos suados reais em passagens. Não! Não a minha nem a sua viagem de férias. Estou falando da conta que pagamos, via impostos, para a TAM, Gol, Varig etc. pelas viagens dos nobres deputados federais, suas esposas, amantes, filhos, amigos, comparsas.

A gente vive fazendo piada, o Rubens já é vítima antiga. Afinal, não basta estar na F1 há tantos anos. Tem de ser campeão. O resto não vale. Ah... aqueles dois vice-campeonatos na Ferrari em 2002 e 2004? Não quer dizer nada! Será mesmo?

Será que é motivo de piada quem terá o privilégio de ver a Terra do espaço e mora em Mônaco ou quem reside aqui no Brasil, viaja de avião de vez em quando (digo por conta própria, bancando a família toda nas férias), e ainda tem de aturar (e patrocinar) benesses e mordomias, Paris e Nova Iorque, sacanagens e sem-vergonhices dos chamados "representantes do povo"?

A coluna do Diogo Mainardi na Veja de hoje é bem providencial: "Vamos cair fora". Acesse http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/290409/mainardi.shtml. Vale a pena conferir.

Penso que a pontaria das candinhas deveria apontar para outro lado. Pois se ainda não perceberam, a mira está bem no meio de suas cabeças.

Mas cuidado com seus desejos. Eles podem se tornar realidade. Já pensou você, no momento de raiva e desespero, gritar para os deputados em alto e bom tom: VÃO TODOS PRO ESPAÇO! Aí haja verba pública, hein!?

23 de abr de 2009

Tá passando boi nos quatro cantos do mundo



(atualizado em 25 de fevereiro de 2010)

Para minha surpresa, este blog, apesar de eu ter feito pouca divulgação (como postar links nos sites de redes sociais: orkut, myspace, facebook, twitter e linkedin), recebeu visitas de 64 países de seis continentes (Américas, Europa, África, Oceania, Oriente Médio e Ásia). Além de brasileiros, internautas de países como Austrália, Nova Zelândia, Colômbia, Peru, Chile, Equador, Argentina, Venezuela, Uruguai, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Bahamas, México, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Finlândia, Dinamarca, França, Bélgica, Holanda, Itália, Portugal, Espanha, Áustria, Suíça, Alemanha, Grécia, Polônia, Hungria, Croácia, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Albânia, Angola, Namíbia, África do Sul, Cingapura, Brunei, Egito, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait, Qatar, Turquia, Rússia, Lituânia, Ucrânia, Índia, China, Azerbaijão, Taiwan, Malásia, Nepal, Indonésia, Vietnã, Filipinas e Japão deram sua olhadela em 'Passa boi, passa boiada'.

A imagem acima foi retirada do site que me fornece relatórios dos acessos. Para saber mais sobre o serviço (aliás, gratuito), acesse StatCounter.

Não menos surpreendente, além de São Paulo (onde moro) e São José do Rio Preto (onde nasci), o blog foi visitado por pessoas do interior do estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco, Maceió, Ceará, Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Amazonas, Acre, Rondônia, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santos e Rio de Janeiro.

Conforme mostra o gráfico acima, é natural que a grande maioria dos acessos provenha de cidades brasileiras. Mas é notória uma leve vocação do blog para se conectar com internautas no mundo todo. Sobretudo se considerarmos a tenra idade de 'Passa boi, passa boiada': um mês de vida.

Em razão disso, os leitores agora podem, ao clicar do mouse, ler traduzidas as páginas do blog nos seguintes idiomas: chinês, italiano, alemão, francês, japonês, inglês, russo e espanhol. Além do bom e querido português, ora pois.



Moral da história: o grande poder da internet é suprimir fronteiras (guardadas as devidas proporções) e aproximar pessoas dos quatro cantos do planeta. Mas, peraí! Como quatro cantos se a Terra é redonda?

Pois é, a força das expressões idiomáticas não deixa a lógica acontecer às vezes.

IPO com chocolate e cereja


texto: Rodrigo Marques Barbosa

Isso aqui é um chute, mas não poderia deixar de falar: vem aí uma importante IPO (oferta pública de ações) a ser lançada na Bovespa. A Visanet, cujos donos são Bradesco, Banco do Brasil, Santander (ex-Real) e Visa International (além de acionistas menores com 6%), vai abrir seu capital na bolsa paulista em breve. O pedido junto à CVM, Comissão de Valores Mobiliários,  deverá ser protocolado até esta sexta-feira (24).

Depois do período de vacas magras no mercado acionário brasileiro -- quase não houve lançamentos de ações nos últimos 12 meses -- nos bastidores se fala muito dessa IPO, que deve trazer gordos ganhos para quem entrar, mesmo que seja para 'flippar', ou seja, comprar no período de reserva e vender no dia do lançamento.

Só para dar um exemplo, a empresa-mãe, Visa International, abriu capital na bolsa de Nova Iorque em março do ano passado. No dia de início de negociação das ações, estas subiram mais de 28% sobre seu preço de lançamento (leia mais aqui).

O único problema, penso, vai ser que, dada a grande demanda pelos papéis, os investidores não-institucionais (leia-se 'nós, mortais') só morderão uma fatia muita pequena dessa torta mousse de chocolate coberta com cerejas do mercado financeiro.

E aí? Eu vou. Você vai?

Coaduna ou não coaduna? Dê sua opinião



texto: Rodrigo Marques Barbosa

O pau quebrou hoje (22) no Supremo Tribunal Federal. Não vou me ater aqui ao mérito da discussão, até porque não domino o assunto. Mas tenho de chamar a atenção para algo inusitado: assistir aos egrégios ministros perdendo a habitual compostura e diplomacia é algo que não tem preço (veja o vídeo acima no youtube).

Gilmar Mendes, presidente da Casa, e o ministro Joaquim Barbosa trocaram farpas. Fiquei de cabelo em pé (o ministro Gilmar nem tanto, pois lhe falta uma robusta cabeleira), quando meu parente Barbosa (ops, brincadeirinha) disse mais ou menos assim: "Se o senhor (Gilmar Mendes) pensa que está falando com seus capangas de Mato Grosso, está enganado". Ô louco!

A discussão só não ganhou mais corpo porque o ministro Marco Aurélio (de quem sou fã de carteirinha) soltou a seguinte pérola: "Creio que a discussão está descambando para um campo que não se coaduna com a liturgia do Supremo". Gente, que frase é essa!? E não é só o conteúdo da frase, mas a entonação, a postura da voz do ministro que me inspiram.

Para saber mais sobre o episódio, clique aqui e leia a reportagem no Estadão.

A propósito, não conhecia o verbo 'coadunar'. Fui descobrir que quer dizer harmonizar, estar no lugar adequado. Clique aqui para saber mais.

Mais uma coisa. Tenho de confessar que sou assíduo telespectador da TV Justiça. Pasmem, mas é vero. Aliás, quando há sessões do STF, aproveito para tirar algumas aulas de retórica, português, pra não dizer o poder de argumentação dos caras, digo os ministros.

De todo jeito, fiquei pensando cá comigo mesmo: a escultura "A Justiça", obra de Alfredo Ceschiatti (foto abaixo), deve ter tremido na base hoje. Só não passou mais vergonha porque usa uma venda infalível. Sorte a dela. Azar o nosso.

19 de abr de 2009

Hoje é dia de chocolate? E por que não de açaí?


Olho no relógio: quase meia-noite, final do domingo, 19 de abril. A data lhe toca algum sininho na memória?

Pois é, só agora me lembrei que hoje se comemora o Dia do Índio.

Curioso. Muitas vezes não entendo o outro nem tampouco a mim mesmo. Vejamos o feriado da semana passada: apesar de poucos se lembrarem de que a Páscoa representa a ressurreição do Cristo, a venda de chocolates cresce ano após ano. O que dizer?

O que acontece com nossa memória coletiva? Virou pó? Compensamos com chocolate? E hoje? Por que não com açaí?

Sem mais milongas, presto minha homenagem aos genuínos proprietários das Américas e reproduzo um discurso atribuído ao embaixador mexicano Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, proferido em maio de 2002, durante a conferência dos chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, realizada em Madri.

Lenda ou não (e é essa uma das funções essenciais das lendas), eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a 'descobriram' só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país- , com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.

Consta no 'Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais' que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Esse quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Feliz dia do Índio!

Apenasmente por isso


Inspirei-me na epígrafe de "Sagarana", obra de João Guimarães Rosa, panteão do neologismo, para batizar este blog:

 

"Lá em cima daquela serra, passa boi, passa boiada, passa gente ruim e boa, passa minha namorada."

 

No uso popular, a expressão 'passa boi, passa boiada' enseja um certo caráter relaxado e negligente, característica atribuída sobretudo a políticos, alguns empresários, oportunistas, gatunos, enfim toda a turma do 'opa lelê'.

 

Guimarães Rosa, não. O mestre utilizou a expressão para introduzir o leitor aos elementos centrais do livro: Minas Gerais, sertão, bois, vaqueiros e jagunços, o bem e o mal.

 

Esse é o tom que pretendo dar ao blog: tanto tratar do descaso de uns, quanto do poético, do sertanejo (sou rio-pretense, lembra?) de outros. Fazer arder a dicotomia e, na sua agudez intrínseca, fazê-la revelar-se. Ou romper-se de vez.

 

Não mais que isso. Nem menos. Ou, como diria Rosa, apenasmente.

 

Leia mais sobre 'Sagarana' aqui.

18 de abr de 2009

Cultura nunca é de graça. Mesmo.

Texto: Rodrigo Marques Barbosa

Os cariocas pagarão até 1.200 reais por um ingresso para assistir ao show do tenor italiano Andrea Bocelli, que se apresenta hoje (18) no Rio. A entrada mais em conta sai pela bagatela de 100 reais.

Já os paulistanos poderão ouvir 'Con te partirò' e outros sucessos populares de Bocelli sem pagar nada por isso. O astro fará uma apresentação ao ar livre em São Paulo, na próxima terça, dia 21, feriado de Tiradentes. O show será realizado no Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, às 16h.

O nome do parque vem bem a calhar: independentemente do gosto musical de cada um, o evento será uma boa alternativa para quem não foi viajar e ficou para curtir a 'pauliceia desvairada' vazia, ou seja, em sua melhor versão.

Além da recompensa de aproveitar ruas sem trânsito e restaurantes sem fila, o paulistano ainda vai poder mimar os ouvidos e, quem sabe, também o coração. Em qualquer caso, infinitas vezes melhor do que ir ao shopping.

A propósito, cultura nunca é de graça mesmo. Já o show, pelo menos em Sampa, é na faixa, apesar de o Vasco ser do Rio. Sorte nossa. Bora lá?

Ufa! Até que enfim...

Desnecessário comentar:

Por consequência:














E o outro lado:

17 de abr de 2009

Quem será a vizinha na piscina?


(Clique no mapa e arraste o mouse. Para aproximar, dê um 'double click'. A viagem é demais!)


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O Google está cada vez mais insuperável.

Eles incrementaram os já famosos Google Earth e Google Maps com imagens feitas das próprias ruas. Essa aí de cima (que parece ser uma única foto) é de Londres, Inglaterra, e foi "tirada" próximo ao rio Tâmisa e ao Big Ben (ao fundo). A ferramenta reúne infinitas imagens e, através da sua sobreposição, consegue criar o efeito visto nesse quadro.

Clique e navegue por toda Londres. Ou, se preferir, visite Paris, São Francisco, Roma e inúmeras cidades no mundo que já estão disponíveis no Google Street, nome dado ao programa.

Encontrei um blog que reuniu num post 15 pontos curiosos em diversas cidades (clique aqui para ler). Vale a pena a visita.

Aqui no Brasil ainda não temos nossas cidades no Google Street, mas a qualidade das imagens geradas por satélites sobre várias partes do país já melhorou bastante.

A imagem abaixo (Google Earth) é do prédio aqui de casa. Logo, logo, com a evolução da cobertura "powered by Google", vai dar pra ver quem era a vizinha se banhando na piscina. O duro vai ser o satélite revelar um marmanjo. Mais duro ainda descobrir que sou eu na foto, em uma das únicas duas vezes que entrei na piscina do condomínio. :)


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16 de abr de 2009

O Poder do Vernáculo 2: "Entusiasmo"



Quem me conhece mais de perto já deve ter ouvido uma de minhas expressões: "a resposta está sempre na pergunta".

E é verdade! Por mais empírica que possa parecer essa frase, às vezes damos tantas voltas ou complicamos tanto as coisas, que só depois de muita energia desperdiçada é que vemos que a resposta estava bem debaixo do nosso nariz.

Eu poderia citar aqui inúmeros exemplos meus e que também já observei nessa existência, mas o propósito deste post é outro: continuar com a série "O poder do vernáculo", inaugurada com o texto sobre o vocábulo 'graça' (clique aqui para ler).

A minha palavra de hoje é 'entusiasmo'. E para seguir com o raciocínio que apresentei há pouco, ou seja, de que a resposta está sempre na pergunta, quero dividir aqui com vocês uma descoberta (não minha, claro, mas que me serviu como uma epifania) sobre o significado etimológico de 'entusiasmo'.

Lembra-se de já ter ouvido endomarketing (ou o marketing de dentro), reação endógena (ou reação interna), endodontia (área da odontologia que cuida do interior do dente, da raiz) etc.? Então, já dá para deduzir que o 'en' de entusiasmo vem do grego 'endo', que significa dentro, interior, interno.

E o restante, 'tusiasmo'? Essa aí vem também de terras helênicas, do original 'thous', quer quer dizer deus.

Viu só como a resposta está na pergunta? Então, o que é entusiasmo? É ter Deus dentro de você, sentir-se parte da unicidade do Universo ao mesmo tempo em que compartilha da centelha divina no seu mais íntimo eu.

É vibrar no sentido puro da palavra, é ter a segurança da infinitude e do poder do amor, mesmo em situações ou épocas quando tudo é posto à prova, tudo é questionado ou, pior, o terreno e o mundano são trazidos à tona, como o assassino de primeiro grau que tem seu caráter revelado, e não alterado (como alguns advogam) pelas circunstâncias e situações e intempéries a que foi exposto durante sua criação. Afinal, como pode um assassino de primeiro grau ser 'menos pior' que o de segundo, terceiro?

Graças ao entusiasmo, e não ao otimismo (este bem diferente daquele), o Universo continua se expandindo. Pois mesmo que ainda haja tanta truculência no mundo, é a soma de todos os pensamentos, bons e maus, que se manifestam e fazem com que as fronteiras do infinito se expandam.

Quer um exemplo disso? Um casal une seus pensamentos em torno de um filho. Fazem planos, copulam, o espermatozóide fecunda o óvulo, nove meses depois o bebê nasce. O Universo se expandiu, não é mesmo? E não se expandiu só com o novo ser humano, mas também com a anotação no livro de registros do cartório, nos arquivos da maternidade, da escola, das empresas onde o pequeno irá trabalhar, no atestado de óbito e, finalmente, mas não menos importante, no pensamento dos seus entes queridos.

Outro exemplo? Uma cadeira! Pode ser um pensamento do designer francês Phillipe Starck ou de um camponês do interior do Brasil. Colocado em prática, esse pensamento resultará numa cadeira. De um jeito bem simples, essa é a tradução da famosa fórmula de Einstein: E=m.c², em que 'E', energia, representa o pensamento (que é energia em sua existência - já comprovado cientificamente por medições de ondas cerebrais), 'm' é a massa, ou seja, a madeira, os pregos, os amarres, e 'C²' é a velocidade da luz ao quadrado. Afinal, vemos as coisas porque elas têm luz.

Cadeira de Phillipe Starck Cadeira de algum camponês

Desconhecia até pouco tempo a raiz da palavra 'entusiasmo', mas se fizer um esforço de memória e me lembrar das vezes em que ouvi-la, foi sempre em ocasiões em que alguém queria passar uma mensagem de incentivo, motivação, ânimo. Hoje, ao ouvir 'entusiasmo', uma fonte imensa me preenche de luz, de energia, de sensação de poder criativo, de resiliência.

Sabendo disso, penso valer a pena repetir essa palavra o tempo todo, nem que seja para mim mesmo, em silêncio, e assim sempre despertar o deus que há em mim. "Vós sois deuses", já bem disse nosso irmão, Jesus Cristo (Salmo 82:6 e João 10:34).

Feliz entusiasmo!




entusiasmo
en.tu.si.as.mo
sm (gr enthousiasmós) 1 Excitação da alma quando admira excessivamente. 2 Arrebatamento. 3 Paixão viva; dedicação. 4Alegria ruidosa. 5 Exaltação criadora que torna sublimes os poetas, os artistas e os oradores. 6 Inspiração.

10 de abr de 2009

Twitter: uma biografia não autorizada


Parte I – O primeiro encontro

Cruzei com uma Chevrolet Lumina na rua dias atrás. Eu voltava do mercado, final do dia, parado no semáforo. De repente aquele colosso atravessou elegantemente a avenida Giovanni Gronchi. Apesar de já deixar até as balzaquianas das vans para trás, a Lumina (foto) foi pioneira no início da década de 90 em se tratando de design inovador. Hoje, é uma senhorinha quase esquecida pela maioria dos mortais.


Na época em que foi lançada, me lembro de ouvir gente dizendo que aquele design não iria vingar, que era muito futurista, muito isso, muito aquilo. O fato é que a Lumina não só trouxe um novo paradigma para o mercado de vans no Brasil, como também serviu de inspiração para os modelos que a sucederam nos anos seguintes (compare com a foto do último lançamento da Citroen, a C4 Grand Picasso). Lembrem que foi bem naquela época que o ex-presidente Collor abria a porteira para as importações, o que fez com que a indústria nacional saísse do marasmo e tirasse o traseiro da cadeira.


No mesmo dia em que tive o encontro com essa senhora, a dona Lumina, fui apresentado a um recém-nascido, desses aí da chamada geração índigo, ultrarrápidos, conectados, futuristas (igualzinho minha senhora amiga de anos atrás). – Prazer, Rodrigo. Como vai? – Vou bem, ele me respondeu. Me chamo Twitter.

Parte II – Professora de inglês

Desci as compras do carro e segui em direção ao elevador. Uma bela morena, de cabelos presos, calça jeans, camiseta e tênis brancos, olhos pretos, abriu a porta para eu entrar, já que, com as mãos carregadas de sacolas, o máximo que consegui fazer, além de segurar o queixo(!), foi dizer boa tarde, obrigado.

Luana puxou conversa comigo para me informar que estava dando aulas particulares de inglês. Aproveitei a deixa para tirar uma dúvida que tinha a respeito da tradução do verbo “to twit”. Afinal, ela voltara da Inglaterra havia poucos dias, vernáculo na ponta da língua, cuca fresca no oásis dos 19 anos.


Eu estava curioso para entender a origem do nome daquele recém-nascido, criança precoce, já falava várias línguas, se comunicava na velocidade da luz. Como eu não sabia a tradução literal de twitter, logo, se descobrisse o que twit queria dizer, mataria a charada.

A professora não soube me responder de bate-pronto, mas se prontificou a pesquisar em seus dicionários e me retornar ainda naquela noite. Duas horas mais tarde, Luana tocou a campainha. Abri a porta, surpreso com aquela visão, e a convidei para entrar e se sentar.

– Não posso ficar muito tempo, tenho uma aula daqui a pouco. Mas consegui achar o significado do verbo twit. Quer dizer tirar sarro em alguém, ridicularizar, zombar, esclareceu Luana.

Agradeci pela ajuda, ela partiu, e eu fiquei ali em pé, pensando em como meu recém-amigo poderia se chamar zombador, aquele que tira sarro, ridicularizador, Twitter.

Parte III – Tio Google

Apesar de muito novinho, Twitter já tem profissão. Na verdade, já tem seu próprio negócio. Naturalmente, Twitter escolheu a internet para difundir seus serviços, e o sucesso não tardou a chegar. Tanto é que o Google pretende comprá-lo por 250 milhões de dólares. Uns dizem que o Twitter vale até 500. Não tenho a mínima condição técnica para fazer essa avaliação, mas posso dizer que se o Google tem olhos grandes para cima do Twitter, é porque o negócio deve ser bom mesmo. A propósito, o Google é o tio não consanguíneo do Twitter. De comum mesmo, só o silício do DNA.


Parte IV – Já sofro de bullying

Para quem não se lembra, bullying é um termo que vem sendo utilizado por educadores na América do Norte e na Europa (e cada vez mais no Brasil) para definir o desvio de comportamento de crianças e adolescentes nas escolas.

Pode-se melhor traduzir “bullying” como provocação, zombaria, ameaça, comportamento que assusta ou fere alguém menor ou mais fraco. Especificamente, na escola, intimidação física dos colegas mais fracos pelos mais fortes.

O meu amigo Twitter, apesar de seu tio Google querer ‘adotá-lo’, já sofre de bullying. Como tudo que faz sucesso nessa vida, o Twitter chegou e já causou muito desconforto. Há milhares de posts negativos sobre a criança nos quatro cantos do mundo.


A principal queixa dos incomodados é que o Twitter logo cansará o povo. Afinal, de que me adianta saber o que o fulano comeu no café da manhã, ou então que o sicrano passou a tarde apagando os arquivos deletados do seu computador (?), ou que o João está ouvindo Radio Head no iPod touch mega flex rubber simphony?

Parte V – Plástica e Twitter quântico

Tudo bem, pode parecer meio superficial falar assim, mas estou começando a desconfiar que o Twitter é neto da Sra. Lumina. Lembra-se dela? A dona Lumina? Na avenida Giovanni Gronchi?

Pois é. Assim como a van noventona da Chevrolet, o Twitter chegou para ficar. Não necessariamente como é agora (até porque hoje a Lumina está com o design ultrapassado), mas certamente para criar novos paradigmas e remodelar a cara da internet, que, diga-se de passagem, já está na hora de fazer um face lift.

A questão é que muito pouca gente (e eu não me incluo nesse grupo) consegue visualizar a amplitude e a potencialidade desse menino Twitter. A gente (agora sim me incluo ;)) simplesmente não sabe direito para quê usa-lo. Mas o cheiro que sinto é que num futuro breve a conectividade será de tamanha magnitude, que celulares (os quais ninguém tira do bolso ou da bolsa), notebooks, palms, desktops, MP3/4/5’s, rádios do carro, enfim, todas as mídias que frequentam nossas vidas passarão a se falar em tempo real.


Isso já acontece hoje de uma forma mais sutil. Quando edito a minha mensagem pessoal no MSN através do Nimbuzz instalado no meu celular, automaticamente aquele conteúdo é atualizado no meu Twitter, Skype, Orkut, blog, Yahoo, Facebook, Google Talk, MySpace e, é claro, MSN. Quando faço isso, tenho aquela sensação de ser uma partícula quântica, que é única mas pode ser vista em diversos locais no espaço.

Fico imaginando o poder do Twitter daqui a alguns meses, talvez um ano ou dois. Além disso, em estudos técnicos sobre o assunto, ficou provado que os usuários do Twitter têm redes mais interconectadas, o que justifica o buzz causado por esse bem-vindo rebento.

Parte final – Follow me?

Como não sei muito bem o que fazer com o Twitter, dei uma pesquisada na internet para saber um pouco mais sobre esse pequeno gênio. Encontrei um artigo interessante sobre o assunto no site http://pontomidia.com.br/raquel/, intitulado "Twitter: Muito barulho por nada?".

Para entender alguns dos motivos que fazem o Twitter ser capaz de gerar tanto buzz, me perguntei: por que isso acontece? Encontrei no site a seguinte resposta dada pela jornalista e professora Raquel Recuerono:

"Primeiro por conta da própria estrutura do Twitter. Como site de rede social, ele permite uma complexificação muito grande de suas redes internas, que parecem ser bastante interconectadas (...). Como é mais conectado, as informações circulam mais rápido e de forma mais abrangente. Segundo porque (...) o Twitter foi adotado como uma ferramenta informacional e é por causa disso que tem uma capacidade muito maior que a dos outros sites de propagar informações e ampliar o seu alcance. Para mim, é nessa característica de difusão de mensagens pela rede que está o diferencial do Twitter e que está a explicação enquanto gerador de buzz. Finalmente, o Twitter foi apropriado por um grupo de usuários de Internet que eu chamei heavy users. Isso significa que são pessoas envolvidas com mídia digital, pessoas que valorizam essas conexões e suas trocas e finalmente, pessoas que possuem outras ferramentas (como blogs, fotologs e etc.) que auxiliam a amplificar o poder de difusão de informações da ferramenta.”


Eu tenho um palpite. Assim como quem usava celular todos os dias, tinha micro em casa e fotografava com câmera digital 15 anos atrás era considerado “heavy user”, imagine o que o Twitter não vai causar quando nós, comuns, estivermos a todo vapor com nossos blogs, fotologs, mídias digitais e sabe lá o que ainda está por vir.

Pródigo ou prodígio, esse menino vai continuar dando muito o que falar. Agora me dêem licença que vou postar o link para este artigo no Twitter. Do you wanna follow me? @rodrrigo.


9 de abr de 2009

Nostalgia tributária

por Rodrigo Marques Barbosa

Dias atrás, estudando com meu filho de 11 anos, na véspera de sua prova de Geografia, me deparei com uma das definições que mais marcaram minha época ginasial: "o que é uma ilha?".

A frase "ilha é uma porção de terra cercada..." (já conhece, né?) ficou na minha mente a tarde toda, quando me lembrei de um post publicado aqui no blog (Enquanto isso, na Sala de Justiça...), em que falo sobre a sonegação de impostos pela dona da Daslu.

"Mas e aí? Aonde ele quer chegar?", você deve estar se perguntando.

A relação é a seguinte. Do livro de Geografia do meu filho e do post sobre a Daslu, me ocorreu uma ótima definição para a classe média brasileira, cada vez menor, mais isolada, quase que uma ilha perdida no oceano demográfico brasileiro.

É verdade que o total de impostos arrecadados no Brasil no primeiro trimestre de 2009 diminui quase 20%, mas se analisada no longo prazo, a curva nos últimos 20 anos é ascendente e tende para patamares mais altos.

Com isso, sugiro uma nova definição para a sua, a minha, a nossa classe média: uma porção de contribuintes assalariados esfolados por impostos por todos os lados.

Do jeito que as coisas vão, essa ilha some logo, logo.

7 de abr de 2009

Berlusconi X Freud: is it the mother's fault?


by Rodrigo Marques Barbosa

(Clique aqui para português)

Freud postulated in his works that all figures of authority in our lives are the representation of our own fathers transvested.

We can say that the leader of the nation where we live – being the president, the prime minister, the king, the dictator – is one of those figures of authority. 

A not-well-resolved relationship with our parents and, by inference, with other individuals who exercise authority over us (including bosses and the police) can leave indelible trauma in our lives (citing Freud again). 

Having said that, I wonder how Italians are dealing with their leader
s recent rhetorical abuse. Italian prime minister Silvio Berlusconi has shown the world once again his arrogance during the G20 meeting, which brought together world leaders earlier this month in London.

There were several recent episodes in which Berlusconi broke the protocol, committed gaffes and disrespected the world by mocking on nations representatives. What do Italians have to say about their prime ministers behavior? After all, by analogy to Freuds theory, it is something like watching your own father being rude and mean to the entire neighborhood. 

Even the queen of England, Elisabeth II lost her temper with Berlusconi. She jumped out of the chair when the Italian prime minister started yelling to greet (by far) the U.S. president, Barack Obama.
What is it? Why does he have to shout?, she said, shrugging her shoulders.

The next day was not very different. Continuing with the agenda, the world leaders headed to Strasbourg, France. Germanys chancellor Angela Merkel, one of the hosts of the event, was welcoming the VIP guests on a red carpet. When Berlusconi arrived, he got off the car speaking on his mobile. He then ironically waved to Merkel, turned his backs to her and kept his phone conversation for more than 30 minutes. The meeting started without Italys representative. I wonder if Berlusconi suffered from maternal rejection and now is trying to compensate this lack by repeating the same pattern of his childhood. 

Besides all issues we already have to face in our everyday
s lives, we still have to put up with the tyranny of the leader of one of the richest nations on Earth. And as I said, the issue is not about Berlusconis individual attitudes, but the collective representation of his acts. After all, it is like Italy was mocking on the rest of the world, isnt it? Would that be the real desired manifestation of the Italian people? 

My ultimate anger and the motivation to write this article was Berlusconi's express refusal of the aid offered by several countries to the victims of the earthquakes that have shaken Italy in the last two days.

Okay, I agree that if there is no need for help yet, then those who want to help must direct their efforts to the people who really need help. But what did bother me was Berlusconis rhetoric speech. Take a look at his recent statements:

"Italy is alone capable of dealing with the demands." (Would this be a remnant of his pre-infancy, when his mother neglected him with attention?) 

"We are a proud people. Thank you, but we are self-sufficient." (Ditto) 

Berlusconi said today that 30 million Euros will be directed to help the earthquake victims. But he said later that he will request several hundred million Euros to the European funds.

So will they need help or not? It beats me.